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26/09/2019 | Notícia | ARCOweb

Estabelecida no Brasil em 1942, em Campinas (SP), a WestRock - denominação posterior a 2015, quando ocorreu a fusão entre duas empresas - é uma multinacional de origem norte-americana que fabrica papel e embalagens de papelão ondulado. Opera, além da matriz campineira, com cinco fábricas no país: duas em Santa Catarina, uma no Ceará e duas em São Paulo.

A recém-concluída unidade de Porto Feliz, cidade pertencente à Região Metropolitana de Sorocaba (SP), teve projeto arquitetônico desenvolvido pelo escritório LoebCapote. Os arquitetos determinaram inicialmente a distribuição dos edifícios satélites a partir do estudo da planta fabril previamente delineada pelo cliente.

O terreno, embora de fácil acesso - próximo à entrada da cidade de Porto Feliz a partir da rodovia Castelo Branco -, é o único do entorno imediato a estar ocupado, o que significava, em termos de programa, que o projeto deveria considerar a imersão do funcionário na fábrica durante a jornada de trabalho.

Trata-se de uma arquitetura bastante austera, sobretudo por causa das grandes dimensões (74,5 mil metros quadrados de área construída). Pesa, nesse aspecto, a modelação da fábrica em volume único, um bloco retangular com 170 por 350 metros de lado onde são desempenhadas as tarefas de transformação do papel em papelão ondulado e da sua utilização na confecção de embalagens de inúmeras tipologias.

É grande o calor gerado pelas máquinas em funcionamento no interior do espaço, de modo que mecanismos de ventilação natural estão contemplados no projeto. Entre eles, em meio aos 14,50 metros de altura das fachadas, há uma faixa de venezianas contínuas.

A construção do bloco fabril foi realizada pelo sistema tilt-up, em que grandes painéis de concreto são produzidos no chão do canteiro de obras, já com todas as aberturas de portas e janelas executadas, e posteriormente alçados com gruas. A cobertura é metálica e os pilares e vigas são de concreto, com vãos estruturais de 25 por 20 metros e de 25 por 40 metros. Em torno da fábrica estão dispostos os demais edifícios do programa, ora com acesso à produção ora deslocados.

É grande o afluxo de caminhões e veículos, o que fez com que se destinasse uma grande parte da frente do terreno para estacionamento e espera, isolados da fábrica. Uma longa marquise, com 50 metros de comprimento, funciona então como a entrada da fábrica após vencidos os procedimentos da portaria, desembocando em um espaço coberto e com aspecto de grande varanda que concentra todos os acessos internos.

O pedido do contratante foi para que os funcionários se encontrassem - são cerca de 1 mil trabalhadores - ao menos nas suas chegadas e saídas cotidianas da fábrica, em vez de setorizar desde o acesso os fluxos dos departamentos.

Esse ambiente de transição tem planta quadrada com 18 metros de lado, sendo que a sua cobertura com borda inclinada possui vértices vazados, salientando‑se quatro abas retangulares a sombrearem externamente o volume. Elas avançam 3 metros para fora dos pilares retangulares metálicos, nos quais estão fixadas as fachadas feitas com tripla camada: painel de gesso na face interna, isolamento com lã de rocha no miolo e painel de alumínio composto na face externa, cujo acabamento lembra a aparência do papel. Junto ao chão há portas de correr de vidro, recuadas com distância suficiente para dissimular a sua presença.

O espaço é uma das extremidades de um bloco rotacionando em relação à fábrica - há um jardim interno entre ambos - onde há também salas de reunião, o restaurante e salas de treinamento. A ele conectado existe um outro bloco, adjacente à fábrica, que acomoda o escritório, laboratório e desenvolvimento de produto; e, por fim, o ambiente possui ainda duas passagens para a fábrica: uma porta e a escada que encaminha para a passarela que permite a visualização da produção sem interferir no seu funcionamento.

Nas periferias de ambos os blocos, interligados entre si, há corredores protegidos termicamente na face externa através de elementos vazados quadrados e, internamente em um deles, marcado pelo ritmo das aberturas circulares que permitem entrever os ambientes de trabalho e o interior da fábrica. Pragmatismo e bem‑estar na arquitetura de LoebCapote.

Ficha Técnica

West Rock
Local Porto Feliz (SP)
Área do terreno 240.000 m²
Área construída 74.500 m²
Início do projeto 2017
Conclusão da obra 2019
Arquitetura e interiores LoebCapote Arquitetura e Urbanismo - Roberto Loeb e Luis Capote (autores); Damiano Leite e Chantal Longo (arquitetos associados); Nicola Pugliese, Francisco Cassimiro, Mariana Zazulla, Bruna Ferramenta, Leila Sayuri, Tatiane de Paula
Estrutura Estrutural Engenharia
Metálica Medabil Sistemas Construtivos
Instalações Fibra Engenharia de Instalações
Drenagem, terraplenagem e pavimentação Monobeton Soluções Tecnológicas
Luminotécnica Senzi Lighting
Ar condicionado Thermotécnica
Cozinha Sodexo
Gerenciamento da obra Progen
Construção DIASE Construtora
Fotos Leonardo Finotti

Fornecedores

Operis Design (mobiliário)
Art Wood (marcenaria)
Ace Revestimentos (piso vinílico)
TBLima (impermeabilização)
Empreiteira Udis (revestimentos de pisos e paredes)
Serviobras (pavimentos externos)
Thermotécnica (climatização)
Medabil (cobertura metálica) 

Veja a matéria na íntegra.

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