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Perfil: Miguel Pinto Guimarães - Uma escola no parque

15/05/2019 | Notícia

Em uma pequena parte da enorme propriedade que abrigou um parque de diversões na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, começou a funcionar no início deste ano a segunda unidade da escola Eleva.

O projeto arquitetônico desenvolvido pelo escritório de Miguel Pinto Guimarães segue diretrizes implantadas anteriormente na unidade da escola no bairro de Botafogo, também de sua autoria, mas se diferencia pela sinergia da edificação com a abundante área verde que a envolve.

Trata-se de uma reforma com pequena ampliação, esta ainda não executada, que incide sobre a construção que abrigou anteriormente as instalações de uma universidade - o parque de diversões, fechado em 2010, foi demolido em 2016.

Frente à árdua tarefa de humanizar um edifício sem qualidade estética nem espacial - a escola ocupa construção com dois pavimentos e mais de 100 metros de comprimento -, o partido do projeto foi fazer do térreo um espaço predominantemente de convivência. Nele, foi eliminada grande parte das paredes e ambientes prévios, criando‑se um pátio coberto.

Além de funcionar como área de socialização e lazer, assim como núcleo de circulação e distribuição dos fluxos atuais e futuros da escola - são três as suas fases de implantação, da qual a primeira, que publicamos aqui, abrange a educação infantil e o estágio inicial do ensino fundamental -, os pilotis promovem a ligação, antes inexistente, entre as áreas ajardinadas da frente e dos fundos do lote (respectivamente zonas leste e oeste). O regime letivo é de turno integral e o usufruto da área externa é de fato um diferencial.

O projeto de paisagismo, desenvolvido pelo escritório Landscape Jardins, teve como prerrogativas da arquitetura a especificação de árvores frutíferas, suculentas e espécies resistentes à seca comuns na flora local; a implantação de árvores de grande porte nas imediações da construção, de modo a contribuir para o sombreamento das fachadas; e a recusa aos gramados por causa do grande consumo de água que eles demandam.

A arquiteta Gabriela Setta, da Landscape, explica ainda que o projeto da área externa teve como objetivo criar espaços variados, emocionantes e que proporcionassem aos alunos experiências ricas com a natureza.

“O ponto de partida foram duas grandes árvores: no refeitório, para um almoço ao ar livre, e junto a um grande banco que pode servir de palco para atividades lúdicas, brincadeiras e até mesmo aulas. As crianças tem a possibilidade de brincar com a terra, o cascalho e as cascas das árvores que permeiam os brinquedos projetados pela Erê Lab. Além disso, as quadras de esporte e a pista de atletismo estão distribuídas ao longo da escola e conectadas por jardins e passeios. Um jardim interno com palmeiras de 6 metros levam o verde para o segundo piso.” Neste sentido, também nos interiores há o princípio de abrir espaços para promover novas conexões verticais entre ambientes.

No bloco alongado, em cujo primeiro pavimento estão localizadas as salas de aula do ensino fundamental - na extremidade norte, porém, estão as salas multiúso, biblioteca, brinquedoteca e de música das crianças menores -, um grande rasgo longitudinal na laje criou uma área de pé-direito duplo que intermedeia os corredores de acesso às salas, posicionadas junto às fachadas. Há passarelas e escadas de acesso atravessando o vazio, o que permite a comunicação visual e física desse andar com os lounges, pilotis e refeitório do térreo.

A malha colorida (réguas de alumínio em diversas dimensões) sobreposta externamente à construção foi criada pelos arquitetos visando a melhoria do desempenho térmico, estando as suas fachadas principais voltadas para leste e oeste. Segundo Guimarães, “além de proteger os interiores da insolação excessiva, ela esconde a baixa qualidade estética do edifício, possibilitando a manutenção dos vãos das esquadrias existentes e, assim, gerando grande economia. O desenho elaborado por nossa equipe faz uma releitura da vegetação de mangue e restinga - do ecossistema botânico original da região - baseada em outros dois importantes artistas plásticos cujas obras também a retrataram: Carlos Vergara e Frans Krajcberg. A paleta adotada respeita a variedade cromática natural desse tipo de vegetação”.

Ficha Técnica
Escola Eleva Barra

Local Rio de Janeiro (RJ)
Início do projeto 2017
Conclusão da obra 2019 (1ª fase) até 2021 (3ª fase)
Área do terreno 16.795 m²
Área construída 10.607 m²
Arquitetura MPG Arquitetos Associados - Miguel Pinto Guimarães (autor); Adriana Moura (coordenadora de interiores); Renata Duhá e Natália Lopes (coordenadoras de arquitetura); Aline Almeida, Daniela Monteiro, Rafael Amorim, Tati Viany e Teresa Jardim (equipe)
Estrutura CERNE
Luminotécnica Carlos Fortes Luz + Design
Áudio e vídeo Barrasystem
Paisagismo Landscape
Cozinha Mariana Coimbra Bastos
Playground Erê Lab
Sinalização Tuut
Gerenciamento de projeto Quorum
Esquadrias QMD
Legislação a+arquitetura
Acústica Traço Verde
Construção Retrofit Engenharia
Fotos André Nazareth

Fornecedores
Kaman (marcenaria)
M3 (serralheria)
Sapore (equipamentos e mobiliário de cozinha e refeitório)
Biccateca, Claumat, Fernando Jaeger, Huna, Linha Rica, mmcité, Móveis Brum (mobiliário)
Módulo 3 (estofados)
Escinter (tapetes)
Lightsource (luminárias)
Salamandra (cortinas)

Veja na íntegra.

 

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