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CCIPRA 2026

Informações:

Data: 11 e 12 de novembro

Local: Hotel Atlântico Búzios, RJ

Contato:

CCIPRA 2026 inclui desafios reais da integridade de ativos no centro da programação

Inspeção robotizada, robótica aplicada à pintura, novos revestimentos, cold repair, análise de falhas, inteligência artificial e tecnologias para intervenção em ativos em operação estão entre os temas que serão discutidos em Búzios

Inspeção robotizada, robótica aplicada à pintura, inteligência artificial, análise de falhas, novos revestimentos e tecnologias de reparo estão entre os principais temas da programação técnica na 7° edição do Congresso Internacional de Corrosão, Integridade, Pintura e Revestimentos Anticorrosivos (CCIPRA 2026). O evento será realizado nos dias 11 e 12 de novembro, no Hotel Atlântico Búzios, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Cerca de 600 profissionais de todos os continentes já confirmaram presença.

Mais do que apresentar tendências, a proposta do congresso é aproximar tecnologia, engenharia e aplicação em campo. A programação reúne experiências relacionadas a diferentes estágios da gestão da integridade: identificação e investigação de falhas, inspeção de ativos, especificação e desempenho de sistemas de proteção, manutenção, reparo e incorporação de novas tecnologias às operações industriais.

A grade preliminar apresenta discussões que vão da inspeção robotizada de tanques e cascos de FPSO à utilização de robótica na pintura industrial, passando por revestimentos elastoméricos monocomponentes, estratégias de coating e cold repair.

Ademais, estarão em pauta assuntos como comportamento de sistemas anticorrosivos em condições de umidade, temperatura e condensação, análise microscópica aplicada à investigação de falhas e alternativas para intervenção em equipamentos e tubulações em operação.

O objetivo do CCIPRA 2026 é colocar no mesmo ambiente profissionais envolvidos com algumas das decisões mais críticas ao longo do ciclo de vida dos ativos industriais.

 

Da inovação à implantação

Um dos eixos centrais do congresso será justamente a distância entre desenvolver uma tecnologia e conseguir incorporá-la à rotina industrial.

A mesa-redonda “Desafios de implantação de novas tecnologias” coloca essa questão diretamente em discussão. A proposta é analisar obstáculos que vão além do desempenho técnico de uma solução e envolvem critérios de especificação, processos internos, percepção de risco, custos, histórico operacional e capacidade de introduzir mudanças em ambientes industriais de elevada responsabilidade.

Para Joaquim Quintela, coordenador técnico do CCIPRA 2026, essa discussão é fundamental: “Um dos mais importantes desafios do congresso é promover a implantação de novas tecnologias”, afirma.

A construção da programação parte dessa lógica. Em vez de concentrar a seleção exclusivamente em trabalhos submetidos ao congresso, o Comitê Técnico identifica problemas, desafios e temas considerados relevantes para a indústria e busca profissionais capazes de apresentar experiências, análises e soluções relacionadas a essas demandas.

“Buscamos palestras que abordem temas atuais, desafios e problemas com soluções práticas. Também queremos dar oportunidade a profissionais de todos os níveis, inclusive àqueles que ainda não têm experiência como palestrantes, mas acumulam conhecimento na solução de problemas da nossa área”, explica Quintela.

 

Inspeção, diagnóstico e tomada de decisão

A evolução das ferramentas de inspeção é outro ponto importante da programação. A inspeção robotizada de tanques e cascos de FPSO integra a grade ao lado de discussões sobre ativos críticos e operações contínuas. A combinação desses temas traz para o congresso uma questão cada vez mais presente na gestão de integridade: como obter informação confiável sobre a condição de um ativo com menor interferência possível sobre sua operação.

A investigação das causas de falhas também terá espaço próprio. Uma das apresentações previstas aborda a análise microscópica de seções transversais aplicada à investigação de falhas em pintura estrutural, aproximando técnicas de caracterização do diagnóstico dos mecanismos que podem comprometer o desempenho de sistemas de proteção.

Em outro contexto operacional, o case da Usina Hidrelétrica de Simplício levará à discussão os efeitos de umidade, temperatura e condensação sobre a pintura anticorrosiva de
condutos forçados
— condições capazes de interferir diretamente na preparação, aplicação e desempenho de revestimentos em campo.

São discussões que deslocam o foco da simples escolha de um produto para uma análise mais ampla do sistema: substrato, preparação de superfície, condições ambientais, especificação, aplicação, inspeção e comportamento ao longo do tempo

 

Robótica entra também na pintura industrial

A automação de atividades tradicionalmente executadas de forma manual aparece em outra frente da programação.

