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LSF: Solução para Fachadas

18/10/2016 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 47

"Os materiais e componentes do light steel framing podem ser combinados para permitir uma maior rigidez e resistência do que a alvenaria, exatamente o contrário do que é pensado"

Engenheiro civil pela Universidade Federal da Paraíba, Jonas Silvestre Medeiros também é mestre e doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). À frente da Inovatec Consultores Associados, atua na introdução de novas tecnologias e com projetos executivos de edifícios. Ministra palestras e cursos no país e no exterior. Em entrevista, Medeiros fala sobre a aplicação do light steel framing na fachada de edifícios comerciais e residenciais e sobre o mercado para esta tecnologia no Brasil.

AA – Embora seja amplamente difundido nos Estados Unidos e na Europa, o uso do light steel framing na construção civil ainda está caminhando no Brasil. Qual é o atual cenário do sistema por aqui?

Jonas Silvestre Medeiros – Nos Estados Unidos, o mercado é dividido entre o light steel framing e o wood frame. Já na Europa, a preferência depende do país. O uso mais extensivo que tenho observado para o light steel framing tem sido no Japão, onde aprofundei o meu conhecimento sobre o sistema. No Brasil, a experiência da minha empresa, a Inovatec, é projetar fachadas em light steel framing. Há possibilidades reais de crescimento rápido desse mercado, mas um trabalho institucional ainda precisa ser feito.

AA – Quais as vantagens do light steel framing em relação a outros métodos construtivos?

JSM – Trata-se de uma tecnologia versátil, capaz de atender a diferentes níveis de desempenho estrutural e de conforto. Com a chapa de aço galvanizada, pode-se produzir perfis com maquinário simples e de pequeno porte. A combinação de perfis leves de aço permite compor arranjos para solucionar estruturas verticais, vencer vãos extensos, estruturar lajes, coberturas e fachadas. Cada vez mais temos placas pré-fabricadas que se combinam aos perfis e permitem a construção de paredes customizadas. No exterior, há placas já acabadas que dispensam revestimentos aplicados em obra, e isso é uma tendência que ainda vai chegar aqui, ampliando as vantagens do sistema.

AA – Isso pode tornar o método construtivo mais competitivo no Brasil?

JSM – Quando falamos da vedação de fachadas, o custo direto do sistema fica acima da alvenaria, mas abaixo dos pré-moldados de concreto, fato que torna o mesmo mais atrativo. Para competir com os painéis de concreto, evitando uma montagem com acesso externo, pode-se projetar a obra com paredes inteiras prontas e montá-las com o auxílio de guindastes. A solução leve reduz a necessidade de fundações e, ainda, consome menos energia nas fases de produção e montagem.

AA – O light steel framing aplicado em fachadas é diferente do sistema usado no interior das edificações?

Residencial Wind, Barra da Tijuca, RJ

Com quatro torres de sete pavimentos, o edifício residencial teve suas fachadas executadas em light steel framing. A escolha pelo sistema foi motivada pela dificuldade de se contratar mão de obra de alvenaria na época da construção do empreendimento e, também, pela necessidade de se reduzir o prazo da obra sem onerar o seu custo.

JSM – Tanto as paredes internas como as externas têm funções similares. As diferenças ficam por conta das maiores solicitações e exigências de desempenho das paredes externas. Quando especificadas para compor a estrutura principal de edificações, as paredes de light steel framing têm a função de suportar tanto a carga de outras paredes como a reação das lajes, além do carregamento devido ao vento. Contudo, quando existe uma estrutura principal de aço ou de concreto armado, o light steel framing passa a ter função apenas de vedação vertical, sendo dimensionado para cargas acidentais, como impacto e vento.

AA – O light steel framing usado em fachadas é indicado para quais situações?

JSM – É uma solução muito interessante para todos os tipos de edifício, especialmente para aqueles que precisam ser executados em curto prazo. O sistema também é adequado para os projetos orientados para receber cargas mais amenas em suas estruturas e fundações. A solução construtiva a seco e industrializada costuma ser mais eficiente neste caso do que a alvenaria convencional.

AA – Quais materiais são, atualmente, os mais apropriados para realizar o fechamento das fachadas em light steel framing? Existe alguma tecnologia recente que traga mais eficiência para as instalações?

BK30 Alto da Boa Vista, SP

Prestes a ser entregue, o empreendimento residencial da BKO, localizado no bairro de Santo Amaro, na capital paulista, teve sua fachada executada em light steel framing com projeto da Inovatec.

JSM – São as placas cimentícias. A diferença é que em alguns países já se pode contar com placas acabadas e painéis pré-fabricados com light steel framing, que otimizam a execução das obras, evitando a aplicação manual e lenta das capas de argamassa poliméricas, chamadas de base coat. Existem, em outros países, painéis metálicos e autoclavados decorados, com vários tipos de acabamentos. No Japão, há ainda a possibilidade de aplicação de placas cerâmicas, com adesivo especial. Mas precisamos aguardar a chegada de tais opções no mercado nacional.

