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No Balanço do Mar

17/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho de 2017

Repleto de referências marinhas e com arquitetura imponente, restaurante tira partido da leveza e vence grandes vãos ao usar o aço em suas estruturas

QUANDO INICIOU A CONCEPÇÃO do restaurante Nau, em Natal (RN), o arquiteto Leonardo Maia buscou inspiração no universo marinho. E não à toa. Com outras três unidades em funcionamento em Brasília e em João Pessoa, o restaurante especializado em frutos do mar apresenta um viés contemporâneo e elegante.

Para a unidade potiguar da rede de gastronomia, a arquitetura buscou aproveitar-se das características do terreno de 6.300 m2, em área de grande visibilidade e com declive de aproximadamente 4 m. O programa foi organizado em quatro edifícios de volumetria bem definida e formas atemporais. Segundo Maia, a ideia foi distribuir as construções respeitando a topografia local. “Criamos balanços generosos que, no caso da nave principal, faz com que o grande bloco pareça flutuar sobre um espelho d’ água”, comenta o arquiteto.

Estrutura escultural

O restaurante com capacidade para acomodar mais de 600 pessoas é composto por um bloco de administração e serviços, por um confortável lounge de entrada, um pavilhão de eventos e salão principal.

Do ponto de vista estrutural, o lounge, o salão de eventos e o salão principal têm maior complexidade. Ambos foram construídos com lajes steel deck para piso e cobertura apoiadas em vigas de aço, as quais, por sua vez, se apoiam em vigas e pilares em concreto. No lounge, o esquema estrutural misto viabiliza um vão livre de cerca de 8 m. Já no salão de eventos o vão é ainda maior, com 11 m, proporcionando um layout flexível e livre de interferências estruturais, em cumprimento às exigências dos donos do restaurante.

O salão principal, com 17 m de largura e 40 m de comprimento, tem toda sua parte frontal concebida e executada em balanços de 5,5 e de 10 m viabilizados pelo uso de vigas Vierendeel em aço. “Para facilitar a execução e permitir o funcionamento integrado entre as vigas, dois pilares temporários foram utilizados”, revela o engenheiro Sandro Valério de Souza Cabral, responsável pelo projeto estrutural do Nau. Ele conta que esses pilares foram retirados após 28 dias da concretagem do steel deck da cobertura.

No salão principal, todos os pilares internos e externos são em aço. Para assegurar durabilidade e baixa manutenção à estrutura, as peças receberam um sistema de pintura com espessura final de 325 micra e com uma camada de fundo de etil silicato de zinco.

Segundo o engenheiro Cabral, a estrutura metálica foi fundamental para garantir a geometria, a altura das vigas e os vãos livres exigidos. “Seria difícil ou até impossível obter esse resultado estético e funcional sem o uso do aço”, comenta o projetista.

Vigas Vierendeel em aço viabilizam balanços de 5,5 e de 10 m na parte frontal do salão principal, que tem 17 m de largura e 40 m de comprimento

Rede metálica

No restaurante, a busca por referências náuticas culminou no desenvolvimento de um elemento de grande plasticidade, uma malha de alumínio que faz referência às redes utilizadas na pesca.

O projeto previa que a configuração da malha fosse a mais aleatória possível, do ponto de vista geométrico, para dar a impressão de uma rede de arrasto que pousa sobre o restaurante, lembra Cabral. Para tanto, foram utilizadas técnicas de dimensionamento e detalhamento, com o mapeamento em 3D dos mais de 2 mil nós da rede.

No salão principal, junto à queda da rede de alumínio, foi construído um domus. O elemento, feito com vidros de controle térmico, assegurou iluminação e ventilação naturais ao restaurante, que conta também com amplas faces envidraçadas. (J.N.)

  • Projeto arquitetônico: Leonardo Maia Arquitetura
  • Área construída: 2.281 m²
  • Aço empregado: ASTM A572, ASTM A36 e ASTM A653 GR40 (para steel deck)
  • Volume de aço: 74 t
  • Projeto estrutural: Projectaço Projetos e Soluções Estruturais
  • Fornecimento da estrutura de aço: Projectaço Projetos e Soluções Estruturais e Vulcano Montagens
  • Execução da obra: Vulcano Montagens
  • Local: Natal, RN
  • Conclusão da obra: 2015

Por Juliana Nakamura

Fotos: Vilmar Costa

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