15/01/2026 | Notícia

Uma casa erguida sem tijolos, com estrutura metálica leve e componentes parafusados que chegam prontos ao canteiro, tem ampliado o debate sobre métodos construtivos alternativos no Brasil.
O sistema conhecido como Light Steel Frame substitui a alvenaria tradicional por perfis de aço galvanizado e fechamentos industrializados, combinados com camadas de isolamento voltadas ao desempenho térmico e acústico.
Consolidado em países como Estados Unidos e Canadá, o modelo vem sendo adotado de forma gradual no mercado brasileiro, sobretudo em projetos residenciais.
Nesse tipo de obra, a lógica construtiva difere do canteiro convencional.
Em vez de blocos, argamassa e etapas sucessivas de cura, a estrutura é montada a partir de peças produzidas previamente em fábrica, o que, segundo entidades do setor, tende a reduzir o volume de resíduos e o consumo de água durante a execução.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção classifica o Light Steel Frame como um sistema industrializado e de construção a seco, no qual a água é utilizada principalmente na etapa de fundação.
Quando se fala em uma casa “sem tijolos”, o termo se refere à ausência de paredes estruturais em alvenaria.
No Light Steel Frame, a sustentação do edifício é feita por perfis leves de aço formados a frio, organizados em painéis e treliças conforme o projeto estrutural.
Esses elementos funcionam como a base de suporte para os fechamentos internos e externos, além de receberem as cargas da edificação.
A adoção desse sistema pressupõe planejamento detalhado.
Como os perfis chegam cortados, dobrados e perfurados, a margem para ajustes improvisados no canteiro é menor.
Técnicos do setor apontam que essa característica contribui para maior previsibilidade de prazos e para a padronização da qualidade, desde que o projeto executivo esteja completo e compatibilizado.

O processo construtivo começa no ambiente digital, geralmente com o uso de modelagem BIM, que concentra informações sobre dimensões, materiais e interfaces entre sistemas.
A partir desse modelo, os perfis metálicos são produzidos em linha industrial e organizados conforme a sequência de montagem prevista.
No canteiro, a equipe executa a fixação dos painéis estruturais por meio de parafusamento, seguindo o projeto.
De acordo com publicações técnicas e relatos de empresas especializadas, esse método pode reduzir o tempo de execução da estrutura quando comparado à alvenaria convencional.
Especialistas ressaltam, no entanto, que o prazo final depende de variáveis como complexidade arquitetônica, logística de fornecimento, clima e disponibilidade de mão de obra qualificada.
A capacitação das equipes aparece como um ponto central.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial oferece cursos específicos para Light Steel Frame, indicando que o domínio do sistema exige treinamento próprio e conhecimento das normas técnicas aplicáveis.
As paredes de uma casa em steel frame são formadas por um conjunto de camadas com funções distintas.
Entre os montantes metálicos ficam as passagens de instalações elétricas e hidráulicas, além de materiais isolantes que contribuem para o desempenho térmico e acústico do imóvel.
Entre os isolantes mais utilizados estão lã de vidro, lã de rocha e mantas de PET, aplicadas conforme as exigências do projeto.
Fabricantes e entidades técnicas associam esses materiais à redução de ruídos e à melhora do conforto térmico em sistemas de fechamento leve, desde que instalados corretamente.
No lado externo, as paredes recebem placas próprias para fachada, membranas de proteção contra umidade e uma camada base que permite diferentes tipos de acabamento, como pintura ou textura.
Internamente, o fechamento mais comum é o drywall, sistema amplamente utilizado em construções a seco e que facilita ajustes e intervenções futuras.
A estrutura do Light Steel Frame utiliza, em regra, aço galvanizado, material escolhido pela resistência mecânica e pela proteção contra corrosão.
Documentos técnicos do setor explicam que a camada de zinco aplicada ao aço atua como barreira contra a oxidação, inclusive em ambientes mais úmidos, desde que o sistema esteja corretamente especificado e vedado.
Em regiões litorâneas, especialistas destacam que a durabilidade está relacionada não apenas ao material, mas também ao detalhamento do projeto e à manutenção ao longo do tempo.
Estudos acadêmicos apontam que o uso de aço galvanizado é uma medida eficaz de proteção, mas não elimina a necessidade de cuidados adicionais em áreas sujeitas à maresia.
No Brasil, o sistema é regulamentado pela ABNT NBR 16970, publicada em 2022, que trata de requisitos de desempenho e diretrizes de projeto para edificações em Light Steel Frame.
A norma aborda, em sua primeira edição, edificações de até dois pavimentos, o que reflete o perfil predominante de uso residencial.
Na prática profissional, há registros de aplicações em edifícios mais altos, desde que acompanhadas de soluções estruturais específicas.
Trabalhos acadêmicos e análises de custo indicam que, acima de determinado número de pavimentos, o sistema pode perder competitividade econômica em relação a outras soluções construtivas, o que influencia sua adoção em larga escala.
O desempenho térmico e acústico de uma casa em steel frame está associado ao conjunto de decisões de projeto.
A presença de isolantes nas paredes, combinada a esquadrias adequadas, tende a contribuir para ambientes internos mais estáveis.
Especialistas alertam que o resultado final depende da compatibilização entre paredes, coberturas, pisos e aberturas.
No uso diário, muitas dessas casas apresentam aparência semelhante à de construções tradicionais.
A diferença, segundo profissionais do setor, aparece principalmente na facilidade de manutenção e adaptação dos espaços, já que as instalações ficam embutidas em paredes leves, o que pode simplificar reformas e ampliações futuras.
A adoção do Light Steel Frame envolve avaliação técnica e econômica.
Embora o sistema seja associado à redução de resíduos e à maior previsibilidade de obra, entidades da construção civil destacam que o custo por metro quadrado pode variar conforme região, escala do projeto e disponibilidade de fornecedores e equipes treinadas.
Mais do que uma alternativa estética, a chamada casa sem tijolos representa uma mudança de método construtivo, com impactos diretos em planejamento, execução e manutenção.
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