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Inovação bem-sucedida

20/06/2018 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 51

Considerado o mais alto de Minas Gerais e feito com estrutura mista em aço e concreto, o edifício Concórdia Corporate investe na estética e em inovação na execução


Texto de Eduardo Campos Lima

OS 172 M DE ALTURA do Concórdia Corporate – dimensão que coloca o edifício de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, no topo da lista dos mais altos de Minas Gerais – sustentam-se em uma estrutura mista de aço e concreto, projetada e executada com soluções tecnológicas inovadoras, sobretudo no que se refere às ligações entre as lajes e o núcleo de concreto.

A concepção estrutural do Concórdia seguiu o modelo já consagrado para torres altas: um núcleo rígido de concreto armado, abrigando os elementos de circulação vertical do edifício, garante o desempenho estrutural e responde pelo contraventamento. Nos pavimentos, vigas metálicas e pilares mistos periféricos – tubos de aço preenchidos com concreto armado – completam a estrutura, recebendo cargas gravitacionais. Ao todo, somam-se 30 pavimentos-tipo, oito níveis de garagem, três pavimentos técnicos, pilotis, mezanino, pavimento de área comum e heliponto.

“Como foram utilizadas fachadas de vidro, inviabilizou-se o uso de contraventamentos no perímetro. Ao mesmo tempo, o bloco de elevadores e escadas tornaria a implantação de contraventamentos internos um obstáculo à passagem. Dessa forma, o núcleo de concreto rígido é a alternativa mais interessante e não traz impactos significativos ao projeto arquitetônico”, explica Alexander Galvão, consultor da Codeme, empresa responsável pelo projeto e fornecimento da estrutura metálica.

A geometria e aerodinâmica do edifício foram pensadas de forma que o vento exercesse menos esforços horizontais na edificação e, portanto, o sistema de contraventamento fosse menos solicitado. Assim, foi possível obter um núcleo de concreto armado com dimensões reduzidas. O prédio, por isso, foi posicionado na diagonal em relação à via, ficando com os fundos para o Vale do Sereno.

Nos quatro lados da fachada, um recorte é formado por meio de balanços na estrutura em aço, com extensão variável a cada pavimento. Os desencontros entre os planos da fachada geram um efeito visual que confere identidade ao edifício.

Impacto visual

Marcante nas fachadas dos quatro lados do edifício, uma espécie de fenda se desenvolve ao longo de toda a altura, formada por meio de balanços na estrutura em aço, com extensão variável a cada pavimento. Esse desencontro entre os planos da fachada, além de imprimir um aspecto visual característico – acentuado pela iluminação noturna em LED –, também funciona como ponto de tomada de ar para o sistema de refrigeração.

A fenda exigiu que quatro dos pilares periféricos ficassem inclinados entre os pavimentos 8 e 14. A ideia era que os pilares permanecessem em posição relativamente similar nos diferentes níveis, apesar da projeção. Adotando a inclinação, atendeu-se a essa condição, permitindo otimizar o espaço interno em todos os pavimentos. “Com essa solução, forças horizontais importantes surgiram nas lajes desses pavimentos. Fizemos verificações nas lajes e nos certificamos de que elas recebessem as cargas e as conduzissem ao núcleo de concreto, estabilizando o sistema”, esclarece Galvão.

À esquerda, pilares tubulares em aço e preenchidos com concreto foram posicionados na periferia dos pavimentos e recebem as cargas verticais. À direita, a obra em aço possibilitou que a montagem da estrutura e das fachadas fossem realizadas simultaneamente.

Execução mais ágil

De acordo com o arquiteto Afonso Walace, da Dávila Arquitetura, foram necessárias algumas adequações e revisões ao longo do processo construtivo. “Houve, por exemplo, uma mudança no posicionamento do acesso principal, o que gerou uma rotação de 90º em elementos de circulação”, conta.

O maior destaque durante a fase executiva, entretanto, foram as ligações entre as lajes mistas e o núcleo de concreto do edifício, feitas por meio de insertos metálicos, ancorados no núcleo ainda durante a concretagem. Conforme explica Paulo Bedê, responsável pelo projeto estrutural de concreto, a solução inovadora gerou grande economia de tempo e recursos – informação confirmada pelo engenheiro Pedro Donnard, da construtora Caparaó.

Vergalhões foram soldados ao longo da alma de um perfil U e, para não interferir no processo de execução das formas do núcleo, foi promovida a dobra e o acondicionamento em seu interior. Posteriormente, as superfícies foram escarificadas e os vergalhões foram desdobrados para o posicionamento correto na laje. Esse método possibilitou, portanto, a ancoragem das barras já na concretagem do núcleo rígido. “Isso conferiu maior velocidade. É uma técnica que certamente repetiremos em outros empreendimentos”, conclui Galvão. (E.C.L.)

Ficha Técnica

Projeto arquitetônico: Dávila Arquitetura
Área construída: 59.217,53 m²
Aço empregado: Perfis laminados ASTM A 572 GR50 (ABNT NBR 7007 AR345); Chapas de aço ABNT NBR 7007 AR350; Pilares tubulares e Steel Deck (ABNT NBR 7008 ZAR 280)
Volume de aço: 1.615 t
Projeto estrutural: Codeme Engenharia S/A e Bedê Engenharia de Estruturas
Fornecimento da estrutura de aço: Codeme Engenharia S/A
Execução da obra: Construtora Caparaó
Local: Nova Lima, MG
Conclusão da obra: dezembro de 2017

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