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Inserção em campus existente

31/10/2018 | Notícia | ARCOweb

Uma estrutura acoplada a par de edificações existentes - e cuja imagem conferiu identidade a um campus universitário inaugurado no final dos anos 1970, distinguindo-o, sobretudo, durante o período noturno - é a descrição sumária da ampliação do Centro Universitário do Distrito Federal, projetada pelo escritório Kruchin Arquitetura, estruturada por peças metálicas e com fechamentos em diferentes texturas, a edificação é arquitetura de exceção naquela parte da cidade.

Kruchin Arquitetura: Edifício Universitário, Brasília

Texto de Adilson Melendez

Dez anos depois de ter sido fundada pelo, na época, senador do Espírito Santo Eurico Rezende, a Universidade do Distrito Federal (UNIDF) instalou-se, em 1977, no Setor de Edifícios Públicos Sul, em Brasília, região onde há diversas outras escolas e na qual funciona até hoje.

Em 2005, a instituição mudou de nome para Centro Universitário do Distrito Federal, denominação mantida quando, três anos depois, foi integrada ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional (Unicsul), de origem paulista. Com a união, novos cursos foram incorporados à grade de ensino de uma das mais antigas universidades de Brasília.

Liderado pelo arquiteto Samuel Kruchin, o Kruchin Arquitetura tem um histórico de trabalhos para o grupo Unicsul. No Jardim Anália Franco, em São Paulo, estão dois deles (PROJETO edição 257, julho 2001, e edição 296, outubro 2004). Em 2014, então, o escritório foi contratado pelo grupo para projetar a ampliação das instalações da universidade brasiliense.

Embora já tivesse havido a expansão da sua base de alunos e cursos, e a construção de um novo edifício, vizinho ao primeiro, do ponto de vista arquitetônico nenhuma dessas construções possuía maior relevância. A ampliação planejada por Kruchin prevê várias novas construções, das quais a primeira, que publicamos aqui, é um edifício institucional que conta com um auditório, no térreo, salas de aulas nos andares superiores e uma praça, cujas obras foram concluídas respectivamente em 2017, 2016 e 2018.

O prédio faz uma espécie de acoplagem superior a segmentos da dupla de edifícios existentes, estabelecendo conexão entre as entradas de pedestres das vias W4 Sul e W5 Sul, esta última localizada nos fundos do terreno. Um retângulo alongado e um quadrado perpendicular a ele conformam a planta da edificação.

As necessidades estabelecidas no programa, somadas às características estruturais dos prédios preexistentes, levaram Kruchin a optar por vigas e pilares metálicos no novo edifício - as cargas deste não tocam as dos prédios antigos, por conta das fragilidades estruturais constatadas na avaliação para a intervenção.

Os principais pilares estão posicionados externamente às construções originais - para os apoios intermediários, foram abertos pontos nas lajes existentes para que a fundação também se desse de forma independente. Superfícies envidraçadas alternadas a painéis de concreto colorido num dos corpos da construção, com brises metálicos (tela perfurada) no outro, caracterizam plasticamente a composição.

Embora tenha optado por elementos industrializados, Kruchin destaca que tanto os painéis coloridos de concreto como as telas metálicas (brises) foram produzidos de acordo com desenho e especificações detalhadas pelo escritório, de forma a obter tanto a proteção necessária à inclemente insolação de Brasília como plasticidade que enriquecesse a edificação.

Ainda que sejam desenhos (e materiais) completamente distintos, Kruchin retoma, no edifício de Brasília, a abordagem presente no campus Anália Franco da Unicsul, onde os elementos de vedação/proteção ajudam a consolidar a imagem da instituição. A mescla de texturas das placas de concreto, vidros e tela metálica perfurada trouxe diferentes possibilidades de leituras para a edificação - de dia, protege do sol, mas permite observar a paisagem externa (o Parque da Cidade está bastante próximo), e à noite, quando o número de alunos aumenta e as edificações vizinhas escurecem, ela torna-se uma referência como uma imensa, porém suave, caixa de luz.

Outro importante item no programa, conforme observa o arquiteto, é o ambiente que ocupa o centro do pavimento térreo pelo caráter simbólico que o espaço tem no programa de uma universidade. “Não fosse o auditório [como no caso dessa universidade], poderia ser uma biblioteca”, exemplifica o arquiteto.

Duas interessantes particularidades com relação a esse espaço: o revestimento externo do auditório é o painel (Vibrações) desenhado por Kruchin, e a abertura do palco para a área externa é voltada para a nova praça, implantada entre as duas edificações do conjunto original do centro universitário.

Kruchin Arquitetura

Samuel Kruchin é titular do Kruchin Arquitetura, escritório constituído em 1988 que desenvolve projetos de diferentes dimensões e naturezas - residenciais, institucionais, comerciais e corporativos - além de acumular vasta experiência em obras de preservação e
restauro.

Ficha Técnica
Ampliação do Centro Universitário do Distrito Federal
Local: Brasília (DF)
Início do projeto: 2014
Conclusão da obra: 2018Área do terreno 16.773,90 m²
Área construída: 7.720,20 m²

Arquitetura, paisagismo e mobiliário da praça: Kruchin Arquitetura – Samuel Kruchin (autor);
Aline Stievano (coordenadora); Isis Beretta, Larissa Carrelli, Leandro Monteiro, Lucas Leite,
Mariana Falqueiro, Natália Ferrari e Renata Mello (colaboradores)
Estrutura Ernesto Tarnockzy (metálica); Simetria Engenharia e Projetos (concreto e laudo
estrutural)
Fundação: Embre Engenharia
Automação predial, elétrica, hidráulica e incêndio: Projelet
Climatização: Condix Engenharia
Impermeabilização: Proassp
Consultoria para elevadores: Empro Engenharia
Luminotécnica: Luxatec
Caixilhos: Crescêncio Petrucci Consultoria e Engenharia
Acústica: auditório Akkerman Projetos Acústicos
Áudio e vídeo: auditório System Works
Construção: Costa Feitosa Engenharia
Fotos: Daniel Ducci

Fornecedores:
CPC Estruturas (estrutura metálica), Ser-Cop (brise metálico, rampa da praça e escadas externas), Stone (vedação de fachadas), PCF Soluções (pintura intumescente), Atlas Schindler (elevadores), Alkha Esquadrias de Alumínio (esquadrias), Luxatec (luminárias e lâmpadas), Tarkett, Beaulieu, Real (pisos), JHenrique (azulejo foyer), Hitachi, Trane do Brasil (ar condicionado), Técnica Soluções Acústicas (acústica auditório), Inside Office (poltronas do auditório).

Saiba mais em www.arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/kruchin-arquitetura-edificio-universitario-brasilia

Kruchin Arquitetura: Edifício Universitário, Brasília

 

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