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04/07/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 51

Prédio de escritórios na Vila Madalena propõe um ambiente corporativo humanizado e repleto de áreas de convívio

Texto de Eliane Quinalia

ESQUEÇA A REFERÊNCIA dos arranha-céus corporativos de São Paulo, como aqueles localizados nos arredores das avenidas Paulista, Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Isso porque não muito longe dali, mais precisamente na região da Vila Madalena, reduto boêmio e cultural da zona oeste paulistana, em uma área com gabarito limitado a apenas 9 m de altura, um empreendimento comercial tem chamado a atenção.

Na página ao lado, passarelas e escadas em aço formam as vias de circulação do empreendimento, sempre abertas aos espaços de convívio e às áreas verdes do entorno

Acima, as estruturas em aço são evidentes logo na fachada do edifício, vencendo grandes vãos e conferindo leveza ao conjunto. Na foto menor, vista geral do empreendimento

O edifício Corujas, prédio que contempla salas de escritórios de 95 m2 a 725 m2, parte de um propósito simples e estimulante: criar um espaço de trabalho humanizado e que favorece o convívio e integração entre os ocupantes, algo ainda pouco explorado no segmento. “Partimos na contramão do que se faz costumeiramente no mercado corporativo. Em lugar de realizar um edifício com circulação central e controle rigoroso de fluxo dos usuários, aproveitamos o local de implantação [Vila Madalena] e a necessidade de realizar um projeto horizontal para propor algo completamente diferente”, explica o arquiteto Fernando Forte, do FGMF Arquitetos, escritório que responde pela arquitetura do projeto.

No edifício comercial idealizado para a Idea!Zarvos em 2012, e inaugurado apenas dois anos depois, as salas privativas contam com jardins
e terraços próprios. A circulação é feita por passarelas e escadas abertas, voltadas para uma ampla praça central, oferecendo muitos espaços para reuniões ao ar livre e estimulando a convivência entre aqueles que frequentam o local.

As restrições impostas pelo gabarito e pelo formato do lote determinaram a configuração do conjunto com dois volumes – frontal e posterior – e apenas três pavimentos, erguidos com estruturas em aço e concreto pré-moldado. As estruturas em aço concentram-se nas vigas do segundo pavimento – onde ajudam a vencer vãos de até 13 m em seu interior – e nas passarelas e escadas das áreas de circulação. “Não conseguiríamos vencer um vão tão generoso em outro material, não com a esbeltez alcançada”, esclarece o engenheiro Leandro José Lopes Zabeu, sócio-diretor da Gama Z Engenharia, que assina o projeto estrutural. Segundo ele, tanto o bloco da frente como o do fundo receberam perfis metálicos, que foram conectados aos pilares pré-fabricados por meio de insertos pré-cravados durante a fase de concretagem, para suportar uma laje alveolar de 26 cm. O aço parece, ainda, em brises, guarda-corpos e tirantes utilizados na obra.

A opção pelo uso de estruturas em aço contribuiu, ainda, para marcar a identidade visual do edifício, que explora o contraste entre o aspecto opaco do volume do embasamento e a transparência e leveza dos volumes superiores. A escolha possibilitou extrair o potencial construtivo desejado e criar salas de variadas dimensões, integradas a múltiplas e generosas áreas de convivência.

A partir da entrada do edifício, o pedestre é conduzido a uma praça central, que conta com um café e também recebe food trucks no horário de almoço, além de servir de espaço para interação do público que frequenta o local. Como os eixos de circulação são completamente abertos, é possível vislumbrar, durante o percurso, todas as áreas internas do conjunto. A privacidade é alcançada a partir de persianas padronizadas e instaladas para esse fim. “Criamos os espaços que nos pareciam mais humanizados e agradáveis para uma empresa. A trinca ‘espaço fechado, varandas para reuniões externas e jardim privativo’, e suas diferentes formas de implantação pelo conjunto, é o aspecto mais notável e diferente do projeto”, pontua Forte.

Montagem simples
A montagem das estruturas em aço foi executada com facilidade, em conjunto com a instalação da estrutura pré-fabricada em concreto,
simplificando o trabalho, uma vez que os guindastes utilizados já estavam preparados para receber até as peças de concreto, bem mais pesadas. Nessa fase, porém, durante a montagem das lajes pré-fabricadas até a cura do capeamento, a principal dificuldade mencionada pelo projetista estrutural ocorreu no combate à flambagem lateral com torção. “Optamos por instalar um contraventamento provisório até a cura do concreto, uma vez que dimensionar a estrutura para absorver essa etapa da obra, sem o contravento, exigiria que fossem utilizados perfis muito mais pesados e até fora de catálogo”, explica Zabeu. (E.Q.)

Projeto arquitetônico: FGMF Arquitetos
Área construída: 6.880 m²
Aço empregado: Perfis ASTM A572 GR50 (ABNT NBR 7007 AR345)
Volume de aço: 80 t
Projeto estrutural: Gama Z Engenharia
Fornecimento da estrutura de aço: Skylight Estruturas Metálicas
Execução da obra: Idea!Zarvos
Local: São Paulo, SP
Conclusão da obra: 2014

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