Casa Lego / Fernanda Marques Arquitetos Associados

17/06/2026 | Notícia | ArchDaily

Descrição enviada pela equipe de projeto. A Casa Lego se revela como um encontro entre natureza, luz e arquitetura, ao longo de seus 1.390 m². O projeto, assinado pela arquiteta Fernanda Marques, nasce do desejo de uma família de viver uma São Paulo urbana e cosmopolita sem abrir mão da sensação de estar cercada por verde, luz e silêncio.

"A arquitetura da casa é montada em vários blocos — uns mais altos, outros em balanço — o que me remeteu às construções que fazíamos quando crianças com peças de Lego. Essas experiências sobre o que seria possível erguer e ainda se manter de pé, de certa forma, ecoam aqui. É uma casa que explora, com delicadeza, o tema do equilíbrio", comenta Fernanda.

Guiado por esse propósito, o conceito arquitetônico se desenvolve como um jogo de peças — um diálogo contínuo entre cheios e vazios, entre o leve e o sólido. Daí o nome: Casa Lego. Blocos setorizados que se encaixam e se equilibram, distribuídos de forma precisa, delineando sombras e aberturas, transparências e abrigos.

O térreo é marcado pela presença constante dos jardins, que transbordam pelos ambientes internos e reforçam a integração entre arquitetura e paisagem. Nas faces voltadas ao norte do segundo andar, a luz natural banha as áreas sociais e íntimas, filtrada por brises de madeira ripada que ampliam a ventilação cruzada e dissolvem os limites visuais. O projeto de iluminação foi pensado para não ser evidente — embutido nos ripados de madeira, direciona o olhar para os pontos de destaque, realçando texturas e volumes.

"A luz é um material de projeto tão essencial quanto às estruturas metálicas ou a madeira. Ela desenha o espaço, revela texturas e dá vida à arquitetura", afirma a arquiteta.

Nos interiores, o mobiliário complementa a arquitetura com pontos focais de cor e forma. Peças em tons neutros equilibram a presença da vegetação com a delicadeza dos materiais. O mármore travertino percorre pisos e piscina — visível de quase todo o térreo — enquanto a pedra moledo reveste o contorno da área social, trazendo textura e naturalidade. Cada elemento contribui para uma atmosfera serena, em que a beleza se revela na harmonia entre conforto e sofisticação.

"Gosto dessa ideia de sofisticação sem esforço, de uma beleza que não se impõe, mas se revela aos poucos, conforme o olhar transita entre os espaços", completa Fernanda.

Em diálogo com essa arquitetura, as obras de arte assumem papel essencial na composição dos espaços, atuando como respiro visual e elo sensorial. Parte do acervo já pertencia aos moradores; outras peças foram incorporadas durante a conceituação do projeto, valorizando nomes da arte brasileira contemporânea como Armarinhos Teixeira, Túlio Pinto, José Patrício e a imponente Beatriz Milhazes.

Naturalmente, essa relação entre o construído e o natural também se traduz em escolhas conscientes desde o projeto arquitetônico. A sustentabilidade surge como consequência de um desenho bem pensado: implantação inteligente, ventilação cruzada, aproveitamento da luz natural e uso de materiais locais e duráveis reduzem o consumo energético e a necessidade de ar-condicionado.

A Casa Lego é, sobretudo, uma reflexão sobre a composição de volumes — um movimento fluido e constante entre o construído e o natural, o íntimo e o coletivo. Um projeto que, ao mesmo tempo em que traduz a identidade de seus moradores, expressa a essência do trabalho de Fernanda Marques: a sintonia entre racionalidade e emoção, entre estrutura e poesia.

 

 

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