22/06/2012 | Notícia | Revista Arquitetura & Construção - Junho 2012

A rua estreita e discreta bem que poderia estar numa cidade pequena. Mas fica no coração boêmio de São Paulo, entre os movimentados bairros de Pinheiros e Vila Madalena. Nesse cenário improvável, uns poucos pares de tapume cobriam os 8 m da frente de um terreno vazio e quase plano, de 192 m². Sem prédios nos arredores para atrapalhar a vista, o lugar animou o arquiteto Tito Ficarelli a construir sua casa. Depois de quatro meses de uma obra bem planejada (confira as fases na pág. 61), que empregou basicamente estrutura metálica e blocos de concreto, Tito se mudou para lá. Levou apenas uma mala, o baixo e a bicicleta. "O lugar ganhou personalidade aos poucos. Desenhei móveis e objetos, e me presentearam com outras peças", explica ele, que reservou quase 40% do lote para o jardim. Dai os grandes vãos com esquadrias envidraçadas: eles integram os ambientes internos ao verde lá fora, multiplicando a área da construção.
O vão livre de 7,60 m resulta de dois fatores: vigas metálicas de 30 cm de altura (produzidas pela Aço e Ferro Guilherme e montadas pela Iron Logic) e preenchimento da laje pré-moldada (Lajes Itaim) do piso superior com isopor, o que a deixou mais leve. O piso, feito na obra, emprega partes iguais de cimento cinza e cimento estrutural branco. Nas paredes, blocos de concreto da RIC.
As ideias brotaram e ganharam forma sob a presença vigilante do proprietário, que adotou o conceito de flexibilidade em cada detalhe construtivo ou de acabamento. "Tudo foi pensado para se ajustar facilmente a qualquer realidade, seja morando sozinho, como agora, seja com mais gente ou até com crianças. A estrutura metálica, o fechamento com blocos de concreto e as instalações hidráulicas concentradas em apenas um canto são os únicos itens fixos. Posso mudar todo o restante sem quebra-quebra", diz Tito Ficarelli. A ausência de divisórias amplia consideravelmente os espaços. O que não impede de, no futuro, criar paredes entre os ambientes. A teoria se estende ao mobiliário: modular e com rodízios, também é ajustável.
Na cozinha (acima, a esq.), o móvel de compensado 30 mm revestido de Formica (cod. L101) ora faz o painel de bancada, ora de aparador. Acima, a escada desenhada pelo arquiteto foi executada em duas partes. A primeira, fabricada com freijó pela M3 Marcenaria, também funciona como estante dos dois lados. "Solta, a peça pode ser encostada na parede e mudar a forma de circulação." A parte de aço (Jet Calhas) recebeu esmalte sintético brilhante Coratit (Coral).


A área intima se concentra no piso superior. Seguindo o conceito da flexibilidade, o quarto pode, a qualquer momento, ser dividido em dois. No banheiro, sem janelas, a iluminação vem do alto, enquanto a farta luz natural que entra pela varanda e pelo acesso a escada dispensa o acionamento de luminárias durante o dia. O terraço que funciona como extensão da sala no térreo se repete em cima. Mas, aqui, o arquiteto estendeu parte da esquadria (ao lado da cama) até o limite da laje. "Isso dá movimento á fachada e ainda deixa o quarto com 1,60 m a mais de largura. Não perco a sensação de amplitude e tenho a escolha de ficar ao ar livre ou dentro de casa contemplando o mesmo cenário", afirma Tito.

Diante da escada, o banheiro deixa aparentes apenas as vigas metálicas. Ladrilhos hidráulicos (20 x 20 cm) da Dalle Piagge cobrem parede e piso da área do boxe. O mesmo revestimento de cimento queimado do quarto e da sala também esta no chão, na frente da pia. A bancada de Silestone rojo eros é da Fremar. Embaixo dela, uma placa de OSB fecha o espaço destinado a um futuro gabinete. Colado na parede, o espelho sobre a bancada preenche todo o vão que vai da porta ate o boxe (1,76 m).

Reportagem: Daniela Hirsch
Visual: Eliana Medina
Design: Manoel Vitorino Junior
Fotos: Gabriel Arantes
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