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22/08/2019 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 53

Tensoestrutura garante fluidez, beleza e funcionalidade a tradicional feira em Ananindeua, no Pará

Tubos de aço e chapas metálicas com acabamento galvanizado a fogo suportam coberturas que abrigam 354 pontos de venda da feira

A feira do quatro sempre foi um importante polo comercial de Ananindeua, município na região metropolitana de Belém. Inicialmente sinônimo de comércio informal e de instalações precárias, o mercado de frutas, peixes e artesanato foi transferido para um novo local na Avenida Arterial 18 para a abrigar, de modo organizado, os 354 pontos de venda, além de espaços para administração e utilidades.

O equipamento urbano, agora batizado de Feira da Cidade, foi projetado por José Maria Coelho Bassalo e Flávio Campos do Nascimento, do escritório Meia Dois Nove Arquitetura. O trabalho teve como diretriz garantir fluidez à circulação das pessoas e acesso igualitário a todos os boxes e bancas.

Erguida com estrutura em aço e membrana de fibra de poliéster com PVC, uma grande tensoestrutura dá forma a um pavilhão com área total coberta de quase 3.200 m2. Translúcida, a membrana permite o funcionamento do pavilhão durante o dia sem iluminação artificial. Em Ananindeua, esta solução foi especificada principalmente para atender ao curto prazo de execução e à limitação de recursos. Na Feira da Cidade, a cobertura foi montada em apenas 80 dias de trabalho.

Efêmero e permanente

“A concepção da tensoestrutura que cobre a feira foi determinada por razões geométricas, construtivas e conceituais”, explicam Bassalo e Nascimento. A cobertura se baseia na justaposição de módulos hexagonais, estruturalmente independentes. Essa composição ajustou- -se à geometria triangular do lote e permitiu cobrir uma grande área sem que houvesse pontos muito elevados na membrana.

“Do ponto de vista conceitual, a escolha da membrana fundamentou-se no fato de que a história consagrou o uso de coberturas têxteis em abrigos temporários e em estabelecimentos provisórios”, dizem os arquitetos. “Ainda que o pavilhão seja uma estrutura permanente, por princípio, é um evento circunstancial, a tensoestrutura pode expressar essa efemeridade do seu caráter”, complementam Bassalo e Nascimento.

“A cobertura foi concebida com a interligação de 48 elementos hexagonais de três tipologias: cálices, umbrella e tenda cônica”, explica a engenheira Rita de Cássia Antunes Bose, da Tecno Staff, empresa responsável pela execução da cobertura. Ela conta que, ao todo, foram utilizadas 42 unidades do tipo cálice com 9,60 m de diâmetro e 5,5 m de altura, com geometria semelhante à de bumerangues. Desse total, 32 são do tipo 1, com configuração em estrutura metálica completa, e dez do tipo 2, com pilares de concreto e conformação superior em metal.

“Os espaços curvos entre as coberturas dos cálices foram cobertos com estruturas do tipo claraboias revestidas com membrana com blackout. Já os demais espaços, com membrana translúcida, que proporciona um jogo de luz e transparência na cobertura com a luz do dia”, explica Cássia.

A cobertura da Feira da Cidade empregou, também, quatro unidades de membranas do tipo umbrella e duas unidades do tipo tenda cônica, todas elas com 16 m de diâmetro.

Elementos de destaque na composição arquitetônica do projeto, as tendas têm estrutura de sustentação compostas por dez mastros monumentais em aço externos à cobertura. Além da função de proteção, as tendas são um elemento diferencial na composição arquitetônica da feira.

O conforto térmico, aspecto crítico em uma região tão quente, foi resolvido com uma combinação de soluções. Além do uso da membrana, que por si só possui bom desempenho térmico, o pavilhão é totalmente aberto em suas laterais, o que favorece a circulação do vento. Outra estratégia relevante foi a instalação de 36 exaustores eólicos nos pontos mais elevados da tensoestrutura, potencializando a renovação do ar no interior da Feira.

Sustentação em aço

Composta por tubos de aço e chapas metálicas com acabamento galvanizado a fogo, a estrutura metálica que suporta a cobertura foi dimensionada considerando-se carregamentos de vento de 108 km/h, peso próprio de 20 kgf/m² e sobrecarga de 25 kgf/m².

Em vez de cabos, o sistema de tensionamento da membrana nas bordas conta com barras de ferro redondas rosqueadas nas pontas, uma solução mais simples e econômica.

As membranas, dimensionadas para suportar uma carga de ruptura com tração de 60 kN/m, foram reforçadas com as chapas metálicas parafusadas nas bordas, garantindo sua integridade após o tensionamento.

Cássia conta que, para a instalação das membranas, foram empregados vergalhões de aço, parafusados nos troncos dos cones de interligação das peças. Na parte inferior da cobertura, as membranas dos cálices foram fixadas nos funis de captação de água pluvial. Na parte superior, os vergalhões passantes nas bolsas das membranas foram parafusados nos troncos dos cones de interligação, entre as fôrmas. (J.N.)

Sobre a obra:

Projeto arquitetônico: Meia Dois Nove Arquitetura e Consultoria
Autores:
José Maria Coelho Bassalo e Flávio Campos do Nascimento
Área construída:
3.127 m²
Aço empregado:
tubos redondos e vergalhões de aço SAE e chapas de aço ABNT NBR 7007 AR350 COR
Volume de aço:
75 t
Projeto de estruturas:
Reinaldo Jansen Silva
Projeto de tensoestrutura:
Paulo André Brasil Barroso
Membrana:
Mehler Texnologies, Serge Ferrari e Formatto
Execução da cobertura:
Tecno Staff Engenharia e Estruturas
Local:
Ananindeua, PA
Conclusão da obra:
2007

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