Bastidores do 13º Concurso CBCA para estudantes de arquitetura

07/01/2021 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço

Com o tema “Solução para Cidades e Comunidades Sustentáveis, o evento foi uma oportunidade real para os futuros arquitetos e urbanistas colocarem em prática as teorias aprendidas nas salas de aula, além de uma valiosa e fundamental troca de conhecimento com os seus professores.

“Participar do concurso promovido pelo CBCA significou a realização de um desejo antigo, afinal, ele é o maior, o mais técnico e o mais concorrido concurso de arquitetura do Brasil”, avaliou Augusto Longarine, aluno da USP, participante da equipe campeã deste ano. “Conquistar a 1ª colocação é uma alegria gigantesca, afinal, marca o fechamento da faculdade e o início de um novo ciclo em nossas vidas”.A cerimônia de premiação, realizada via webinar, contou com as presenças das equipes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da

USP, que ficaram em 1º e 3º lugares, e do time da PUC de Campinas, que conquistou a segunda colocação, entre outros participantes. Também participaram do evento digital membros do CBCA e o presidente da comissão julgadora do concurso.
O professor da USP, Luciano Margotto, que dirigiu virtualmente duas equipes entre as três primeiras, destacou que leveza, precisão e rapidez de execução, entre outros, são benefícios importantes que a construção em aço oferece para cidades e comunidades sustentáveis.
“É importante lembrar também que o aço é um material 100% reciclável, podendo retornar aos fornos sob a forma de sucata e se tornar um novo aço, sem perda de qualidade”, disse. “Nesse sentido”, ainda de acordo com o professor Margotto, “o aço é um material que pode ser usado na construção sem qualquer desperdício”.

Sob outro prisma, ainda de acordo com o professor que dirigiu as equipes da USP, 1ª e 3ª colocadas, a estrutura metálica direciona a obra para o conceito de montagem, distanciando-se dos modelos convencionais, por ser pré-fabricada. “O conceito de montagem inclui necessariamente outros órgãos do edifício, tais como instalações ou fechamentos, por exemplo, que podem ser planejados de modo mais racional, como componentes modulares e, novamente, concorrer para menos desperdício no canteiro”.

O aluno Homero Zanatta, segundo colocado com o time da PUC de Campinas, disse que o sistema construtivo de aço favorece o processo criativo dos jovens arquitetos: “Por se tratar de um desenho da indústria, exageradamente, funciona como um ‘LEGO’, já que as peças respeitam um tamanho e uma proporção específica, favorecendo a concepção do desenho a partir de diferentes encaixes e linhas, permitindo a esbeltez e a leveza estrutural”, comparou.

Para Gabriel Grothge Faria, também da equipe vice-campeã do concurso do CBCA, a construção em aço é uma grande aliada da criatividade. “O sistema construtivo em aço favorece o processo criativo graças à possibilidade de criar grandes vãos com estruturas delicadas e também por permitir conexões em diversas angulações, fugindo de uma estrutura tradicionalmente ortogonal”, opinou.
Os oito alunos que foram entrevistados pela nossa equipe de reportagem pretendem utilizar a construção em aço em novos projetos (veja no link).

“O aço é um material extremamente versátil, limpo, preciso e leve”, disse Luís Felipe Sakata, primeiro lugar com a equipe da USP. “Seus benefícios superam e muito se comparado com outros materiais e, por isso, usaria tranquilamente em qualquer projeto”.
Nesta edição do concurso do CBCA, as equipes tiveram que se adaptar ao novo normal, após os impactos provocados pela pandemia. O professor Fábio Boretti Neto de Araújo, segundo colocado pela equipe da PUC Campinas, contou que o projeto precisou ser concluído com o auxílio das plataformas digitais de comunicação. “Novos tempos”, destacou. “Tivemos que nos adaptar sem perder a responsabilidade de desenhar espaços coerentes e justos”.

Durante esses encontros virtuais, acontecerem histórias curiosas. “Foi muito divertido estarmos juntos de uma nova maneira, conversando sobre os grandes exemplos da construção em aço no Brasil e no mundo”, lembrou Luciano Margotto, professor da USP. “O concurso do CBCA também nos proporcionou novas experiências, pois todos os nossos encontros de trabalho foram digitais”.

PROJETOS SEGUNDO OS PROFESSORES

1º COLOCADO
“Em linhas gerais, o projeto da equipe vencedora aborda o tema do adensamento urbano, tratando-o como indispensável para a sustentabilidade da ocupação humana no planeta. Observa com argúcia que, embora as áreas centrais das cidades apresentem relativa escassez de terrenos vazios, também é comum abrigarem oportunidades de ocupações alternativas. O argumento da proposta, então, é reaproveitar áreas ociosas – coberturas e empenas cegas, por ex. –, terrain vague, tomando-se de empréstimo o conceito de Ignasi de Solà-Morales, criando arquiteturas pontuais em estrutura metálica pela cidade, mas como um sistema passível de replicação. Essas pequenas intervenções não chegam a se constituir como edifícios, mas como espaços de fruição pública, equipamentos públicos, ou de interesse público”.
PROFESSOR LUCIANO MARGOTTO – USP.

2º COLOCADO
“Um projeto responsável em transformar o entorno e a condição de fragilidade social e ambiental da região. Um projeto atento às questões construtivas e espaciais e que se referência à história da arquitetura brasileira, dando continuidade à tradição, e inserindo novos métodos e instrumentos de projeto contemporâneos”.
PROFESSOR FÁBIO BORETTI NETO DE ARAÚJO – PUC CAMPINAS.

