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Estruturas tubulares na construção civil

17/05/2012 | Notícia | Revista Tubo & Cia - Abril 2012


O uso desse material cresce e ele é cada vez mais usado em vários tipos de construções por ser decorativo prático e durável.

Há muito as estruturas tubulares vem sendo utilizadas em larga escala no setor da construção civil, contudo, esse material tem ganhado um status mais nobre que outrora. Essas estruturas podem ser aplicadas de varias formas, como elemento estrutural, uti­lizado na construção de andaimes, no escoramento de vigas e nas estruturas tornando-se peças decorativas. Além da condução de fluidos, utilizado no transporte de gás, água fria ou quente e na proteção de fios.

O uso das estruturas tubulares de aço na construção civil cresce significativamente no Brasil, por oferecer de forma econômica, maior resistência a altas solicitações de cargas axiais, torção e efeitos combinados, graças a sua geometria, oferecendo soluções estruturais leves e econômicas.

Entre as inúmeras vantagens, a estrutura metálica tubular oferece grandes vans livres com significativa redução do número de pilares, maior velocidade de construção, diminuição dos custos de gerenciamento do canteiro de obras e antecipação do retorno de capital, já que a construção passa a ser regida por um sistema de montagem industrial de alta precisão.

A utilização delas na finalização de projetos arrojados e como peça chave para o design contemporâneo tem trazido para o Brasil empresas gigantes neste setor, como a V&M, uma das maiores produtoras do mundo de aço sem costura.

A empresa aposta cada vez mais no mercado da construção civil e apresenta novos produtos como tubos estruturais com diversos tipos de aços que oferecem resistências adequadas, tubos especiais feitos com aços patináveis (anticorrosivos) e os tubos de seções quadradas e retangulares.

Esse é sem dúvida um grande nicho de mercado, que emprega anualmente algo em torno de 15 mil pessoas e fatura cerca de R$ 1 bilhão. Sem contar a amplitude, já que as estruturas tubulares também permeiam diversos outros setores, como o petroquímico, moveleiro, automotivo e transporte, entre outros.

Segundo Afonso Henrique Mas­carenhas de Araújo, engenheiro sênior (Chief Experto/Product Application) da V&M do Brasil, o mercado de tubos estruturais no Brasil ainda esta em desenvolvimento. "Este mercado requer muita atenção por parte dos fabricantes de tubos de aço por ainda ser pouco conhecido, com tecnologia pouco divulgada e desprovido de norma nacional. 0 investimento e alto, já que é necessário divulgar a tecnologia para os profissionais do Pais, sejam eles professores, arquitetos, engenheiros, fabricantes de estruturas etc.", afirma.

Apesar da crise econômica que vem assustando o mundo desde o final de 2008, o Brasil e um dos países que menos tem sofrido impacto financeiro. As boas expectativas para 2012 têm atraído investimentos estrangeiros em muitos setores e a bola da vez é a construção civil. Júlio Monte Carlo, economista graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e filiado ao Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), conta que, com a proximidade de grandes eventos esportivos que acontecerão no Pais — Copa do Mundo de 2014 e Olímpiadas em 2016 — combinados com o boom imobiliário brasileiro e a crise na Europa e nos Estados Unidos, tem sido cada vez mais evidente o interesse de bancos, empresas e fundos de pensões estrangeiros em investir em ações ligadas à construção civil no Brasil. "Os potenciais investidores apostam sempre em mercados mais seguros, como o europeu e o americano. Mas a crise esta fazendo muito bem ao nosso mercado e os investimentos estão tomando seu rumo em direção aos países emergentes, mas que possam oferecer alguma segurança. E o Brasil encaixa-se em todas essas características", afirma o economista.

Alta tecnologia

O engenheiro da V&M do Brasil lembra que a indústria é uma das mais modernas siderurgias integradas do mundo. "Produzimos tubos de aço sem costura a partir de energia e matéria-prima fornecidas pelas subsidiarias V&M Florestal e V&M Mineração. Um processo de produção autossustentável que credencia seus produtos como tubos verdes", orgulha-se Araújo.

O profissional lembra que ao longo do tempo, a indústria vem diversi­ficando o campo de aplicação de seus produtos. "Tanto é que recentemente foi agregada a sua produção a linha de itens voltados a construção civil, os tubos estruturais, que já são amplamente utilizados nos países desenvolvidos. Possuímos um setor para apoio técnico, que trabalha com arquitetos, engenheiros e fabricantes, buscando viabilizar projetos com o uso das estruturas tubulares por meio de consultorias, palestras, cursos etc. Desenvolve também um amplo projeto de pesquisa e desenvolvimento com universidades, a fim de disseminar a tecnologia da construção tubular".

