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À Beira-Mar

24/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho

Por Juliana Nakamura
Fotos de Divulgação

Aço supera antigos paradigmas em edifício residencial no litoral de Pernambuco

IMPLANTADO EM UMA ÁREA NOBRE da região metropolitana do Recife, em frente a uma praia com baixa densidade de ocupação e residências de alto padrão, o Deco Design Concept é um edifício residencial de quatro pavimentos, com 44 unidades, e linhas arquitetônicas contemporâneas. O prédio, com plantas que vão de 28,22 m² a 84,52 m², foi concluído em 2014, no bairro de Piedade. Trata-se do primeiro residencial design de Jaboatão dos Guararapes, fruto de uma parceria entre a construtora Tecla, o escritório de arquitetura Poligonus e a incorporadora Maxplural.

O projeto de arquitetura teve como premissa a necessidade de criar uma construção imponente, que conseguisse expressar um quê de modernidade e inovação apesar da baixa altura do prédio. Deveria, também, dialogar com o privilegiado entorno do lugar. Daí as muitas varandas e as amplas faces envidraçadas. De acordo com os arquitetos do Poligonus, a implantação e a distribuição das unidades procuraram garantir que todos os apartamentos tivessem vista para o mar.

Além de uma série de itens de luxo, como automação wi-fi, piscina panorâmica com borda infinita, spa e jardim interno, o edifício se destaca pelo uso da estrutura metálica composta por perfis de aço laminados.

Vigas compactas

Pilares e vigas em aço foram submetidos, ainda em fábrica, à galvanização por imersão a quente para garantir a qualidade e a durabilidade da edificação

A opção pela estrutura em aço se justificou nesse empreendimento por uma série de motivos. Em primeiro lugar, o projeto tinha de lidar com uma restrição de gabarito, pois o terreno está em área próximo ao aeroporto. “Tal limitação exigiu que lançássemos mão de vigas mais compactas, para não comprometer o pé-direito nos apartamentos”, explica o engenheiro Túlio Almeida Lima, da Prometal 21, responsável pelo projeto estrutural. Ele conta que no local foram utilizadas vigas mistas de aço e concreto com altura máxima de 310 mm (secundárias), de 360 mm (principais) e de 410 mm (externas).

O projeto estrutural obteve vãos de até 6,5 m e utilizou pórticos rígidos, em lugar de contraventamentos. As ligações são rígidas nos pontos principais (com chapas de topo) e flexíveis nas vigas secundárias (com cantoneiras).

A aplicação é uma mostra de que a construção em aço pode se adequar também às construções expostas a atmosferas agressivas. Para garantir a qualidade e a durabilidade da edificação, pilares e vigas de aço foram submetidos, ainda em fábrica, à galvanização por imersão a quente. O processo, capaz de garantir a integridade da estrutura por décadas, consiste na imersão das peças estruturais em um banho de zinco fundido. A laje steel deck também é composta por elementos estruturais em aço galvanizado com maior resistência à corrosão atmosférica.

O projeto do Deco Design Concept rendeu à construtora Tecla e à sua fornecedora, Galvanisa, o Prêmio Brasil Galvanizado, oferecido pelo Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ). O prêmio, concedido em 2014, busca reconhecer boas iniciativas de utilização de aços galvanizados a quente.

Obra limpa

A racionalização de recursos e das atividades no canteiro também induziu o uso do aço na construção do residencial pernambucano. “Com essa solução, a obra teve maior precisão na execução, o que implicou em menos desperdício e retrabalhos. Também tivemos menos mão de obra direta no canteiro, visto que a maior parte dos componentes foi pré-fabricada”, conta o engenheiro Rogério Castro e Silva Filho, diretor da construtora Tecla. Além da estrutura metálica, fachada com placas cimentícias e divisórias internas em drywall ajudaram a imprimir elevado grau de industrialização no canteiro.

Silva Filho conta que sua construtora começou a construir em estrutura metálica há cerca de sete anos. “No início, a resistência era muito grande, tanto pela falta de cultura como pelo ambiente agressivo que temos em Recife, pela proximidade do mar”, conta o engenheiro. “Aos poucos, essas barreiras foram quebradas, o que possibitou realizar obras de forma industrializada, com alto padrão de acabamento e com menos impacto no meio ambiente”, comemora.

“O receio de utilizar estruturas em aço em obras à beira-mar é fruto da falta de conhecimento sobre as variadas técnicas de proteção existentes”, opina Carlos Costa, gerente de negócios da Galvanisa. Ele lembra que, além da galvanização a quente, pinturas de alta resistência e os sistemas duplex, que combinam galvanização e pintura, são capazes de garantir vida longa e baixa manutenção em estruturas em aço expostas à maresia. “Se ainda assim restarem dúvidas de que o aço pode oferecer uma ótima opção estrutural para obras em áreas litorâneas, basta lembrar que os navios, que ficam o tempo todo em contato com o mar, são fabricados em aço. Não há navios de concreto”, finaliza Costa. (J.N.)

  • Projeto arquitetônico: Poligonus Arquitetura
  • Área construída: 2.802 m²
  • Aço empregado: ASTM A572 e ASTM A36
  • Volume de aço: 140 t
  • Projeto estrutural: Prometal 21 Projetos e Consultoria
  • Fornecimento da estrutura de aço: Galvanisa
  • Execução da obra: Construtora Tecla
  • Local: Jaboatão dos Guararapes, PE
  • Conclusão da obra: 2014
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