AA – É possível usar o light steel framing em construções acima de cinco pavimentos?

JSM – Em fachadas, não há limitação para a altura quando o dimensionamento do light steel framing é feito de modo adequado, considerando o carregamento em função do vento. Já projetamos fachadas em light steel framing em edifícios com 26 pavimentos e com vento de alta velocidade. Quando pensamos no light steel framing para atender aos requisitos estruturais é de se esperar que o uso de outros perfis não tão leves, ou mesmo uma estrutura mista em aço e concreto, acabe sendo mais econômica para edifícios com mais pavimentos.

AA – O senhor atuou nos projetos de edifícios como o Wind, no Rio de Janeiro, o BK30 Alto da Boa Vista, em São Paulo, e o Novotel Aeroporto, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nestas obras, onde o LSF foi utilizado e quais os maiores desafios?

JSM – O light steel framing foi usado nas fachadas. No Wind, que tem quatro torres de sete pavimentos, o sistema foi usado em função da dificuldade de se contratar mão de obra de alvenaria. Também tínhamos a meta de reduzir o prazo da obra sem onerar o custo, e por isso optamos pelo sistema combinado com o drywall. Já no BK 30, a exigência do cliente por pilares aparentes para compor a arquitetura nos levou a desenvolver detalhes próprios. Os projetos, com exceção do hotel, não possuem nenhuma alvenaria e esse talvez tenha sido o maior desafio. As estruturas principais eram em aço, concreto armado ou mistas. Também participei de um projeto no empreendimento Jardim das Perdizes, da Tecnisa, em São Paulo. O edifício tem 26 andares.

AA – Alguns profissionais resistem a utilizar esse sistema, geralmente por julgar que o light steel framing seja mais “frágil” do que outros métodos construtivos, ou mais caro. Como o senhor avalia esta situação?

Ed. Time, Jardim das Perdizes, Barra Funda, SP

No empreendimento multiuso da Tecnisa, com 26 andares, as vedações foram feitas em alvenaria, mas as fachadas foram estruturadas em light steel framing. A obra, que ainda está em construção na zona oeste de São Paulo, tem fechamentos externos em placas cimentícias.

JSM – Isso vem de puro desconhecimento. Na verdade, o light steel framing é um sistema leve a seco, como o drywall. Como culturalmente estamos acostumados com soluções pesadas e úmidas como a alvenaria, é normal que haja a sensação que uma solução leve seja mais frágil. Mas os materiais e componentes do light steel framing podem ser combinados para permitir, inclusive, maior rigidez e resistência do que a alvenaria, exatamente o contrário do que é pensado. Com relação ao custo, quando se compara apenas o valor por metro quadrado de parede, sem revestimento, o LSF pode ser mais oneroso. Contudo, se os revestimentos finais são apropriados no cálculo a diferença cai substancialmente. Se considerar outros custos indiretos, como redução no transporte em obra, geração e destinação de resíduos, consumo de água, energia e redução do prazo de execução, em grande parte dos casos o light steel framing leva vantagem. Um estudo recente da Inovatec mostrou uma diferença de mais de 3% do custo global da obra a favor do sistema leve a seco.

AA – O light steel framing é tão resistente quanto outros sistemas?

JSM – Sim. Já existem modelos estruturais teóricos e até ensaios em escala natural para demonstrar isso. É importante lembrar que não devemos confundir resistência com capacidade estrutural. Em países sujeitos a terremotos e outros fenômenos da natureza, como furacões, por exemplo, as paredes de alvenaria não podem ser usadas, como no Japão. A construção de aço, leve ou não, quando projetada adequadamente é absolutamente segura.

AA – Quais outros fatores acabam atrapalhando a difusão do sistema no Brasil?

JSM – Para mim, o termo chave é educação. É preciso capacitar as pessoas e divulgar o conhecimento tecnológico sobre o uso do aço na construção e as muitas vantagens do light steel framing sobre as soluções úmidas. É necessário desenvolver novas normas, avaliar os sistemas construtivos com base na norma de desempenho e demonstrar como o projeto e a execução adequada podem proporcionar bons resultados.

AA – Já existe alguma norma nacional para o light steel framing?

JSM – Temos as normas de desempenho e as de estrutura de aço, que nos fornecem muitos parâmetros. Gosto em particular da NBR 14.762, que trata do dimensionamento dos perfis leves formados a frio. Faltam estudos comparativos e metodologias que nos permitam definir a viabilidade de obras com o sistema. Só assim os profissionais acreditarão que construir com o light steel framing é mais vantajoso de fato. É nisso que estamos trabalhando hoje. (E.Q.)

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