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Fachadas históricas, uso contemporâneo

19/12/2019 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço

No centro do Rio de Janeiro, aço permite transformar sobrados históricos em modernos espaços comerciais

A estrutura metálica isolou a fachada durante a obra, dando mais liberdade para o trabalho de restauro

As pequenas dimensões das peças estruturais em aço permitiram uso otimizado dos espaços e plantas flexíveis

Retrofit de edifícios históricos normalmente envolve a superação de uma série de desafios, seja em função do estado de conservação das construções existentes, seja pela necessidade de preservar e adaptar as estruturas às novas demandas dos usuários.

Não foi diferente durante a revitalização de um conjunto de sobrados contíguos na Rua Miguel Couto, no centro da capital fluminense. Nesse caso, o objetivo era converter as edificações de estilo arquitetônico típico do final do século XIX e começo do século XX em um empreendimento com quatro lojas e sete salas comerciais. Também era preciso ampliar a área útil e preservar as fachadas de alto valor histórico. Tudo isso sem causar impactos na estrutura existente e no entorno, sobretudo na vizinha igreja matriz de Santa Rita, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Para viabilizar o projeto, foram combinadas técnicas de construção e de restauro. A mais impactante delas foi a utilização da estrutura em aço, que atuou como redutor de esforços físicos incidentes nas fachadas.

Autores do projeto de retrofit, os arquitetos Celso Rayol e Fernando Costa, do Cité Arquitetura, contam que a estrutura metálica permitiu isolar as fachadas da estrutura, o que trouxe ganhos em duas frentes. Em primeiro lugar, a medida garantiu maior liberdade para a recuperação das fachadas, submetidas a um processo de restauro minucioso que envolveu toda a parte de ferro e cantaria. A construção de uma estrutura independente também facilitou as intervenções no interior da edificação, incluindo a implementação de halls de acesso para as circulações verticais e a construção de um mezanino.

As estruturas metálicas se conectam com a fachada apenas por um rebaixo da laje na nova estrutura. “Mantivemos um trecho de aproximadamente 3 m das alvenarias originais perpendiculares à fachada e fizemos uma ligação com ela utilizando chapas metálicas e chumbadores. Concluída a montagem da nova estrutura interna em aço, executamos as ligações por solda”, revela o engenheiro Cândido Magalhães, responsável pelo projeto estrutural.

Harmonia nos contrastes

A revitalização concebida pelos arquitetos do Cité procurou valorizar a estética dos materiais, contrapondo, sempre que possível, o novo e o antigo. Nesse sentido, a estética do aço estabeleceu um contraste interessante com as formas clássicas da fachada e com a rusticidade dos materiais preexistentes.

De acordo com Magalhães, a estrutura metálica agregou, ainda, outros benefícios para a intervenção. “O aço permitiu que usássemos vigas menores, resultando em uma arquitetura mais elegante”, comenta o engenheiro. Ele lembra que o material também foi importante para viabilizar a escavação de um novo pavimento de subsolo, onde antes ficavam os antigos baldrames, sem danificar as fachadas originais da edificação.

O conjunto de sobrados na Miguel Couto recebeu novas fundações em aço, capazes de suportar as cargas da edificação. Os baldrames originais, contudo, foram parcialmente mantidos e adquiriram um novo status, ora apoiados em pilares de aço, ora acondicionados em invólucros no piso e expostos como fragmentos do passado. Uma parte desmontada dos baldrames foi reaproveitada, ainda, para compor novas paredes alocadas estrategicamente para adicionar uma textura nova e, mais uma vez, remeter ao passado.

No canteiro de espaços restritos, a estrutura em aço colaborou para prover uma obra mais limpa e íntegra, com menos vibrações no entorno. No entanto, exigiu um esforço logístico das equipes, principalmente em função da pequena dimensão dos vãos para a passagem de pilares e vigas. “Em alguns momentos, foi necessário particionar as estruturas para conseguir colocar todos os elementos no canteiro”, revelam os arquitetos.

Conjunto ampliado

O projeto realizado no centro do Rio permitiu que o conjunto edificado passasse dos dois pavimentos de um sobrado típico para um prédio com três andares e um subsolo, com plantas flexíveis que abrem diferentes configurações de layout.

Além da preservação, o retrofit teve como uma das suas preocupações otimizar os espaços. A ideia, segundo Rayol e Costa, era obter ambientes generosos com farta luz natural e uma materialidade que traduzisse a passagem do tempo. Nesse sentido, ajudaram bastante os grandes vãos das esquadrias, que favorecem a entrada de iluminação natural, e a construção de uma claraboia para ventilação. (J.N.)

Sobre a obra

Projeto de arquitetônico: Cité Arquitetura;
consultoria em Restauro: Quorum Rio
Área construída: 3.660,06 m²
Aço empregado: perfis laminados ASTM A572 GR50
Volume de aço: 230 t
Projeto estrutural: Abilitá Projetos Estruturais
Fornecimento da estrutura de aço: Campanha de Moraes
Engenharia
Execução da obra: Campanha de Moraes
Local: Rio de Janeiro, RJ
Conclusão da obra: 2018

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