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Uma nova visão para a comunidade

25/09/2020 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço

A construção em aço pode colaborar com o processo de revitalização da favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade de São Paulo. Esta é a visão do professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faap (Faculdade Armando Alvares Penteado), Eduardo Pereira Guarin.

Ele é responsável pelos projetos dos alunos do 5º semestre, que buscam ideias para criar maneiras de melhorar a paisagem e a vivência na comunidade, que cresceu de forma desordenada, com mais de 100 mil habitantes e 21 mil domicílios atualmente. “Pensamos na utilização da estrutura em aço quase que de imediato pela questão da rapidez, mas, principalmente, pela produção em escala e possíveis repetições”, conta.

Os alunos da Faap aproveitaram o contexto de integração entre algumas disciplinas do curso: projeto de arquitetura, projeto de urbanismo, fundações e estruturas em aço, segundo o professor Guarin. “Dessa maneira, discutimos desde o território até os detalhes construtivos, incluindo áreas precárias, tendo como objeto de estudo a comunidade de Paraisópolis”.

Ilustração: FAAP

O professor contou para a Revista Arquitetura & Aço que os alunos incluíram na discussão alguns programas relacionados ao contexto da pandemia, como habitação emergencial, equipamentos de coleta e distribuição de doações, pontos de informação sobre o novo coronavírus, pavilhões de higienização e, até mesmo, hospitais de campanha.

“O sistema construtivo em aço entra como uma possibilidade muito potente, em vários destes aspectos, pois atende diferentes escalas e portes estruturais”, avalia Guarin. “O foco que tentamos passar aos nossos alunos, em relação ao sistema construtivo, são as características individuais de cada sistema, para que eles possam ter repertório na tomada de decisão do melhor caminho”.

Em termos de liberdade de criação, a construção industrializada em aço oferece muitas possibilidades aos futuros arquitetos. “Como estamos preocupados em passar para os alunos os fundamentos da construção em aço, eles mesmos vão percebendo as possibilidades criativas e os limites deste sistema construtivo”, diz. “É muito evidente a percepção dos alunos em relação às possibilidades, principalmente, quando utilizam modelos tridimensionais, sejam físicos ou virtuais, durante o desenvolvimento do projeto”.

Um dos trabalhos desenvolvidos tinha como tema a construção de edifícios habitacionais de caráter emergencial, segundo o professor. “Desta maneira, a construção em aço, rápida e seca, aparece como uma alternativa significativa”, explica. “Os alunos tiveram a oportunidade de se aproximar de temas relacionados à industrialização, repetição e otimização das peças. E até mesmo discussões relacionadas a detalhes construtivos e a linguagem da construção utilizando este tipo de tecnologia. Tudo isso pensando nos prazos exíguos e também na otimização e montagem”.

Aliás, várias soluções são abordadas durante a realização dos projetos. “A topografia do local surge como o maior desafio, podemos ver nas imagens como os alunos encaram este problema, e como a estrutura em aço vai sendo requisitada, assim como outras técnicas que ajudam na transformação do terreno em si”, avalia Guarin.

O professor também aponta a questão da modulação nas diferentes escalas da construção civil. “Nos hospitais de campanha, por exemplo, existe a necessidade de uma estrutura em aço, com vãos maiores, por conta da cobertura principal e, posteriormente, temos as divisórias dos ambientes também tratadas neste sistema construtivo”, explica. “O que dá ao aluno a experiência de aplicar os sistemas construtivos em aço em escalas distintas”.

Ilustração: FAAP

Nas habitações emergenciais, é possível notar a modulação relacionada diretamente aos apartamentos para aplicarmos o sistema construtivo. “E, para cada caso, suas especificidades e pormenores”, comenta Guarin.

A comunidade de Paraisópolis foi escolhida, segundo o professor, por ter algumas peculiaridades. “A primeira tem a ver com a organização social, que possui uma presença forte e ativa de líderes comunitários e ONGs”, explica. “Desta maneira, conseguimos estabelecer um diálogo mais direto com a população local. Através de conversas e visitas guiadas, pensamos juntos nas demandas possíveis para trabalharmos”.

Os alunos da Faap planejam melhorar a paisagem e a vida das pessoas de Paraisópolis, mantendo as vantagens do local, como o senso da comunidade, a proximidade entre residência, comércio e trabalho, muitas vezes na mesma construção, enquanto tentam deixar as casas mais arejadas, iluminadas e espaçosas. Como conta o professor Guarin, várias propostas são para centros culturais, esportivos, hospitais e espaços multiuso.
 

O professor Guarin acredita que é de “extrema necessidade” aproximar os futuros arquitetos e urbanistas desse tipo de assentamento. “Das dificuldades conhecidas, como infraestrutura, saneamento, ambientes insalubres etc., essa comunidade possui uma riqueza espacial e de relações de vizinhança que devemos dar atenção”, finaliza.

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