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Terminal à vista

03/08/2017 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 49 – Junho de 2017

Por Eliane Quinalia

Fotos: Joana França, Divulgação, Márcio Shimamoto, Exata Construtora Licínio Corrêa Jr., MDB Arquitetura, Hispano Estruturas Metálicas, Washington Pinheiro e Audelis Jr.

Ao lado do Porto do Mucuripe, em Fortaleza (CE), Terminal Marítimo estruturado em aço recepciona os turistas com design elegante.

UMA CONSTRUÇÃO NA ORLA DE FORTALEZA, mais precisamente ao lado do Porto do Mucuripe, tem chamado a atenção dos turistas que desembarcam na tranquila Praia Mansa não só por suas dimensões, mas, especialmente, por suas bonitas formas, definidas por esbeltas estruturas em aço. Inaugurado em 2015, o Terminal Marítimo de Passageiros da capital cearense foi idealizado pelo escritório Architectus S/S como uma espécie de novo cartão de visitas da cidade – reconhecida por receber cruzeiros marítimos de todo o mundo nos meses mais quentes do ano – e também para abrigar eventos privados no período de menor movimentação portuária, na baixa temporada.

Por ser rota quase obrigatória e primeira parada de muitos dos navios vindos da Europa e dos Estados Unidos, a construção não deveria carregar simbolismos, mas se mostrar impactante o suficiente para marcar o primeiro contato com a cidade. “A Secretaria de Portos, junto à Companhia Docas do Ceará, contratante direta da licitação, solicitou uma estrutura marcante que evidenciasse o posicionamento do país para o visitante internacional. Por isso, optamos por algo dinâmico, geométrico e não orgânico, cujo conceito construtivo pudesse ser executado em curto prazo”, explica o arquiteto Ricardo Saboia, que viu na estrutura metálica o sistema construtivo mais adequado para atender parte das exigências em questão.

No terminal, que ocupa 9.620,20 m2 de área construída, 157,4 toneladas de aço foram utilizadas. “Como os espaços deveriam viabilizar rearranjos de layouts para atender tanto as operações de desembarque dos transatlânticos como os eventos privados, partimos de uma modulação estrutural construtiva de 1,2 m, com vãos transversais de 8,4 m e eixos longitudinais de 12,6 m no projeto.”

A área de operação marítima localiza-se no pavimento térreo e é formada por um saguão principal, que pode ser dividido em três segmentos por meio de divisórias articuladas. Os espaços multiuso, que incluem auditório, espaço cultural, bares e restaurantes, por sua vez, concentram-se no andar superior, enquanto o último pavimento é destinado às áreas técnicas. “No térreo, temos uma estrutura moldada in loco com vigas protendidas e lajes nervuradas, e no andar superior, uma estrutura metálica com treliças planas e cobertura com sistema de manta termoplástica”, detalha Saboia.

O arquiteto esclarece, ainda, que o sistema metálico mostrou-se imprescindível para a criação de espaços contínuos. “Enquanto os pilares em V em aço nascem dos pilares em concreto e se espaçam para receber, de forma uniforme, as vigas transversais da cobertura, as vigas de arremate longitudinais acompanham a inclinação da coberta, unindo o desenho à base rígida em concreto.”

Um projeto desafiador

Por se tratar de uma obra de grandes dimensões em uma área costeira, muitos foram os desafios a ser vencidos, além da pressão em função do prazo exíguo, de apenas seis meses, para a entrega do Terminal, conforme aponta Saboia. “Para garantir a qualidade da estrutura metálica com vãos de grandes dimensões e localizada em uma área de agressividade marítima III, dedicamos atenção especial às soldas e proteção das estruturas, que receberam um sistema de pintura bicomponente epóxi-poliéster com 450 micras de espessura seca”, diz o arquiteto.

A fachada do piso térreo é compostapor uma pele de vidro do tipo structural glazing. No pavimento superior, destacam-se os montantes metálicos atirantados na laje de piso e nas vigas metálicas da cobertura

Cuidados contra intempéries também foram necessários, especialmente na cobertura. A estrutura metálica de geometria simples e modular, que inicialmente possuía uma dupla curvatura da coberta – longitudinal e transversal –, foi alterada para evitar que os perfis fossem calandrados. “Apenas foram calandrados os da parte sul dos brises, o que trouxe ganhos de custo e tempo. A medida também reduziu a altura no fim do balanço, aumentando a proteção do vidro”, diz Saboia.

No andar superior, a estrutura metálica formada por treliças planas recebeu cobertura com sistema de manta termoplástica

Outro desafio técnico era drenar a água da chuva da coberta. Com a ajuda do projetista, calhas transversais foram posicionadas em pontos escondidos da estrutura. No balanço, uma calha final, capaz de concentrar a água e permitir o seu escoamento por meio de uma chapa perfurada, também foi dimensionada evitando, com isso, dutos de descida.

Em função da elevada velocidade média dos ventos no local, de 25 a 35 km/h, quase 42% dos setores essenciais do edifício receberam ventilação natural. O aproveitamento da luz solar também foi importante para a construção que recebe, na fachada do térreo, uma pele de vidro do tipo structural glazing e, no pavimento superior, montantes metálicos atirantados na laje de piso e na vigas metálicas da cobertura. (E.Q.)

  • Projeto arquitetônico: Architectus S/S
  • Área construída: 9.620,20 m²
  • Aço empregado: perfis soldados conformados a frio SAC 300 e laminados ASTM A572 GR50
  • Volume de aço: 157,4 t
  • Projeto estrutural: RCM Engenharia de Estruturas
  • Fornecimento do aço: Hispano Estruturas Metálicas Ltda.
  • Execução da obra: Consórcio Constremac Serveng e Civilsan
  • Local: Porto de Mucuripe, Fortaleza, CE
  • Conclusão da obra: 2015

A área de operação marítima localiza-se no pavimento térreo. No piso superior, espaços multiuso incluem auditório, espaço cultural, bares e restaurantes

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