Projeto horizontal para qualificar ensino

15/06/2022 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 61

O tradicional colégio paulistano São Luís transferiu a sua sede da Avenida Paulista para a Vila Mariana, próximo ao Parque do Ibirapuera, um dos pulmões verdes da cidade de São Paulo. O projeto de arquitetura do novo espaço, com cerca de 29 mil m² de área construída, é assinado pelo escritório Athié Wohnrath.

A transformação da nova sede São Luís, que antes dispunha de edifício de múltiplos andares com ocupação densa do terreno, e passou a ter um edifício de ocupação horizontalizada, teve como objetivos a diversidade e a flexibilidade dos espaços de aprendizagem, a integração visual dos ambientes, a valorização do verde e o conforto termoacústico. Tudo foi planejado para qualificar o ensino.

O maior desafio dessa obra foi a implantação do São Luís no novo terreno, que impunha a limitação do gabarito de altura, segundo o arquiteto responsável pelo projeto, Sérgio Athié. “Ainda que o terreno tenha pouco mais de 15 mil m², o programa exigia grandes áreas”, relembra. “Só que nós tínhamos uma limitação muito grande, já que a construção não poderia ter mais do que nove metros de altura”.

De acordo com ele, a ideia então foi trabalhar com pisos em meio nível, como se fossem criados um térreo mais baixo em relação à rua e um térreo mais alto. “Isso permitiu organizar os fluxos de embarque e desembarque, deixando o Ensino Infantil, por exemplo, com uma área própria”, afirma.

Dessa maneira, as crianças menores também têm sala mais protegida, com pátio exclusivo. No térreo superior, há o embarque e desembarque do Ensino Fundamental 1 e 2, além do Ensino Médio. 

“O aço se adaptou muito bem a essa necessidade do meio nível, da construção de rampas e dos grandes vãos de cobertura, que eram necessários para o pátio”, avalia Sérgio. 

“A estrutura se ajustou aos desafios, permitindo a implantação de todo o programa, ainda que com a limitação do gabarito”.

Sérgio afirma que o sistema construtivo em aço também foi essencial para que houvesse uma distribuição interessante das salas de aula e para a criação de grandes espaços, pátios generosos, com pés-direitos amplos, biblioteca centralizada, além de auditório e uma capela. Foram usadas aproximadamente 1.200 toneladas de aço nessa obra. 

Mais que isso: “A construção em aço possibilitou uma estratégia de simultaneidade de operações como realização das fundações junto à montagem da estrutura metálica”, analisa o arquiteto.

“Dessa forma, foi possível realizar a superestrutura, a estrutura dos pisos em sub-solo e a escavação simultaneamente, justamente por conta da utilização dos sistemas construtivos em aço”.

Aliás, de acordo com o próprio Sérgio, houve ganho de tempo com o uso desses sistemas, ajudando a viabilizar a obra em torno de 12 meses. Essa era uma das premissas do projeto, já que o colégio só teve autorização de construção, aprovação do projeto na Prefeitura de São Paulo e contratação da construtora a pouco mais de um ano do início das aulas.

“Diferente de outros usos, se a escola não ficasse pronta para o início do ano letivo, só faria sentido reabrir o São Luís no meio do ano ou no ano seguinte”, avalia Sérgio. “O uso do aço foi uma decisão muito importante, já que ele assegurou uma entrega com maior agilidade e rapidez de construção, pois a estrutura metálica chegou muito rapidamente em comparação a uma estrutura convencional de concreto. Deu para acelerar a obra em, pelo menos, dois ou três meses”. O aço foi utilizado nas estruturas, na superestrutura, nas lajes e na cobertura. “As treliças metálicas que vencem os vãos da parte de ensino como os amplos vãos das áreas de esportes como quadras e piscina, sustentam a cobertura em   telhas metálicas”, confirma o arquiteto do escritório Athié Wohnrath.

A cobertura em telhas metálicas trapezoidais com isolamento termoacústico cobre cerca de 70% do edifício. “Os outros 30% foram feitos em lajes steel deck para sustentar tanto os jardins de cobertura, – como as três quadras descobertas, afirma Sérgio.

Com uma arquitetura moderna, que reflete as inovações pedagógicas da escola, a espacialidade foi desenvolvida com o conceito de que todos os ambientes, além da sala de aula, possam ser lugares de aprendizagem. E, assim, o Colégio São Luís se tornou um imenso espaço para os jovens seguirem coletivamente a jornada do conhecimento. 

Colégio São Luís

Fabricante da Estrutura Metálica: Codeme Engenharia 
Projeto Estrutura de Aço: Codeme Engenharia / Escritório Técnico César Pereira Lopes – ETCPL 
Projeto Arquitetônico / Arquiteto Responsável: Athié Wohnrath / Sérgio Athié
Execução da Obra: Construtora Fonseca Mercadante
Área Construída: 29 mil m²
Volume de Aço Empregado: 1.200 toneladas
Conclusão da Obra: 2021
Local: São Paulo, SP
 

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Fonte: Revista Arquitetura & Aço - Edição 61

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