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O renascimento das cidades

08/10/2020 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço

Já existem debates e movimentos em diversas partes do mundo para a reinvenção dos espaços e dos centros urbanos.
Depois do surto pandêmico, os hábitos e comportamentos mudaram rapidamente, provocando novas formas de viver, de pensar, de agir e de interagir. Assim, é fundamental discutir agora uma revisão do planejamento das cidades, com o surgimento de novas formas de trabalho, de moradia, de lazer e de circulação.

Neste processo de transformação urbana, a construção em aço terá um papel fundamental na remodelagem e no processo de revitalização dos sítios públicos e das construções já existentes.

Primeiro, é essencial destacar as premissas causadas pela telemedicina, pelo ensino à distância, pelo trabalho home office, pelo entretenimento digital, pelas compras on-line, exemplos de praticidade, de isolamento social, de segurança e de saúde, que mudam rapidamente os hábitos dos moradores das cidades, diminuem o trânsito e a poluição, além de causar o fechamento de várias lojas, restaurantes e escritórios nas regiões centrais.

“Diria até que uma ‘pequena revolução’ ou ‘renascimento’ poderá ocorrer nos espaços públicos, intensificando o que já vinha ocorrendo em pontos isolados de nossas cidades”, avalia o professor Bruno Padovano, ex-coordenador científico do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (NUTAU/USP). “O tema será muito mais importante daqui em diante, exigindo a participação dos técnicos e da população a ser beneficiada, com vistas, inclusive, à contenção mais eficiente de surtos epidêmicos no futuro”.

Seguindo o raciocínio, vale insistir em reduzir as distâncias entre atividades urbanas distintas. “Por exemplo, morar e trabalhar”, destaca. “Também é fundamental garantir boas ventilação e iluminação aos edifícios, novos e existentes, que poderão sofrer adequações para futuras demandas e novos usos. Devemos apostar em mais vegetação para as cidades, por razões sanitárias, evitando as ilhas de calor e ajudando a reduzir a poluição”.

É possível pensar, a partir de agora, que os centros urbanos passarão a ter maior ocupação mista, residencial e comercial. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, escritórios e grandes empresas estão “encolhendo” e muitas serão substituídas por locais de trabalho compartilhados. No lugar de algumas salas comerciais, devem surgir novas residências. O fato não é uma exclusividade carioca, mas uma tendência que já está acontecendo em diversos locais.

“Edifícios comerciais que, porventura, venham a ser transformados em imóveis residenciais, ou mesmo imóveis residenciais de múltiplos andares, podem ter, por exemplo, varandas de aço acopladas à edificação original”, analisa Ascanio Merrighi, diretor executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) e diretor executivo da Soluções Usiminas.

“E esta é apenas uma das aplicações que podem transformar e requalificar uma edificação existente. Podemos falar em várias outras, como mezaninos e circulações verticais, que podem também ser acrescentados e mudam completamente a forma de uso de uma edificação”, completa.

Os espaços e os serviços públicos, ainda segundo Merrighi, são frequentemente enriquecidos com equipamentos fabricados em aço.

“Desde bancas de revistas e pontos de ônibus a mobiliários urbanos diversos, como bancos, postes de iluminação, brinquedos, equipamentos para exercícios físicos, estações de coletas seletivas de resíduos ou mesmo cestas de lixo urbano”, destaca. “Há uma infinidade de soluções e equipamentos que podem ser desenvolvidos para, inclusive, ampliar receitas e dinamizar a vida das cidades por suas administrações públicas”.

O professor do Centro de Tecnologia, Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Geovany Silva, ressalta a importância do sistema de construção em aço no processo de revitalização dos espaços e dos centros urbanos no pós pandemia. “O aço é muito versátil, durável e de rápida montagem, com pouca produção de resíduo, além de ser passível de reciclagem e reuso”.

Essas vantagens, segundo Geovany, são importantes. “Além disso, o aço e seu sistema construtivo têm um ótimo diálogo com a arquitetura contemporânea e de alta tecnologia”, ressalta o professor da UFPB. “Cabe aos arquitetos e urbanistas, juntamente com engenheiros e construtores, investir nessa inovação projetual, inclusive, na intervenção e reabilitação de centros urbanos.

E, se agora, durante a pandemia, a construção em aço ajudou a quebrar recordes nos prazos de construção de hospitais, no pós Covid-19 continuará a ser muito importante. “O uso do aço, provavelmente, será muito solicitado em edifícios de uso misto, com apartamentos que incluirão home offices, de forma bastante generalizada”, alerta Bruno Padovano. “Não devemos esquecer as possibilidades em obras como pontes, viadutos túneis e ciclo-passarelas, por exemplo”.

Um dos grandes especialistas do Brasil em arquitetura e urbanismo, Bruno diz que conectar melhor as cidades para pedestres e ciclistas, especialmente, deverá apresentar oportunidades muito interessantes para a aplicação da construção em aço, com tamanha eficiência para solicitações estruturais em tensionamento, no pós pandemia.

Para Ascanio Merrighi, do CBCA, há muito mesmo o que explorar, diversificar e desenvolver em ambientes públicos e privados, no sentido de adequar as novas necessidades de um mundo que foi permanentemente afetado por tudo que estamos vivendo.

“Aprendemos que não precisamos mais de tantos deslocamentos, aprendemos que a qualidade do nosso espaço privado é mais importante do que imaginávamos ou demandávamos”, comenta. “Temos que nos adequar e adequar os nossos espaços a esta nova realidade. O aço e as soluções com estruturas de aço podem servir adequadamente a estes propósitos, tanto em prazo como em qualidade estrutural e estética”.

Surge ainda uma grande reflexão: “O renascimento das cidades deverá ser pela ótica da saúde?”.

“Não só da saúde, mas da segurança pública e privada, especialmente”, afirma Bruno Padovano. “Haverá uma valorização dos preceitos higienistas da arquitetura e urbanismo modernistas, que devem ser pensados, caso a caso, incorporando também as tecnologias avançadas atuais. Precisamos pensar grande. Além das “cidades” como entidades separadas, e mais em “redes de cidades” conectadas, com vocações e com atividades complementares”.

Uma coisa é certa: com a Covid-19, a reorganização dos espaços urbanos tornou-se mais do que necessária. Por isso, neste momento, arquitetos e urbanistas estão repensando tudo, desde as regras de zoneamento, manejo de resíduos e
design de espaços públicos com a utilização da construção em aço e de todos os seus benefícios.

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