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Um novo edifício

21/06/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 51

Para se tornar um novo hotel no Rio de Janeiro, construção residencial da década de 1950 passa por completa transformação com ajuda do aço

Texto de Juliana Nakamura

COM VISTAS GENEROSAS para a orla do Rio de Janeiro, incluindo uma visão para o Pão de Açúcar e outra para o Corcovado, o hotel Yoo2 Botafogo transpira leveza. Isso fica evidente no design de interiores, contemporâneo e elegante, em sintonia com os demais produtos da
marca hoteleira, criada pelo badalado designer Phillipe Starck e pelo empresário John Hitchcox.

No edifício da década de 1950 parte da estrutura original foi substituída por estruturas em aço no processo de retrofit que deu origem a um moderno hotel boutique com vistas para as mais belas paisagens do Rio de Janeiro

A suavidade aparece também na arquitetura do hotel-boutique, resultado do retrofit realizado em um edifício residencial dos anos 1950 localizado em endereço privilegiado, em frente à praia de Botafogo. Em bom estado de conservação, o esqueleto da estrutura de concreto armado foi mantido nas áreas periféricas. Mas o núcleo da estrutura foi inteiramente demolido e substituído por uma estrutura composta por pilares e vigas de aço.

A intervenção foi necessária para a criação de uma nova estrutura que atendesse aos padrões de arquitetura do hotel. Ao todo, o novo prédio conta com 12 andares, dois subsolos e 134 quartos.

O engenheiro civil Felipe Leal, country manager da Pylos do Brasil, conta que a construção do Yoo2 Botafogo teve de superar uma série de desafios. Primeiro pela limitação do espaço no canteiro, que dificultou a logística de entrada e saída de materiais, estoques e área para trabalho. O lote ocupado pelo novo hotel está em uma das áreas mais adensadas do bairro, ao lado de um viaduto de tráfego intenso. Por esse motivo, o canteiro teve de ser instalado em uma edificação contígua ao empreendimento, a qual, posteriormente, foi incorporada como área de apoio ao hotel. Como não havia espaço para armazenagem, foi necessário seguir uma rigorosa programação de entrega, inclusive à noite e nos fins de semana.

Outro complicador foi a condição geológica local, com solo encharcado. Isso dificultou a execução das escavações para a criação de um
subsolo adicional, ao fundo do prédio. “Para manter essa estrutura estável, a solução foi recorrer a pranchas de contenção ao redor da região a ser escavada, evitando o recalque de solo”, conta Leal.

O hotel leva a assinatura do francês Phillipe Starck, estrela do design internacional, na concepção dos interiores. As amplas vistas para o Corcovado e o Pão de Açucar garantem um diferencial especial para o local

Esse cenário com tantas limitações induziu à escolha pela estrutura metálica para complementar a estrutura existente. “Levamos em consideração o peso da estrutura, que é mais leve do que a de concreto convencional, a logística facilitada, pois as peças chegam prontas ao canteiro, a velocidade de execução e a limpeza da obra”, conta Felipe Leal.

Ele lembra que outra vantagem proporcionada por essa solução estrutural foi o ganho de pé-direito. “O projeto estrutural tirou partido das dimensões das vigas, que maximizaram os vãos nos andares e deram mais eficiência à passagem de dutos de ar e instalações. Dessa forma, o pé-direito nas unidades pode ser aumentado, agregando maior conforto aos hóspedes”, comenta o executivo da Pylos.

Prazos apertados
Durante a construção do Yoo2 Botafogo o cronograma de execução foi um problema a mais a ser enfrentado pela construtora, incorporadora e pelos projetistas. A transformação do prédio residencial em hotel teve de se ajustar às imposições de uma lei municipal que definia normas de uso e ocupação do solo e estabelecia incentivos para a ampliação da capacidade de hospedagem na cidade, visando a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. “Precisávamos compatibilizar as exigências de um hotel sofisticado com o prazo imposto pela Prefeitura”, conta o arquiteto Sérgio Gatass, responsável pelo projeto de retrofit.

Abaixo, obras do retrofit do edifício que manteve o esqueleto da estrutura em concreto nas áreas periféricas, mas substituiu complemente seu núcleo por estruturas em aço,as quais se integram perfeitamente no conjunto e viabilizaram a transformação dos espaços
 

Para agilizar a obra e garantir índices adequados de produtividade em uma situação de produção tão adversa, investiu-se em sistemas construtivos industrializados e na mecanização do canteiro. Para a movimentação das peças de aço, por exemplo, escavadeira, caminhão munk e minigruas foram usados.

Mantendo a volumetria do prédio anterior, a fachada foi executada com pele de vidro fixada em perfis metálicos ancorados tanto na estrutura preexistente como na nova estrutura de aço. O fechamento na área dos banheiros se deu com placas cimentícias. Já as vedações internas foram executadas com painéis drywall, garantindo bom desempenho acústico e leveza construtiva. (J.N.)

Projeto arquitetônico: SG Sergio Gattas Arquitetos Associados
Interiores: Yoo2 Hotels e Melina Romano
Empreendimento: Pylos do Brasil e Intercity
Área construída: 6.900 m²
Aço empregado: ASTM A 572 GR50 (ABNT NBR 7007 AR345)
Volume de aço: 182 t
Projeto estrutural: Eleve Engenharia e Construções
Fornecimento da estrutura de aço: Solução Estruturas Metálicas
Execução da obra: Somague MPH
Local: Rio de Janeiro, RJ
Conclusão da obra: 2016

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