O engenheiro Afonso Henrique Mascarenhas de Araújo lembra ainda que uma nova norma sobre estruturas tubulares encontra-se em fase de discussão na ABNT. "Um livro técnico sobre estruturas tubulares esta em fase de produção, ou seja, esta sendo feito um grande esforço em busca do crescimento tecnológico da engenharia nacional. A referida norma complementa as prescrições da ABNT NBR 8800, atende a todos os tipos de perfis tubulares (com ou sem costura, circulares ou retangulares, tratados termicamente ou não), fornecendo procedimentos para a analise estrutural de treliças, ligações, base de pila­res, pilares mistos e soldas".

A escolha do tipo de tubo adequado para uma determinada aplicação sempre um sistema complexo e envolve diversos conhecimentos como, aspectos de corrosão e contaminação, meio em que se encontra, temperatura, pressões de trabalho, resistência mecânica, aspectos de acabamentos internos e superficiais e grau de segurança.

Segundo Jose Adolfo Siqueira, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), o sucesso de uma construção se deve, principalmente, a escolha de produtos de qualidade que possuem certificação e que obedeçam às normas de montagem.

As consequências da utilização ou montagem inadequada de tubos de condução de fluidos podem causar sérios riscos, desde prejuízos materiais devido ao rompimento de produtos de má qua­lidade que lido se encontram dentro das normas técnicas ou, ate mesmo, perda de vidas devido a possíveis explosões de tubulações de gás, se não forem instaladas adequadamente ou com diâmetros incorretos fazendo com que haja pressões elevadas nas estruturas dos materiais. "Não se pode cortar custos que são vitais no momento da escolha de tubos. E necessário que sejam de origem conhecida e obedeçam as normas técnicas estabelecidas", afirma Jose Adolfo Siqueira.

Nos tubos estruturais, a utilização de materiais inadequados podem cau­sar oscilações na estabilidade da estrutura da obra com necessidade de reparos posteriores, podendo chegar até, na queda da construção, causando risco as pessoas que circulam, pelo local.

Vantagens de estruturas tubulares de aço

As estruturas de tubos, quando instaladas na construção civil, apresentam diversas vantagens. E a cada dia que passa vemos nascer mais uma estrutura deste gênero. Elas podem ser vistas frequentemente em países desenvolvidos, tendo em conta a grande eficácia des­ses materiais. Para além de um aspecto visual muito atrativo, estas estruturas constituídas por tubos, pelo seu formato geométrico, sendo estas as mais utilizadas devido sua resistência a grandes cargas, torção e o efeito combinado desses dois. Pois se traduzem em um aspecto de maior arrojo e mais modernidade a um custo muito atrativo.

Com esses tubos de aço é possível a execução das mais diversas obras, com soluções leves e muito econômicas, tendo em conta a sua elevada resistência e o seu peso, bastante baixo. O planejamento das obras e os orçamentos mais precisos são possíveis, pois a construção passa a ser de alta precisão, deixando de existir os desperdícios resultados de improvisações, alterações e adequações, muito comuns nos métodos mais normais de construção. A utilização de estruturas tubulares permite a otimização e o emprego de modernas técnicas de administração de materiais, reduzindo assim, os riscos de desvios e desperdícios.

Outra das razões pelas quais estes tipos de estruturas tem custos inferiores a construções convencionais é porque, possuem uma menor área de superfície, o que leva a menores custos de pintura, proteção contra fogo, entre outras. Também desta forma os custos de manutenção são inferiores. Um dos exemplos de construção desse gênero no Brasil são as piscinas cobertas de Curitiba.

Esses tubos de aço não são só úteis na construção de estruturas tubulares, mas também na ajuda da construção destes, pois os andaimes de apoio também são fabricados através destes tubos e segundo uma serie de normas especificas e rigorosas. E de modo a garantir a qualidade desses andaimes e a sua correta adequação a todas as normas de fabrico, os tubos são inspecionados milimetricamente. Para isso é utilizado um micrometro especial, que é um instrumento de medição, utilizado para verificar a espessura da parede dos tubos. Se esses tubos tiverem variações de 0,2 mm em relação a espessura que se pretende isso é suficiente para que esse material seja automaticamente reprovado.

