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Cidades de aço

20/07/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 51

Em municípios na região Sudeste do país, como Volta Redonda (RJ) e Ponte Nova (MG), cresce a participação das obras projetadas em aço, estimuladas pelas vantagens desse sistema construtivo


Texto de Eduardo Campos Lima

A OPÇÃO PELAS ESTRUTURAS EM AÇO nas edificações parece ser a escolha natural de contratantes, construtores e clientes nas cidades de Volta Redonda (RJ) e Ponte Nova (MG).

Em ambas, há uma aceitação peculiar da construção em aço, utilizado cada vez mais em todos os tipos de projeto.
Em Volta Redonda, sede da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) desde sua fundação, na década de 1940, a cultura do concreto, tão forte no Brasil, parece não existir – ou ao menos tem de dividir espaço com uma tradição igualmente forte no uso do aço na construção civil.

A cidade foi o nascedouro da Fábrica de Estruturas Metálicas (FEM, extinta na década de 1990), primeira empresa do ramo no Brasil. “A FEM foi embora, mas os profissionais que nela aprenderam a trabalhar ficaram”, conta o engenheiro Ildony Bellei, especialista em estruturas metálicas, professor e autor de diversos livros sobre o assunto.

Segundo os registros de Bellei, a cidade fluminense, que tem cerca de 260 mil habitantes, recebeu nos últimos cinco anos aproximadamente 30 edificações com estrutura metálica ou mista, totalizando 40 mil m² construídos – isso sem contar as obras públicas viárias e os galpões industriais e logísticos. “Não são obras de grande porte. A maior parte dos projetos é de edifícios, variando de dois a cinco pavimentos, frequentemente comerciais”, explica. O cômputo inclui, entretanto, quatro edifícios residenciais, um hospital e até uma igreja.

De acordo com Mário Moraes, proprietário da Moraes Lopes Engenharia, empresa de fabricação e montagem de estruturas metálicas, os projetos de galpões, plantas industriais e edifícios comerciais sempre representaram uma parcela maior das contratações. “De alguns anos para cá, contudo, tem crescido o uso do aço em obras residenciais”, afirma. A empresa atuou em 43 projetos em Volta Redonda e outras cidades fluminenses nos últimos anos, empregando mais de 2,2 mil toneladas de aço.

Volta Redonda

No setor público, o aço também vem sendo utilizado de forma intensiva. Antônio Francisco Neto, que desde 1997 foi prefeito de Volta Redonda por quatro mandatos, perdeu as contas de quantas obras com estrutura metálica contratou. “Foram centenas, de todos os tipos. As obras metálicas são mais rápidas, limpas e bonitas. Acredito que todo gestor público deveria ter a experiência que tivemos”, declara.

A crise econômica impactou nas novas contratações na cidade, mas a disseminação do aço estrutural continua. “As barreiras culturais são eliminadas não com as grandes obras, mas com as pequenas, que fazem parte do cotidiano das pessoas. E essas continuam, independentemente de crises”, defende Fernando Pinho, engenheiro especializado em estruturas metálicas.

Ponte Nova

No município mineiro, cuja população é estimada em 60 mil habitantes, a proximidade relativa com centros siderúrgicos como Ipatinga e Ouro Branco é apontada por profissionais da engenharia como um dos estímulos à construção metálica.

“Há, além disso, empresas locais que comercializam perfis para a construção. Tudo isso barateia os custos”, conta Alessandro Borges, proprietário da Frame Engenharia, empresa especializada na montagem de estruturas metálicas. De acordo com Borges, ainda é preciso superar barreiras culturais para que o uso em edificações residenciais se desenvolva na região, uma vez que a maior parte dos projetos é para uso industrial e comercial.

Para Nelson Barbosa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Vale do Piranga e proprietário da Mepe, fornecedora de estruturas metálicas e incorporadora, a existência de cursos de construção metálica na região foi um fator importante para a formação de mão de obra qualificada e a consequente expansão do setor. “Todos os meus funcionários fizeram cursos em diferentes áreas da construção em aço no Senai de Ponte Nova”, aponta.

Desde que abriu sua empresa, há 21 anos, Barbosa tem se esforçado para adequar as características da construção metálica às condições dos empreendedores do interior. “Há um mito de que a construção em aço cabe apenas em um segmento de altíssimo nível. Mas o cliente do interior quer ter a liberdade de diminuir a velocidade da obra, caso falte dinheiro, ou de investir em outra coisa no meio do caminho. Mudamos a nossa programação de acordo com as necessidades do contratante, aproveitando a modulação dos projetos metálicos”, conta.

São medidas necessárias, especialmente para evitar situações em que a incúria de profissionais não especializados venha a impactar em todo o segmento, conforme aponta o engenheiro Marcelo Fontes, da ProSteel Consulting, que projetou algumas edificações em Ponte Nova. “Muitos clientes rejeitam a estrutura metálica, a princípio, apontando possíveis patologias que já foram totalmente superadas pelas tecnologias que utilizamos em obra”, afirma. Segundo Fontes, a atuação em projetos comerciais ou industriais acaba sendo mais fácil, já que é possível demonstrar ao contratante que uma obra mais rápida permitirá começar o negócio mais cedo – e o próprio faturamento bancará a obra.

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