22/07/2026 | Notícia | ArchDaily

Descrição enviada pela equipe de projeto. Mercado Central: patrimônio, cultura e novos usos no Centro do Rio. Instalado em um conjunto de cinco edifícios históricos que abrigou a primeira fábrica da Granado, inaugurada em 1903, o Mercado Central nasce da transformação de um patrimônio industrial do Centro do Rio de Janeiro em um novo território de gastronomia, arte, cultura e convivência urbana.

O projeto parte do reconhecimento das preexistências como principal matéria arquitetônica. Fachadas ornamentadas, alvenarias de tijolos maciços, estruturas metálicas, telhados cerâmicos, esquadrias, marcas de antigas demolições e superfícies desgastadas foram preservados como registros das diferentes etapas de ocupação do complexo. Em vez de apagar essas camadas, a intervenção procura evidenciá-las, estabelecendo uma relação direta entre memória e uso contemporâneo.

As novas inserções assumem uma linguagem precisa e claramente identificável. Aço, concreto, blocos cerâmicos aparentes, revestimentos industriais e instalações expostas se articulam às estruturas originais sem reproduzir seus elementos históricos. Essa distinção permite que o conjunto permaneça legível: o antigo conserva sua força e suas imperfeições, enquanto o novo oferece infraestrutura, acessibilidade e suporte às diferentes atividades.

A organização espacial acompanha a configuração longitudinal dos imóveis, criando uma sequência de ambientes conectados por passagens, salões, pátios e áreas cobertas. Desde a rua, grandes aberturas aproximam o interior da cidade e revelam o movimento das operações gastronômicas. Ao longo do percurso, cozinhas abertas, balcões e áreas de preparo integram produção e atendimento, transformando o trabalho cotidiano em parte da experiência do visitante.

No Bocado, o balcão curvo de aço inoxidável ocupa posição central e organiza a relação entre cozinha, bar e salão. A presença do vermelho, dos bancos fixos e das estruturas suspensas contrasta com a base neutra e preservada do edifício. Mais ao fundo, outras operações, como o Suba e o Peti, ajudam a construir um ambiente múltiplo, no qual cada marca possui identidade própria sem romper a unidade arquitetônica do conjunto.

Pátios descobertos e antigos galpões ampliam as possibilidades de uso. Vegetação, mobiliário móvel e estruturas leves transformam áreas residuais em espaços de permanência, encontros, eventos e atividades culturais. Já os grandes vãos, coberturas altas e tesouras aparentes preservam a escala industrial dos edifícios e permitem ocupações flexíveis.


O projeto busca devolver movimento a uma estrutura histórica, criando um lugar capaz de reunir diferentes públicos e reafirmar o Centro do Rio como território de produção cultural, convivência e transformação urbana.
