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Pioneiros dos Pampas

28/11/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 52

Primeira construção em aço de Porto Alegre (RS), o edifício Santa Cruz, em plena região central da cidade, é um testemunho arquitetônico da onda desenvolvimentista sobre a qual o país surfava nas décadas de 1950 e 1960. Rodeado pelo espírito de criação de um Brasil moderno, industrial e urbano, instalou-se na capital gaúcha um marco referencial, pioneiro na introdução das estruturas metálicas no Rio Grande do Sul, o que também contribuiu para a difusão da tecnologia da construção em aço por todo o território nacional.

Desde a concepção original até a efetiva inauguração do edifício passaram-se dez anos. Em 1955, o Banco Agrícola Mercantil patrocinou um concurso fechado para avaliar anteprojetos para a sua sede em Porto Alegre. O trabalho do arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça consagrou-se vencedor, propondo uma expressão arquitetônica que visava disseminar  a cartilha moderna no Sul do país: uma construção marcada pelo racionalismo, funcionalismo e pela composição em ângulos retos. Com três recuos nas fachadas de acesso, graduando os volumes, o projeto inicial sugeriu 30 pavimentos, além de dois subsolos que acomodariam os equipamentos de infraestrutura (geradores e medidores de energia, casa de máquinas e bombas d’água), cofre para depósito de valores e postos de guarda. Previa, ainda, o tratamento das fachadas principais em grelha, um tramado com predominância de elementos horizontais.

A aprovação da nova construção pela Prefeitura da capital gaúcha data de 27 de junho de 1956. Precisamente um mês depois, faleceu o arquiteto vencedor do concurso. Eu seu lugar assumiu o arquiteto Jayme Luna dos Santos, que se viu obrigado a provocar profunda revisão do projeto, devido à incorporação de dois lotes contíguos ao terreno, de propriedade das empresas Somovil e Banco de Crédito Real, que também passariam a se estabelecer no edifício. Ao programa, foram incluídos quatro pavimentos, um restaurante, sala de conferências e apartamentos residenciais do 26º ao 34º andares, em grupos de quatro unidades por andar. Em substituição ao tratamento das fachadas em grelha de Mendonça, o novo projeto optou por panos de vidro. Nas fachadas laterais, o edifício passou a apresentar grande variação de fechamentos, em uma expressão que remete ao neoplasticismo.

Edifício inteiramete estruturado em aço conta com pilares e vigas de aço em perfis laminados de 6” a 18”. Na montagem, as vigas foram unidas por esso de rebites aos pilares de seção H

A montagem da estrutura foi executada em duas etapas: a primeira, entre 1960 e 1961; a segunda, de 1962 a 1963. Toda estrutura metálica utilizada no prédio de 107 m acima do solo e 14 m abaixo dele foi fornecida e montada pela Fábrica de Estruturas Metálica (FEM), empresa criada especialmente para impulsionar a indústria da construção em aço no Brasil. A obra foi executada pela Construtora Ernest Woedcker. O edifício foi composto por dois blocos unificados, estruturados em aço desde as fundações, com placas de base e grelhas de apoio assentadas sobre sapatas de concreto armado, nas quais foram fixados os pilares em aço. Em sua maioria, as vigas são constituídas por perfis I laminados, variando de 6” a 18”. Na montagem, as vigas foram unidas, por processo de rebites, nos pilares de seção H. Em menor quantidade, também foram utilizadas vigas compostas por chapas, perfis U e cantoneiras nos vigamentos do 2°, 24° e 31° pavimentos.

Símbolo máximo do processo da verticalização porto-alegrense, o edifício Santa Cruz reina, ainda hoje, como o mais alto da capital, atendendo a um extenso programa de necessidades e incorporando o emprego de tecnologias inovadoras para a sua época, em um contexto marcado pela alteração do referencial arquitetônico da cidade: a revalorização de referências ligadas às vanguardas do início do século XX e ao alcunhado “Estilo Internacional”. (A.L.)

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