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Permeabilidade e leveza nas fachadas metálicas perfuradas

04/09/2020 | Notícia | ArchDaily
Colegio Alianza Francesa Jean Mermoz

Colegio Alianza Francesa Jean Mermoz / Guillermo Hevia García + Nicolás Urzúa Soler. Image © Nico Saieh

O escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro (DS+R) chamou atenção mundial em 2002 com o Blur Building, para a Expo Suíça daquele ano. O volume era formado através de 35.000 bicos de alta pressão que expeliam a água do lago sobre o qual se localizava, criando uma enorme nuvem artificial. Sua forma, limites, cores e translucidez se alteravam com o sol e a força do vento e produziam uma experiência imersiva aos usuários, adentrando um volume completamente permeável. Dez anos depois, Carla Juaçaba e Bia Lessa projetaram o Humanidade2012 para a exposição Rio +20, em que diversos volumes programáticos foram dispostos em uma enorme estrutura de andaimes. Com mais vazios do que cheios, suas extremidades se desmaterializavam no céu e durante a noite os volumes pareciam flutuar. Segundo as arquitetas, “a própria movimentação das pessoas no edifício transformava os visitantes em objetos de exposição visto de longe.” Os dois projetos temporários, mesmo com diferenças de escala e contexto, se unem no êxito ao trabalhar com as noções de translucidez, leveza, dissolução de limites e o movimento.

No livro Dentro do Nevoeiro [1], Guilherme Wisnik aborda sobre como a névoa é uma boa metáfora para representar os tempos atuais, o que também se revela nas obras contemporâneas de arquitetura e arte. Em uma época em que as armas das guerras e muitos dos inimigos são invisíveis, nossos arquivos e documentos são armazenados em nuvens, a poluição atmosférica muda a cor do céu em algumas cidades e muitas verdades cristalizadas têm se desvanecido, obras como a do artista Olafur Eliasson e dos japoneses do SANAA refletem esse sentimento. No lugar das certezas, o otimismo e a busca de transparência do Estilo Internacional no Período Moderno, observamos uma opção pelo enevoamento das formas e de superfícies mais difusas.

Não por acaso, a translucidez nas fachadas vem ganhando espaço na arquitetura contemporânea. A ideia de uma pele exterior que filtra parte dos raios solares, mas permite a entrada da luz natural; que cria uma continuidade visual à fachada conformando volumes puros mas que à noite se revela como uma grande lanterna, animado pelas luzes e pelo movimento do interior, agrada estética e funcionalmente a muitos arquitetos. Vidros translúcidos e policarbonato são comumente utilizados para esse efeito. Mas revestimentos metálicos perfurados também proporcionam a leveza visual e estrutural buscada em diversas propostas arquitetônicas. Com a tecnologia de cortes a laser na fabricação de painéis metálicos, é possível especificar desde padrões regulares até desenhos complexos. Estes revestimentos podem criar camadas externas à edificação, através de painéis leves e com instalação fácil e rápida.

Por exemplo, no projeto para um Estacionamento em Montevidéu, o escritório MAPA Arquitetos utiliza um revestimento metálico com micro-perfurações para criar uma continuidade visual à fachada, envelopando o programa da edificação e toda a sua estrutura e instalações. Os painéis Single Skin Softwave foram utilizados na horizontal, fixados em montantes verticais. Segundo os arquitetos, “a ordem diagramática e a simplicidade construtiva criam um prisma abstrato com uma fachada homogênea e translúcida. Um objeto compacto e regular que contrasta com a geometria irregular das instalações, onde é implantada a oportunidade de construir um novo espaço público para a cidade.”

