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Entrevista - Ilvio Silva Artioli

14/12/2010 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - ed 24 - Dezembro de 2010

“Há inúmeras vantagens na adoção da tecnologia do aço, mas a principal é o ganho de tempo para a conclusão das etapas.”

Um dos maiores especialistas em obras metroviárias do país, o arquiteto Ilvio Silva Artioli assina o projeto de inúmeras estações de metrô da cidade de São Paulo, como Luz, Chácara Klabin, Alto do Ipiranga, Santos-Imigrantes, Tamanduateí, entre outras. Nascido em Porto Alegre, Artioli se mudou para São Paulo em 1976 e formou-se arquiteto e urbanista pela Universidade de Guarulhos (UNG). Hoje, ocupa o cargo de chefe do Departamento de Concepção de Arquitetura da Companhia do Metropolitano de São Paulo, onde trabalha há mais de duas décadas. Na entrevista a seguir, Artioli fala sobre a atual expansão da malha metroviária paulistana e comenta os principais desafios e mudanças de paradigmas desta empreitada.

AA – A atual expansão da malha metroviária de São Paulo tem explicitado uma mudança profunda nos projetos arquitetônicos das estações. O que motivou este processo?

IA – A nova concepção dos projetos arquitetônicos das estações coloca em primeiro plano a relação entre o espaço a ser construído e o meio externo. Há uma necessidade premente de se construir estações que gerem o menor impacto ambiental possível – e, como impacto ambiental, entendem-se todos os efeitos ocasionados na região afetada pela obra, incluindo o volume de desapropriações necessárias, as modificações no tráfego de veículos, a depreciação ou valorização do mercado imobiliário, as possíveis transformações na rotina dos moradores e transeuntes e, ainda, a influência na qualidade de vida dos indivíduos.

AA – De que forma a arquitetura pode interferir positivamente na qualidade de vida dos usuários, funcionários e frequentadores das estações em geral?

IA – A qualidade de vida é beneficiada na medida em que as estações são projetadas para converterem-se em espaços mais agradáveis de usufruir. Isto vem sendo possibilitado com um melhor aproveitamento da iluminação natural, com uma maior permeabilidade dos ambientes, com a melhoria do conforto nos equipamentos, com a aplicação de texturas, cores e materiais diversificados... Isso tudo, claro, somado ao incremento de ações culturais e de lazer nas estações.

AA – Há uma preocupação objetiva em transformar as estações de metrô em verdadeiros centros de convivência?

IA – Nossas estações são projetadas, prioritariamente, para permitir mobilidade aos usuários de forma segura e confortável. Contudo, há a intenção de, na medida do possível, adequar os espaços das estações ao perfil de seus usuários, bem como ao seu atual estilo de vida. Este deve ser um exercício contínuo de aprimoramento do processo de projeto.

AA – Com a experiência de quem trabalha há 25 anos no Departamento de Arquitetura do Metrô de São Paulo, é possível afirmar que a arquitetura das estações reflete a arquitetura praticada na cidade em cada época?

IA – De certo modo sim, mas não completamente, uma vez que a arquitetura metroviária deve atender às especificidades técnicas dos sistemas de transporte. Mais do que a arquitetura praticada na cidade, procuramos acompanhar a tendência e a evolução arquitetônica praticadas em sistemas similares de outros países, possibilitadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias e métodos construtivos.

AA – Nas estações inauguradas recentemente, nota-se o crescente uso do aço, como em coberturas, mezaninos etc. Quais as principais vantagens práticas da adoção desta tecnologia?

IA – O aço sempre foi material-base em nossos processos construtivos, notada mente nas estruturas civis dos edifícios. Houve, ainda, um período em que adotamos fortemente o uso de coberturas em estruturas espaciais, especialmente em estações de superfície. Hoje, o que temos de novidade é a aplicação do aço também em estruturas para coberturas de poços complementadas por vedações transparentes, com o objetivo de ampliar o nível de iluminação dos ambientes subterrâneos. Há inúmeras vantagens na adoção da tecnologia do aço, mas a principal é o ganho de tempo para conclusão das etapas.

AA – Na medida em que oferecem o aumento da iluminação natural, as coberturas de vidro e aço também ajudam a economizar energia elétrica. O Metrô de São Paulo tem aumentado sua preocupação com a sustentabilidade? Que outras decisões ecologicamente corretas têm sido utilizadas?

IA – Sim, é crescente nossa preocupação com a sustentabilidade por questão de responsabilidade. E tal preocupação permeia todas as etapas dos empreendimentos, desde o projeto funcional e básico, com a busca por soluções de trajetos e métodos que gerem menor impacto ambiental e obras mais enxutas, até a fase executiva, com a especificação de equipamentos e materiais que garantam maior eficiência energética. Como exemplo dessas escolhas, podemos citar o uso de escadas rolantes inteligentes, louças e acessórios sanitários que promovem menor consumo de água, revestimentos com material-base proveniente de fontes renováveis etc.

AA – Quais são os maiores desafios das obras metroviárias atualmente no Brasil?

IA – Os sistemas metroviários diferem de acordo com o tamanho e o grau de adensamento das cidades. Por exemplo, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, cujas áreas urbanas estão densamente ocupadas e verticalizadas, o grande desafio é criar trajetos e obras com o menor nível de impacto ambiental, pois as cidades não conseguem mais absorver altos graus de interferência. Este fato termina por influenciar e determinar os métodos e características construtivas. As soluções arquitetônicas devem obrigatoriamente basear-se em eficientes relações custo/benefício e certamente o uso do aço atende a essa necessidade, agregando o diferencial da agilidade dos processos e a versatilidade de propostas arquitetônicas. (C.P.)

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