3º COLOCADO
“O projeto da equipe ganhadora do 3º prêmio aborda o tema das áreas de proteção aos mananciais que abastecem as metrópoles. A proposta ensaia o projeto de uma praça de equipamentos públicos, associada a uma estação de trem, cujos edifícios foram concebidos de forma a tocar o menor número de vezes o solo, reconhecendo que a preservação da vegetação da região é de extrema importância para a cidade. O que está em jogo é o controle da qualidade da água, do ar e da sobrevivência das espécies nativas. Neste exemplo de projeto, que em uma primeira vista refere-se à expansão da cidade, o argumento é, na verdade, outro tipo de expansão, não a dos eixos espaciais, mas a dos eixos sociais, contribuindo para a construção de uma cidade mais justa e igualitária ao fortalecer as pequenas comunidades.
PROFESSOR LUCIANO MARGOTTO – USP.

VISÃO DOS ALUNOS

O que representa o concurso do CBCA para o seu futuro?

R: O concurso do CBCA, sem dúvidas, é o concurso mais famoso para estudantes de arquitetura no Brasil. É uma grande honra poder participar e vencer essa competição. Foi o primeiro ano em que participamos e, para um concurso tão concorrido, que abrangeu 88 universidades Brasil afora, 132 equipes de 18 estados diferentes, ficamos imensamente felizes ao saber que havíamos conquistado o primeiro lugar. A oportunidade de representar o Brasil, agora, no Concurso Latino-Americano Alacero 2020 também nos enche de orgulho, e esperamos corresponder a altura e representar bem a arquitetura brasileira em âmbito internacional também.
LUÍS SAKATA, USP, 1º LUGAR.

De que maneira o sistema construtivo de aço favorece no seu processo criativo?

R: O aço possui uma série de vantagens frequentemente almejadas pelos arquitetos: versatilidade, racionalidade, precisão, tudo isso somado a uma grande resistência estrutural - tanto a esforços de tração como de compressão - que permitem a utilização de peças de grande esbeltez, resultando em uma estrutura limpa e de grande potência estética. A liberdade que o material nos confere quanto a peças, seções e componentes estruturais é imbatível.
AUGUSTO LOGARINE, USP, 1º LUGAR.

Você utilizaria o sistema construtivo de aço em outros projetos? Por quê?

R: Sem dúvida alguma. O aço permite uma maior liberdade criativa e a criação de edifícios com grande leveza, contribuindo para projetos mais ousados e que se destacam, além de possuir uma estética industrial e pré-fabricada (quando deixado à mostra e evidenciando suas conexões) o que é bastante de meu agrado.
GABRIEL GROTHGE FARIA – PUC CAMPINAS, 2º LUGAR.

Você teve matéria relacionada diretamente com a construção industrializada em aço na faculdade?

R: Durante a disciplina de “Materiais e Técnicas da Arquitetura B” (MATEC B), tivemos bastante contanto com a construção em aço e madeira, desenvolvendo dois projetos distintos, mas que abriram um leque de informações sobre a construção e a concepção do projeto com relação as estruturas na Arquitetura. Além disso, aprendemos os cálculos estruturais de tração e compressão em estruturas metálicas, durante a disciplina “Resistência dos Materiais Aplicada à Arquitetura”.
HOMERO ZANATTA, PUC CAMPINAS, 2º LUGAR.

Sobre os bastidores do projeto que você participou, há histórias curiosas?

R: Neste período de quarentena, foi muito interessante a realização. Somos três amigos vivendo em cidades diferentes e realizamos muito do nosso projeto remotamente, junto à orientação de nosso professor orientador. Entretanto, houveram diversos encontros por vídeo à noite e até mesmo de madrugada, quando algum de nós tinha uma ideia.
HENRY FARKAS, PUC CAMPINAS, 2º LUGAR.

Como todo o escopo do projeto foi desenvolvido durante o período pandêmico, muitas das reuniões aconteciam em horários alternativos, para que não prejudicasse os compromissos acadêmicos da FAU-USP. Logo, eram frequentes sessões do ‘Google Meets’ começarem às 23 horas. Lembro de uma que encerramos as discussões perto das 3 horas da manhã.
LUCAS BORGES, USP, 3º LUGAR.

Como o olhar dos jovens arquitetos deve ser aproveitado na criação de cidades e comunidades sustentáveis?

Acredito que nós somos uma geração em que a pauta da diversidade é quase ubíqua nas discussões que temos - entre amigos, na escola, na internet. Nascemos em um mundo que há grande preocupação com o meio-ambiente, tendo em vista a situação desastrosa em que se encontra nosso planeta. Além disso, vivemos numa realidade extremamente conectada, mas onde as consequências da superexposição às informações e ao frenesi tecnológico ainda são desconhecidas. Enfim, aqueles que permanecerão vivendo neste mundo somos nós e, portanto, pelas próximas décadas, um projeto de mundo pautado em uma convivência mais harmônica, especialmente nos setores urbanizados, se faz essencial.

A participação política, a consciência social e ambiental, a engenhosidade e a criatividade são alguns dos aspectos que talvez deverão guiar um projeto de uma urbanidade mais justa, e que se concretizará pelas nossas mãos. Projetaremos e viveremos o futuro.
CAETANO AMADEUS DE ANDRADE MORENO, USP, 3º LUGAR.

O que você espera do futuro da profissão?

Espero que as novas gerações de arquitetos contribuam positivamente para criação e gestão das cidades e tenham discernimento para entender qual é nosso papel nos movimentos de mudança delas, bem como, quais são os caminhos para retomar o valor da importância da arquitetura e da atuação dos arquitetos na sociedade civil.
MATEUS EVANGELISTA, USP, 3º LUGAR.

1 º Colocado - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

 

2 º Colocado - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo; Pontifícia Universidade Católica de Campinas

 

3 º Colocado - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

 

Veja a matéria na íntegra.

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