O congresso apresentará resultados práticos da utilização de robótica na pintura industrial, tema que dialoga com produtividade, repetibilidade de processo, controle de aplicação e execução de serviços em ambientes industriais complexos.

Essa tecnologia será discutida dentro de uma programação que procura evitar uma visão abstrata de inovação. O interesse está nos resultados de campo e nas condições necessárias para que novas ferramentas deixem a etapa experimental e passem efetivamente a fazer parte dos processos industriais.

Esse mesmo princípio orienta as discussões relacionadas à inteligência artificial. A programação do CCIPRA 2026 prevê aplicações de IA ligadas à corrosão e à integridade de ativos, incorporando ao debate técnico uma tecnologia que começa a modificar a forma como grandes volumes de dados podem ser utilizados em inspeção, acompanhamento de condição e suporte à tomada de decisão.

 

Novas estratégias de proteção e reparo

Revestimentos e tecnologias de reparo ocupam outro núcleo importante do congresso. Entre os assuntos programados estão o desempenho e as aplicações industriais de revestimentos elastoméricos monocomponentes, estratégias de coating and cold repair e tintas com propriedades de isolamento térmico, da caracterização do material à especificação industrial.

A programação também entra em situações de elevada complexidade operacional. Uma das apresentações discutirá a utilização da tecnologia ADA em reparos poliméricos sobre
superfícies contaminadas com hidrocarbonetos quando a descontaminação não é possível
. Outra tratará de um sistema de reparo permanente em tubulações em operação, com ou sem vazamento, por meio de dupla calha curta bipartida soldada.

O ponto em comum entre esses conteúdos é um dos grandes desafios da manutenção industrial contemporânea: encontrar alternativas tecnicamente qualificadas para intervir em ativos submetidos a condições reais de operação, nas quais tempo de parada, segurança, logística, acesso, preparação e continuidade operacional podem ser tão determinantes quanto o próprio desempenho do material empregado.

 

Engenharia, operação e estratégia no mesmo debate

A abertura da programação também amplia a discussão para além da engenharia de corrosão. Entre os destaques anunciados está a participação de Alberto Kuba, CEO da WEG, com a apresentação “WEG 65 anos – Crescimento contínuo e sustentável”.

A presença de executivos, engenheiros, pesquisadores, especialistas em inspeção, fabricantes, prestadores de serviços e profissionais responsáveis pela integridade e manutenção cria uma característica importante do CCIPRA: problemas técnicos são discutidos em um ambiente no qual também estão presentes aqueles que participam das decisões de investimento, implantação e contratação de tecnologias.

Para Thomas Fink, presidente do Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata (CTCFF), responsável pela organização do congresso, essa aproximação é parte da função do evento.

“O CCIPRA é um evento consagrado, que une a comunidade anticorrosiva, a integridade industrial de ativos e a inovação tecnológica no segmento de corrosão. É um espaço onde empresas, especialistas, pesquisadores e fornecedores apresentam soluções capazes de responder a problemas reais enfrentados diariamente pela indústria”, afirma.

O próprio Comitê Técnico traduz essa pluralidade, reunindo profissionais ligados a empresas, instituições e centros de conhecimento como Petrobras, WEG, AkzoNobel, Priner, PowerPoxi, Jotun, Renner e Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC/UFRJ), entre outros.

 

Conhecimento que precisa chegar ao ativo

Em uma indústria marcada por ativos de longa vida operacional, ambientes agressivos, necessidade crescente de disponibilidade e exigências cada vez maiores de segurança e confiabilidade, controlar a corrosão não se resume a corrigir um dano depois que ele aparece.

A gestão eficiente depende da capacidade de identificar mecanismos de degradação, selecionar sistemas de proteção adequados, inspecionar com precisão, interpretar dados, investigar falhas e decidir quando e como intervir.

É exatamente nessa interface entre conhecimento técnico e aplicação que o CCIPRA 2026 pretende concentrar sua programação.

“As áreas de corrosão e integridade são muito dinâmicas. Estamos preocupados com os problemas de 2026 e dos próximos anos”, resume Joaquim Quintela.

Nos dias 11 e 12 de novembro, essas questões deixam de ser tratadas de forma isolada para integrar um mesmo fórum de discussão em Búzios. Para quem trabalha diretamente com integridade de ativos, manutenção, inspeção, revestimentos e proteção anticorrosiva, a proposta é sair do congresso não apenas conhecendo novas tecnologias, mas entendendo melhor onde elas podem — e onde ainda não podem — ser aplicadas.