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Fábrica Itinerante

10/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho de 2017

Por Nathália Ruiz

Fotos: Formatto, Divulgação, Tensor Estruturas

Construído em apenas 45 dias, galpão destinado à produção de elementos para usinas de energia eólica ganha caráter móvel ao ser projetado em arcos de aço com fechamento em lona tensionada.

A estrutura em arcos de aço treliçados possibilitou um vão de 40 m, favorecendo a movimentação das torres eólicas de grande porte

  • Projeto arquitetônico: Aurion Arquitetura e Urbanismo
  • Área construída: 5.200,40 m² > Aço empregado: perfis de aço patinável ASTM A588
  • Volume de aço: 87 t
  • Projeto estrutural: Tensor Estruturas Especiais e Tecnologia
  • Fornecimento da estrutura de aço: Hispano Estruturas Metálicas Ltda.
  • Execução da obra: Tensor Estruturas Especiais e Tecnologia
  • Local: Parazinho, RN (as estruturas estão em Juazeiro, na Bahia, desde 2015)
  • Conclusão da obra: 2011

A WOBBEN WINDPOWER PRODUZ aerogeradores de grande porte, torres e componentes para usinas de geração de energia eólica. De origem alemã, a empresa é uma das líderes mundiais nesse segmento e tem operação no Brasil desde 1995. Para a implantação de uma unidade fabril localizada inicialmente na cidade de Parazinho (RN), o escritório Aurion Arquitetura e Urbanismo foi convidado, em 2011, a conceber uma solução que pudesse abrigar a produção e movimentação das enormes torres eólicas, mas que, ao mesmo tempo, favorecesse a transferência da unidade para a cidade de Juazeiro (BA), já prevista para ocorrer três anos depois.

O desafio de conceber uma composição de fácil desmonte, cujas peças pudessem ser adequadamente transportadas por 900 quilômetros de malha rodoviária sem perda de material, foi um dos motivos que levaram o escritório de arquitetura a optar pelo sistema de tensoestrutura. “Buscamos produzir um resultado minimalista e extremamente simples, no qual a arquitetura e as estruturas estivessem integradas”, explica o arquiteto Herbert Rocha, do Aurion Arquitetura e Urbanismo.

No galpão, de 24,5 m de altura por 110 m de comprimento, 12 arcos de aço treliçados e recobertos por membranas tensionadas conferem ao conjunto uma forma semicilíndrica e vencem um vão de 40 m, viabilizando o transporte de peças em concreto na unidade fabril. A solução adotada, na opinião do engenheiro estrutural Paulo André Barroso, coordenador e responsável técnico da Tensor Estruturas, foi a ideal para fazer frente aos requisitos do projeto, que precisaria ser desmontado periodicamente e realocado em um local diferente, para atender à demanda de usinas eólicas em implantação em diferentes regiões. “As peças em concreto são grandes e pesadas e não poderiam ser desmontadas e transportadas por estradas sem perdas. Por isso, as estruturas em aço recobertas com membranas tensionadas se mostraram o casamento perfeito para a obra em questão”, diz Barroso.

A alternativa encontrada também veio ao encontro dos desejos do cliente, que buscava uma solução eficaz que o ajudasse a reduzir os custos e o prazo da construção. Com o aço e as membranas tensionadas foi possível entregar a unidade fabril em apenas 45 dias.

Além do galpão principal, apoios de portaria, escritórios, vestiários, refeitório, laboratórios, central de utilidades, almoxarifado e oficina também integram o projeto, mas na forma de contêineres em aço.

Projetadas de forma independente, as edificações podem ser dissociadas do galpão central sem prejuízos à obra. Prova disso é que o almoxarifado utilizado em Parazinho hoje está sendo usado em outro projeto da Wobben, no Uruguai.

Galpão de 24,5 m de altura por 110 m de comprimento foi construído a partir de 12 arcos de aço treliçados e, depois de três anos, foi desmontado e transferido de local, sem perda de material

Desperdício zero

O uso das estruturas em aço contribui para maior sustentabilidade na construção civil, na medida em que possibilitam seu reaproveitamento, além de serem infinitamente recicláveis. O fornecimento de matéria-prima na medida certa, característica da construção em aço, também auxilia na otimização dos custos da obra, que dispensa um grande canteiro e reduz a necessidade de mão de obra in loco.

Para a construção da fábrica da Wobben em Parazinho, 87 toneladas de aço foram usadas no galpão e almoxarifado. As peças metálicas foram pré-fabricadas e entregues prontas para montagem no local da obra, realizada de forma rápida e simplificada com auxílio de equipamentos convencionais, como guindastes e muncks. (N.R.)

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