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20/06/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 51

Estruturada em aço, sala de concertos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais impressiona por sua beleza e projeto acústico

Texto de Nicole Lallée

INAUGURADA EM 2015, a nova sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi idealizada em Belo Horizonte com o propósito de celebrar a cultura e a música clássica em um espaço moderno e marcante, capaz de apresentar com maestria os mais belos concertos ao público mineiro. Apesar de já contar com mais de dez anos de existência, a orquestra ainda não dispunha de um espaço próprio para seus ensaios e apresentações, o que acabava prejudicando seu potencial. A nova sala de concertos integra o Centro de Cultura Presidente Itamar Franco – que também abriga a Rede Minas de Televisão e a Rádio Inconfidência, ambas emissoras estatais.

A bela estrutura do pergolado em aço marca a identidade do Centro Cultural Presidente Itamar Franco, que abriga a sede da orquestra. O empreendimento criou um novo polo de cultura e turismo na cidade, contribuindo para revitalizar uma região tradicional de Belo Horizonte

E para criar uma sala exclusiva, com acústica adequada e infraestrutura completa, o arquiteto José Augusto Nepomuceno, do escritório paulistano Acústica & Sônica, foi chamado. Conhecido por seus trabalhos em acústica, Nepomuceno é o responsável pela concepção do espaço, que recebeu o nome de Sala Minas Gerais, ocupando mais de 11 mil m2, com capacidade para receber um público de 1.490 pessoas.

Segundo Nepomuceno, a sala de concertos conta com complexas estruturas em aço revestidas em madeira, que colaboram para o desempenho acústico do ambiente. “No forro, temos a presença de grandes berços metálicos, que posteriormente receberam pintura especial para conferir um acabamento mais adequado ao projeto.”

Arquitetura para acústica
Os arquitetos Jô Vasconcellos e Rafael Yanni assinam o projeto arquitetônico do Centro Cultural Presidente Itamar Franco e da sala conceituada por Nepomuceno, que ainda engloba espaço para piano com climatização, recepção, camarim, áreas de ensaio, administração
e técnica. “Foram os critérios acústicos que determinaram as formas dos espaços sensíveis e a organização dos ambientes circundantes”, afirmam os arquitetos.

A sala de concertos foi estruturada com um sistema misto, em aço e concreto, buscando viabilizar as formas pouco convencionais do projeto. De acordo com o engenheiro Alisson Madeira, da Simon Engenharia, a escolha do sistema construtivo foi importante também por outras razões, como atender ao cronograma da obra, vencer os vãos impostos pela arquitetura e assegurar a qualidade do projeto. “No forro, treliças metálicas vencem vãos de 35 m a uma altura de 4 m. Já no banzo inferior, há um piso que serve como área técnica, e no superior temos uma laje de cobertura, com 40 cm de espessura em concreto, que contribui com o envelopamento acústico”, detalha o engenheiro. “Com o aço, conseguimos manter a leveza desejada e obter a resistência necessária, o que trouxe ganhos com relação ao desempenho estrutural”, afirma Madeira.

Do lado externo, a sala de concertos é revestida por chapas de aço perfuradas, que receberam uma camada de manta acústica e foram pintadas com tinta eletrostática vermelha. Segundo Jô e Yanni, o revestimento do volume em forma fractal, além das suas funções técnicas e estéticas, acomoda instalações que não poderiam estar dentro da sala por questões acústicas. “O vermelho remete à marca da Filarmônica e aos ambientes teatrais, além de ser a cor do triângulo da bandeira de Minas Gerais”, complementa a arquiteta.

O projeto envolveu detalhes de altíssima tecnologia. Foi avaliado o modo como a plateia se desenvolveria ao redor do palco, bem como a visibilidade, envolvimento, percepção espacial e luz. As simulações nos modelos acústicos foram realizadas na Inglaterra e lideradas por Michael Barron, reconhecido pesquisador sobre comportamento acústico em salas de concerto. “É um orgulho que a Sala Minas Gerais seja considerada uma das mais importantes salas de concerto em todo mundo, e que esteja no mesmo nível do excelente trabalho artístico do grupo”, afirma Nepomuceno.

O centro cultural
A instalação do centro cultural no bairro Barro Preto, área tradicional da região centro-sul de Belo Horizonte, teve a clara intenção de criar um novo polo cultural e turístico na capital, que contribuísse para a transformação do espaço urbano e também oferecesse uma importante área de socialização para a população local. “Procuramos ofertar um espaço público no complexo em forma de uma ampla praça coberta por pergolado em aço,que confere identidade ao conjunto por meio de sombras rendilhadas, além de acolhimento”, explicam os arquitetos. A estrutura em aço permitiu vencer grandes vãos com leveza, conferindo o apelo estético desejado.

A sala de concertos tem revestimento externo em chapas de aço perfuradas que receberam uma camada de manta acústica e pintura em vermelho, destacando-se no centro do conjunto

Na fachada, a pele de vidro garante transparência e maior leveza ao conjunto, suportada por estrutura em aço que se conecta aos pilares principais por meio de grandes treliças verticais, conferindo maior resistênca ao sistema

Ainda na área externa é possível observar a presença de um grande pilar em aço em forma de árvore. “A estrutura em formato tubular foi
idealizada para atender tanto às demandas arquitetônicas do projeto como às estruturais, com os ‘braços’ metálicos sendo responsáveis por reduzir os balanços da grelha superior. Isso foi importante para termos uma estrutura mais leve”, explica o engenheiro Madeira.

O aço também foi utilizado na estrutura da fachada do complexo, que recebeu vidros para imprimir transparência e mais leveza ao conjunto. “Optamos por uma pele em vidro com cabo e contraventamento para desmaterializar a estrutura. Uma viga metálica treliçada na vertical foi utilizada para conectar a pele à estrutura dos pilares principais, o que tornou o conjunto pilar-pele mais resistente”, esclarece Yanni. (N.L.)

Projeto arquitetônico: Jô Vasconcellos & Arquitetos Associados
Área construída: 11.162 m²
Aço empregado: Perfis laminados e seções caixão formadas com chapas ASTM A572 GR50 (ABNT NBR 7007 AR345); Steel Deck (ABNT NBR 7008 ZAR 280)
Volume de aço: 600 t
Projeto estrutural: Simon Engenharia S/S
Fornecimento da estrutura de aço: Techneaço Engenharia Ltda., Tecnoman e Femec.
Execução da obra: Grupo OAS
Local: Belo Horizonte, MG
Conclusão da obra: 2015
 

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