A fabricação das estruturas

A fabricação desses tubos de aço deve seguir o rigor de todas as normas de concepção desses materiais para garantir a qualidade e seguranças dos mesmos. Pois deles dependem a segurança de bens e pessoas. Pois dada o aumento crescente do recurso a esses tubos de aço, também aumentam as normas e inspeções necessárias em sua produção.

O engenheiro da V&M do Brasil lembra que as estruturas metálicas tubulares são constituídas basicamente por tubos de aço. "Também podem ser agregados outros produtos, que, associados a esses tubos, produzem a estrutura desejada. Os materiais mais comumente empregados nessa associação são as chapas de aço, outros perfis laminados e/ou soldados e o concreto", acrescenta Afonso de Araujo.

O trabalho conjunto e solidário do aço com o concreto é conhecido como estrutura mista. Os tubos estruturais geralmente possuem seção transversal circular ou retangular.

Os tubos de seção transversal circular podem ser produzidos pela perfuração de uma barra maciça de aço de seção circular (tubos sem costura) ou pela conformação e soldagem de chapas de aço (tubos com costura). Os tubos sem costura são provenientes da laminação a quente das barras maciças de aço, gerando assim um produto sem emendas e uniforme em toda a sua extensão e na seção transversal.

Por ter sua massa uniformemente distribuída em torno de seu eixo longitudinal, esse resfriamento é homogêneo ao longo de toda seção transversal e de seu comprimento, não existindo assim valores significativos de tensões residuais no tubo, proveniente dos gradientes de temperatura.

Afonso Mascarenhas de Araújo esclarece que esse processo de produção com resfriamento homogêneo garante um Ótimo desempenho na resistência à compressão. "Além disso, os tubos de seção circular, por sua geometria, possuem sua massa uniformemente distribuída ao longo de seu eixo longitudinal, o que lhes propicia propriedades geométricas iguais em relação a todos os eixos baricêntricos da seção transversal", esclarece.

O engenheiro complementa afirmando que os tubos com costura de seção circular também possuem propriedades geométricas iguais em relação a qualquer eixo baricêntricos da seção transversal. "Porem, possuem um nível de tensão residual mais elevado, em função do processo de fabricação. Por esse motivo, conceituadas normas internacionais fornecem para eles capacidade resistente a compressão num pouco inferior a do tubo sem costura".

Os tubos retangulares (o quadrado um caso particular do retangular), normalmente são produzidos pela conformação a frio dos tubos de seção circular. "Esse processo de produção também introduz um alto nível de tensões residuais nos tubos, razão pela qual, para esforços de compressão, a capacidade resistente se torna um pouco inferior. Caso esses tubos sejam tratados termicamente, esse nível de tenses residuais e reduzido a níveis dos tubos sem costura e esses assim serão considerados", acrescenta Araújo.

As estruturas mistas apresentam ótimo desempenho quando bem projetadas e são muito atrativas quando o bem conceituadas. "Esse e o caso dos pilares tubulares preenchidos com concreto, no qual o concreto interno ao tubo, além de elevar significativamente a resistência, propicia proteção contra incêndio. Essa tecnologia tem sido empregada por empresas fabricantes de estrutura metálica de ponta no Brasil, fornecendo excelentes resultados. Outo tipo de estrutura mista e a empregada em vigas de grande vão, onde a laje de concreto e ligada a um perfil tubular por meio de conectores de cisalhamento e juntos, laje e perfil tubular, resistem aos esforços de flexão", explica Araújo.

Essa solução tem sido usada com frequência em edificações e recentemente foi empregada na reforma do estádio Governador Magalhaes Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte. O projeto prevê que a laje de cobertura existente seja ligada a uma nova estrutura metálica tubular, a qual, depois de devidamente soldada, pro­piciara uma ampliação do balanço de cobertura em 26 metros, passando seu vão para 54 metros.

Normas e tendências

A norma ABNT NBR 8800 abrange a fabricarão de estruturas metálicas de uma forma geral. O caso especifico de soldas de perfis tubulares e apresentado no projeto de norma em discussão na Comissão de Estudos do CB2, da ABNT. "Espera-se que este ano já tenhamos mais essa ferramenta fundamental para o crescimento tecnológico nacional. Existe também uma norma Petrobras N-293 "Fabricarão e montagem de estruturas metálicas" que versa sobre a fabricação de estruturas, porém, trata-se de norma de uso interno sendo vetada qualquer reprodução para utilização ou divulgação externa, sem a previa e expressa autorização da empresa", lembra o engenheiro da V&M do Brasil.

