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Entrevista: O aço na Arquitetura

03/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho de 2017

Por Eliane Quinalia

Daniel Montenegro Arruda se formou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1997, e desde 2000 está à frente da Daniel Arruda Arquitetura, onde atua na concepção de projetos institucionais, comerciais e residenciais. Sua atuação se concentra nas regiões Nordeste e Norte do Brasil, com projetos que chamam a atenção pela estética arrojada e futurista. Em entrevista, Arruda comenta o cenário arquitetônico nacional e fala sobre o uso aço no Brasil.

Arquitetura&Aço – Os projetos de sua autoria seguem uma estética arquitetônica futurista comum em cidades como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O que o inspira nessas criações?

Daniel Montenegro Arruda – A inspiração está em sempre elaborar edifícios inovadores. Essa é a nossa forma de ver e projetar a arquitetura. Para isso, busco pesquisar e viajar pelo mundo à procura de novas tecnologias e ideias. O papel da arquitetura e do arquiteto perante a cidade e a sociedade é de extrema importância, e por isso os projetos de minha autoria são elaborados para ir além da boa funcionalidade e eficiência construtiva. As obras precisam ser belas e marcantes, afinal são como esculturas em aço e concreto que marcam o skyline e o seu entorno por anos, alcançando várias gerações.

AA – As concepções arquitetônicas com esta estética identificada como “futurista” ainda são relativamente novas aqui no Brasil. O senhor acredita que esse cenário está mudando em nosso país?

DMA – O cenário brasileiro está mudando, é fato. E já conseguimos quebrar muitos dos paradigmas do passado em relação à concepção arquitetônica. O mundo e a sociedade estão em constante evolução e a arquitetura reflete diretamente esse movimento. O fato de já conseguirmos elaborar projetos inovadores e futuristas dentro da nossa realidade de mercado – considerando mão de obra, tecnologias existentes e o custo para a execução dos projetos – é prova disso. Obviamente, ainda existem desafios a ser vencidos nesse cenário, mas acredito que o mercado nacional está preparado para receber obras de grandes dimensões.

AA – Esses projetos, em geral, trazem a necessidade de sistemas construtivos modernos. Na sua opinião, o aço tem tido um papel importante nesse tipo de concepção?

DMA – A busca de novos sistemas construtivos é uma realidade e uma necessidade na arquitetura, não apenas em projetos futuristas. E o aço tem um papel fundamental nas soluções arquitetônicas e de engenharia desses projetos. A versatilidade do material permite que o arquiteto explore formas e concepções plásticas ousadas. O edifício comercial BS Design, que conta com uma ponte com vão livre de 35 m e está sendo construído em Fortaleza (CE), é um exemplo disso. Sem o aço, conceber tal estrutura seria impossível do ponto de vista financeiro, afinal a obra ficaria muito onerosa, elevando o valor de venda do empreendimento Considerando o mercado atual, mais especificamente no Nordeste, é correto afirmar que as estruturas em aço estão sendo cada vez mais aceitas pelos clientes (institucionais e pessoas físicas) que contratam profissionais de arquitetura para idealizar suas obras? 

DMA – Com certeza. Em nossos projetos, cada vez mais utilizamos as soluções metálicas no lugar das soluções convencionais. No mundo todo, as soluções metálicas já são adotadas em vários tipos de obras há anos. O Brasil ainda está defasado nesse quesito, mas está evoluindo e essa realidade está mudando. Como os clientes precisam de obras rápidas, produtivas, sem desperdícios e que não gerem retrabalho, o mercado está se adaptando e aprendendo a utilizar melhor o aço nos empreendimentos. 

AA – Na sua opinião, o que o aço agrega de mais positivo à viabilização de projetos?

DMA – Sua versatilidade e durabilidade são as principais características positivas do material. Com ele, podemos idealizar um projeto com muito mais liberdade de forma e função, além de alcançar soluções plásticas e volumétricas inovadoras.

AA – Considerando o mercado da região Nordeste, o fato de muitas obras estarem localizadas em áreas litorâneas interfere de algum modo na adoção da construção em aço?

DMA – O uso do material com tratamento especial para resistência à corrosão é perfeito para áreas litorâneas, nas quais a incidência de salinidade e ventos fortes é recorrente. A existência e conhecimento desse recurso, aliás, é um dos principais fatores que está levando o aço a ser amplamente utilizado em muitas obras aqui no Nordeste do Brasil. 

AA – E como o senhor avalia as condições do mercado da região Nordeste, especificamente, para atender aos projetos com estruturas em aço?

DMA – Temos projetistas capacitados, mas o mesmo não ocorre com a nossa mão de obra e alguns fornecedores. Nos projetos que estamos desenvolvendo no Norte e no Nordeste do país, o projetista de estrutura metálica normalmente é da região, mas em diversos casos os fornecedores, fabricantes de estruturas e mão de obra contratada são de outras áreas do Brasil. Do meu ponto de vista, é uma necessidade central melhorar a capacitação de nossa mão de obra. Mas vejo isso como um movimento natural, que será alcançado com o incremento do uso das soluções metálicas nos novos projetos de arquitetura.

AA – De uma forma mais ampla, o senhor considera que o mercado brasileiro está preparado para atender às necessidades de projetos arquitetônicos inovadores e de grandes dimensões? Estamos prontos para exercer as práticas mais avançadas ou estamos ainda muito atrasados em relação a outros países? 

DMA – Infelizmente, ainda temos algum atraso em relação a outros países, especialmente quando pensamos em processos construtivos. Devido à pouca capacitação de nossa mão de obra, algumas empresas têm restrições em adotar novos sistemas construtivos. Aos poucos, porém, esta mentalidade também está mudando para poder atender a essas concepções arquitetônicas. Sem dúvida, as empresas terão de buscar, cada vez mais, novas tecnologias para se adequarem às exigências do mercado e para conseguirem reduzir seus custos de obras.(E.Q.)

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