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10/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho de 2017

Por Nicole Lallée

Fotos: Enpro Engenharia e Projetos, Divulgação, Arquivo Fecomércio SA, Valter Pontes/Senac e Cesar Vilas Boas/Federação do Comércio

Marco arquitetônico de Salvador (BA), edifício que abriga a Casa do Comércio se destaca, desde 1988, por sua esbelta e complexa estrutura em aço.

INOVADOR E ARROJADO, o edifício da Casa do Comércio surpreende quem visita Salvador (BA). Localizado na Avenida Tancredo Neves, um dos principais pontos empresariais da cidade, o prédio é um dos grandes destaques da região por sua beleza e modernidade.

A inauguração da Casa do Comércio aconteceu em 1988 e foi um marco para a época, estabelecendo um novo diálogo com o espaço urbano. Por não se enquadrar em nenhum movimento arquitetônico ou cultural da cidade, a obra é vista, desde então, como única. “A Federação do Comércio do Estado da Bahia queria um projeto marcante com grandes vazios, poucos apoios internos, algo que simbolizasse uma marca”, explica José Luiz Costa Souza, engenheiro estrutural responsável pela obra.

Com 58 m de altura, o edifício em aço, vidro e concreto abriga em seus 11 andares as sedes da Federação do Comércio, do Sesc e do Senac, compondo importante complexo de lazer, cultura, arte e serviços para a população. Não à toa, ao projetar o edifício, a principal preocupação dos arquitetos Jader Tavares, Othon Gomes e Fernando Frank foi propor um edifício com linhas arquitetônicas esbeltas e áreas harmoniosas, com foco no uso distinto das entidades lá abrigadas. E foi assim que, junto a Deraldo Motta, então presidente do Sesc/Senac Bahia, os arquitetos vislumbraram o prédio todo em aço e vidro e com grandes vãos, um novo marco arquitetônico para simbolizar a expansão e o dinamismo do comércio de Salvador.

Por ser uma obra atípica, a construção exigiu estudos específicos de montagem e várias atividades de ordem técnica. O sistema estrutural misto de aço e concreto adotado no projeto foi, à época, pioneiro no Brasil e ainda hoje chama a atenção.

O engenheiro Souza conta que as propriedades do aço foram essenciais para a viabilização do projeto. Na obra, um aço de alta resistência, do tipo patinável, foi utilizado, permitindo que o projeto fosse executado de forma inovadora e precisa. “A estrutura da Casa do Comércio foi pensada como duas torres que sustentam uma sucessão de pontes sobrepostas. Elas trabalham entre si e as partes longitudinais e transversais se movimentam separadamente. São apoiadas em sistemas fixos e móveis, mantendo íntegro o sistema estrutural”, explica Souza.

Inaugurado em 1988, o edifício é um marco na arquitetura da região, reconhecido pelo pioneirismo e modernidade de sua concepção

  • Projeto arquitetônico: Fernando Frank, Othon Gomes e Jader Tavares
  • Área construída: 15.774 m²
  • Aço empregado: aço de alta resistência e baixa liga ASTM A441, patinável LE = 350 MPa
  • Volume de aço: 975 t
  • Projeto estrutural: Enpro Engenharia e Projetos Ltda.
  • Fornecimento da estrutura de aço: CSN (Companhia Siderúrgica Nacional)
  • Execução da obra: OAS
  • Local: Salvador, BA
  • Conclusão da obra: 1987

As estruturas metálicas se desenvolvem ao redor das torres, apoiadas em consoles de concreto e vencem um vão de 30 m com treliças longitudinais e transversais interligadas entre si. As treliças são constituídas de duas seções: uma de 700 x 300 mm e outras de 300 x 300 mm, ambas em espessuras diversas, conforme a exigência estrutural. “A uniformização de apenas duas seções propiciou uma grande economia na execução.”

As treliças metálicas são fechadas por painéis de vidro, que dão uma volumetria diversificada à obra. Para garantir um espaço mais confortável e agradável visualmente, os arquitetos acrescentaram jardins suspensos nos andares do edifício.

Obra inovadora

Durante a obra, as estruturas metálicas foram transportadas em tramos para serem soldadas no canteiro e montadas com gabaritos metálicos. A execução das torres e das lajes mistas foi desenvolvida no local, uma vez que a tecnologia até então conhecida não era suficiente para um projeto de tamanha dimensão.
Antes mesmo de concluída, a obra despertou a atenção de técnicos especializados de outros países, sendo, inclusive, citada em revistas estrangeiras por sua beleza arquitetônica e estrutural. (N.L.)

As estruturas em aço apoiadas nas torres de concreto vencem um vão de 30 m e configuram os 11 andares do edifício, com fechamento em vidro

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