Atenção

Fechar

CBCA

Tanto arquitetura como paisagem

13/06/2019 | Notícia | Projeto Design - Edição 418

Muito automóvel e pouca arquitetura é, grosso modo, o que impera nas edificações construídas para revendedoras de veículos no brasil. Comparada a elas, a série de pavilhões que o escritório Spadoni e Associados Arquitetura desenvolveu para a Hyundai é quase subversiva. Na unidade criada para a Avenida das Américas, no Rio de janeiro, fica de novo evidente o quanto a arquitetura contribui para a qualificação da marca e a redefinição da paisagem.

Vencedor de uma competição fechada realizada em 2008 pela Hyundai, montadora de origem sul‑coreana, para construir uma revenda de veículos no Morumbi, região sul da capital paulista, o escritório Spadoni e Associados Arquitetura debruçou-se por um ano e meio até chegar à solução do pavilhão de metal e vidro. Construído em apenas três meses, o conjunto - que, por sua força imagética, tornou-se o piloto de mais de uma dezena de lojas da empresa no país - alterou a relação da montadora com a arquitetura, tornando-se parte do processo de qualificação da marca junto aos consumidores.

Ainda que soe estranho - afinal, a rigor, trata-se de um edifício destinado à comercialização de automóveis -, o arquiteto Francisco Spadoni, titular do escritório, afirma que o pavilhão desenhado por sua equipe é um projeto sem uso específico. Pode ser uma revenda de veículos, receber um centro cultural ou funcionar como área de exposições, ele enumera. O prédio de programa impreciso e fluido, mas plasticamente sedutor, teria levado um dos diretores da montadora a comentar que a unidade paulistana era a mais bela da empresa em todo o mundo.

O impacto provocado na imagem institucional da Hyundai proporcionou ao escritório a oportunidade de estender a conceituação daquela loja-piloto - uma edificação que tivesse significado positivo na paisagem urbana, compatibilizando sua atividade-fim com a possibilidade de receber, complementarmente, eventos culturais - para mais de uma dezena de revendas que integravam a estratégia de consolidação da marca no país. O primeiro descendente da loja‑mãe foi o pavilhão do Rio de Janeiro, a ser construído em um terreno na avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, relativamente próximo da Cidade das Artes, projetada por Christian de Portzamparc (leia PROJETOdesign 404, outubro de 2013).

Por razões de estratégia comercial, a implantação da unidade carioca foi colocada em compasso de espera. Partindo da matriz conceitual - a qual registra ecos do projeto de um posto de gasolina de Mies van der Rohe em Montreal, no Canadá (que Spadoni visitou em viagem àquele país por conta de suas atividades didáticas), mas que também possui antecedentes na solução que o arquiteto brasileiro apresentou, em 2000, no concurso do Monumento aos Imigrantes e Migrantes, em São Paulo, com a qual recebeu menção honrosa -, o projeto na capital fluminense é simultaneamente arquitetura e paisagem.

Como as demais edificações que acabaram por ser construídas em outras cidades brasileiras, a da avenida das Américas terá implantação favorável à sua visualização inclusive com o observador em movimento, condição facilitada pela extensão de cerca de 160 metros do bloco maior voltada para a avenida. O conjunto formado por dois corpos paralelos de conformação retangular recorre, essencialmente, ao vidro colado a perfis metálicos para dar forma ao pavilhão, “encapado” por chapas metálicas e complementado por brises que impedirão a insolação direta. Com pontos de apoio reduzidos, o bloco mais extenso parece flutuar.

Interligados, os dois corpos têm como ponto de partida a laje que retifica a pequena queda entre a frente (mais alta) do terreno voltado para a avenida e a rua secundária. O volume maior abrigará no térreo o showroom e a área de atendimento e, numa cota ligeiramente inferior, o estacionamento; no piso superior, os espaços para exposições ocuparão uma extremidade, enquanto na outra e numa das laterais serão dispostos os ambientes administrativos. No segundo bloco, dois pavimentos se destinam a oficinas e administração. Planos inclinados, abas e angulações inesperadas na superfície da capa metálica se aliarão para que, além de arquitetura, a edificação seja também paisagem.

Spadoni e Associados Arquitetura

Ficha Técnica
Pavilhão Hyundai Recreio dos Bandeirantes
Local
Rio de Janeiro, RJ
Data do início do projeto
2011
Área do terreno
14.339 m²
Área construída
13693 m²
Arquitetura
Spadoni e Associados Arquitetura - Francisco Spadoni e Tiago de Oliveira Andrade (autores); Jaime Vega, Marcos da Costa Sartori e Fernando Shigueo Fujivara (equipe)

Veja a matéria na íntegra

Todas as Notícias

Confira também

Não é cadastrado?

Faça agora seu cadastro no site do CBCA e tenha acesso a conteúdos exclusivos e inscrições online. O cadastro no site do CBCA é gratuito, simples e rápido.

QUERO ME CADASTRAR

INDIQUE

Obrigado!
Sua indicação de conteúdo foi enviada com sucesso.