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22/08/2019 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 53

Clássico de Lelé, unidade da Rede Sarah em Macapá conta com espaços modulares e cobertura em sheds metálicos que ajudam a regular a temperatura na edificação

Projeto marcado por leveza estrutural foi estruturado em aço de maneira modular para que pudesse receber futuras ampliações

O Sarah Macapá foi inaugurado em 2005 na capital amapaense com o objetivo de oferecer tratamento local não hospitalar a crianças e adolescentes com paralisia cerebral, lesão cerebral adquirida ou atraso de neurodesenvolvimento. Até sua inauguração, os pacientes tinham de viajar ao hospital de São Luís, no Maranhão. Projetado por João Filgueiras Lima, o Lelé, e construído pelo Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS), o posto avançado carrega os traços típicos dos projetos da rede, com cobertura em sheds metálicos e organização modular dos espaços.

Conforme explica a arquiteta Adriana Filgueiras Lima, filha de Lelé e parte da antiga equipe responsável pela construção da rede, a unidade de Macapá foi produzida com elementos industrializados produzidos pelo próprio CTRS. “O CTRS era uma verdadeira indústria montada por Lelé para construir esses hospitais e postos avançados. Contava com serralheria para a fabricação de elementos estruturais, produzia esquadrias e elementos mais leves para fechamentos, como brises, e também pré-moldados de argamassa armada”, conta.

A construção do posto de Macapá foi, a exemplo das outras unidades, inteiramente industrializada. O partido do projeto era garantir dois conceitos centrais, flexibilidade e extensibilidade. “Dessa maneira, tornava-se possível implantar novos setores e ampliar setores já existentes sem prejudicar o funcionamento do hospital”, completa Adriana. Outro elemento fundamental para Lelé era assegurar o conforto ambiental na edificação.

O controle da ventilação e da temperatura no prédio tem como elemento fundamental a cobertura em shed, executada em aço e com curvatura acentuada para receber o vento predominante na região. “Os fechamentos laterais também são executados em painéis metálicos vazados, que permitem a entrada de ar”, acrescenta Adriana. A circulação do ar é estimulada pela altura dos sheds, que chegam a alcançar 3 m e, por diferença de pressão, favorecem a saída do ar interno.

No que se refere à flexibilidade espacial, Lelé aplicou em Macapá o mesmo conceito de outras obras da Rede Sarah – desenhou uma circulação central que se estende por toda a unidade, funcionando como uma coluna vertebral com a qual se comunicam todos os espaços do posto. “Essa coluna vertebral permite que os diversos setores estejam ligados à totalidade, mas ao mesmo tempo funcionem de forma autônoma.”

O programa segue critérios de funcionalidade. O primeiro setor é uma área administrativa, que inclui os vestiários. A seguir, abrem-se dois grandes espaços de atendimento, uma área de avaliação e uma área de fisioterapia. Ao lado, situam-se uma entrada principal, com área de recepção e espera, e um setor de diagnóstico, com equipamentos de raios X. Por fim, surgem os setores de coleta de material para análise laboratorial, radiologia, oficina ortopédica, piscina e quadra coberta. “Tem ainda o bloco de serviço, ao longo dessa coluna central, que sedia o setor de manutenção, uma pequena lavanderia, farmácia, central de limpeza, pequeno almoxarifado, cozinha e refeitório.”

Lelé trabalhou intensivamente com aço em alguns projetos, sobretudo na Rede Sarah. “Ele adotou o metal em seus projetos finais, para a estrutura e a cobertura. Acho que o aço limita menos, no que se refere à industrialização. O aço calandrado, quando se conhece bem suas possibilidades, permite soluções muito interessantes”, explica Adriana.

A construção da unidade de Macapá exigiu, também, a instalação de uma passarela, que une o posto avançado a um campus universitário situado do lado oposto de uma via de trânsito rápido. Conforme recorda o engenheiro estrutural Roberto Vitorino, a passarela teve um projeto diferenciado, com rampa helicoidal. “É um caracol, com cobertura em espiral”, explica. Executada em aço e concreto, a passarela tem um único pilar central, no canteiro da avenida, em formato de leque, com quatro braços, para absorver as treliças. (E.C.L.)

Sobre a obra:

Projeto arquitetônico: Centro de Tecnologia da Rede Sarah/ CTRS (extinto) – Arq. João Filgueiras Lima, o Lelé
Área construída:
5.000 m²
Aço empregado:
ASTM A-242
Volume de aço:
225 t
Projeto estrutural:
Centro de Tecnologia da Rede Sarah/ CTRS (extinto) – Engenheiro Roberto Vitorino
Fornecimento da estrutura de aço:
Centro de Tecnologia da Rede Sarah/CTRS (extinto)
Execução da obra:
Centro de Tecnologia da Rede Sarah/ CTRS (extinto)
Local:
Macapá, AP
Conclusão da obra:
2004

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