No caso do projeto da Sede CAF Región Sur, de LAPS Arquitectos, um programa complexo, com usos públicos e privados, é unificado através de uma pele leve metálica, que abrange todo o perímetro da construção. Neste caso, o produto utilizado é uma malha metálicachamada Mallas GKD. Elas são constituídas por uma estrutura têxtil flexível e dúctil, resistente e robusta e adequadas para cobrir edifícios, paredes e tetos. As malhas têm diferentes porcentagens de área aberta, o que permite uma visão interna e externa. “Usando um único dispositivo arquitetônico, como uma "capa velada" que envolve os volumes construídos, é obtida uma imagem unitária, garantindo proteção solar e uma imagem singular em frente aos prédios administrativos da área. Essa ideia é materializada com uma malha de aço inoxidável que circunda todo o edifício, matizando a relação com o ambiente.”

Combinar outras texturas, cores e padrões de perfuração pode funcionar bem também, dependendo do objetivo. No caso deste projeto residencial, o aço Corten foi usado como protagonista: placas cegas e microperfuradas foram combinadas, resultando em um jogo de transparência e opacidade, que abrange muros, fachada e portas. O jogo entre painéis perfurados e sólidos cria um padrão dinâmico à fachada. Isso é feito com o Painel Miniwave, com uma geometria baseada em linhas onduladas, instalados com um sistema de conexão bastante simples, de encaixe.

Para o projeto de uma capela na cidade chilena de Totihue, no lugar da antiga estrutura destruída por um terremoto, os arquitetos do escritório Gonzalo Mardones Viviani optaram por seguir o mesmo volume, mas com a utilização de materiais contemporâneos e leves. Os painéis Quadrolines, ora perfurados, ora sólidos, conformam uma unidade que ao mesmo tempo respeita e se impõe como marco no entorno.

No caso do Colegio Alianza Francesa Jean Mermoz, de Guillermo Hevia García e Nicolás Urzúa Soler, os painéis metálicos conformam uma segunda pele que permite a entrada de luz e ar, mas evita as distrações das áreas coletivas da escola. Nesse caso, o produto utilizado foi o Painel CD, com um padrão de perfurações irregular, que cria um movimento na fachada, tanto do interior como pelo exterior. Uma solução parecida foi utilizada no projeto para o Centro del Patrimonio Inmobiliario, de Victor Marquez. Uma fachada cega de aço corten durante o dia revela-se permeável quando as luzes se acendem, conferindo total privacidade e discrição, mas animando o entorno no período noturno. Os painéis Single Skin Uveline proporcionam esse efeito. Outras opções nessa mesma linha de produtos são o Geoclad, Multipanel e 84R.

Se a ideia é dar mais destaque aos painéis da fachada, também há opções interessantes. Por exemplo, o Estudio Larrain utilizou o ScreenPanel XL para conformar um padrão marcante à fachada de um hotel, com um padrão orgânico de perfurações. Já no projeto APRO, de Juan Purcell Arquitectos, um enorme painel metálico (StripScreen da Hunter Douglas), representa a imagem de “El Minero”, o personagem da área, que possibilita a existência da cidade, e que é evidenciada quando as luzes internas são ligadas.

Já neste pavilhão temporário em Santiago, o painel escolhido, Metal Screen, altamente permeável, ia ao encontro da ideia do pavilhão de marcar um momento de mudança antes de entrar na feira e depois voltar para se despedir. O projeto trabalhou com luzes e sombras e a cor vermelha, complementar ao verde predominante no parque.

Já no projeto de Felipe Assadi e Francisca Pulido para uma habitação de interesse social em Santiago, os painéis vão de uma das fachadas e dobram-se para a cobertura. Estes são feitos em um padrão trançado, com peças perfuradas e sólidas, que cria um padrão extremamente dinâmico e marcante à empena.

Tal qual um véu, que ao mesmo tempo que revela ocultando, oculta revelando, essa dubiedade da translucidez é o que torna as fachadas de painéis perfurados uma opção tão interessante e cada vez mais procurada pelos arquitetos. Sua leveza estrutural e visual permitem conformar volumes que mudam de acordo com o ponto de vista e a hora do dia. Também possibilita unir volumes ou borrar os limites entre cheios e vazios. Como mostrado, há uma diversidade enorme de usos possíveis para os painéis metálicos perfurados. Conheça mais possibilidades e especificações nesse catálogo.

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