O processo produtivo das empresas fabricantes de estruturas metálicas de ponta é todo certificado, como esclarece Afonso Henrique: "A certificação é iniciada nos materiais, sejam chapas, tubos, parafusos, eletrodos e todos os outros que farão parte da estrutura. Os profissionais que trabalham na fabricação também devem ser certificados e para as estruturas tubulares, os soldadores devem atender a uma classificação especial. O processo de fabricação é acompanhado por inspetores que também são profissionais qualificados e garantem a qualidade da execução dos métodos e processos aplicados na produção do produto. Todo esse processo para garantir a qualidade da fabricação da estrutura introduz um custo ao processo produtivo e esse é um dos grandes diferenciais do preço final", afirma.

A norma complementar ABNT NBR 8800 pretende cobrir as lacunas ainda existentes no projeto, fabricação e montagem, de estruturas metálicas tubulares, abordando aspectos peculiares aos tubos, com grande foco nas ligações tubulares, estruturas mistas e soldas. "Nesse quesito especificamente, um anexo inteiro é apresentado sendo aplicável as ligações soldadas apresentadas a mesma. Assim, uma norma brasileira de estruturas tubulares irá esclarecer pontos ainda não abordados na ABNT NRB 8800, tratando desde as questões menos familiares aos projetistas, como as relativas as ligações, até situações muito corriqueiras, como as das barras axialmente tracionadas e comprimidas, de modo compatível com as demais normas brasileiras. Dessa forma, contribuição para o correto emprego da tecnologia, tanto para estruturas tubulares convencionais quanto mistas", explica Afonso de Araújo.

A utilização de estruturas tubulares na construção civil e uma tendência mundial. Contudo, o engenheiro Araújo acredita que o Brasil esteja um tanto atrasado em relação a utilização dessa modalidade construtiva. "Nos países desenvolvidos o uso da estrutura tubu­lar e intenso e grandes obras são projetadas e construídas nesse tipo de estrutura. Aeroportos, estádios, coberturas, centros de exposição, shoppings, edificações comerciais, galpões, passarelas etc., são frequentemente encontrados. Inclusive, obras com grande apelo arquitetônico são normalmente produzidas com tubos".

Além do aspecto estético, o tubo pode conduzir soluções mais econômicas e que tome atrativa sua aplicação. Hoje, com a modernização e automatização do parque fabril das empresas fabricantes de estruturas metálicas, o processo de fabricação tem se sido mais eficiente, os custos de produção reduzidos e a estrutura tubular vem se tornando mais competitiva. Os profissionais também estão se aperfeiçoando, o que aumenta o número de pessoas aptas ao trabalho com um produto tão diferenciado.

Segundo o engenheiro, para acompanhar essa tendência é necessário que arquitetos, engenheiros, projetistas etc. estejam atualizados com a nova tecnologia, que promovam soluções simples e de fácil fabricação, o que conduz o melhor custo. "Para isso colocamo-nos a disposição desses profissionais para que possamos discutir as propostas e juntos encontrarmos a melhor solução para o projeto. E importante destacar que fabricantes de estrutura metálica estão se equipando com maquinário moderno, de alta qualidade e produtividade, estando aptos a suprir as necessidades do mercado", disponibiliza Araújo.

O especialista afirma ainda que a melhor formação profissional obtida pela disseminação da tecnologia e o amadurecimento profissional são fatores que explicam essa tendência. "O melhor conhecimento do produto, suas vantagens, a forma correta de sua aplicação são fatores fundamentais para que se perca o receio do "des­conhecido" e faz com que uma nova visão seja obtida para todos os profissionais. E evidente que fatores como o estético influênciam muito na escolha do produto a ser utilizado, porém, o desconhecimento do produto é fator altamente inibidor a sua aplicação. Outros fatores também são frequentemente avaliados por profissionais mais experientes e que consideram a obra como um bem duradouro, sujeito a manutenções. Por exemplo, a ausência de quinas vivas nos perfis tubulares, local onde frequentemente originam as falhas das pinturas, é uma garantia de maior vida útil, com significativa redução dos custos de manutenção", esclarece Afonso Henrique.

Manutenção adequada prolonga vida útil das estruturas

Todas as estruturas (metálicas ou de concreto armado) devem ser vistoriadas periodicamente, de forma a manter o bom estado de conservação, evitando assim que se deteriorem com o passar do tempo. Essa deterioração ocorre por efeitos de diversas ações as quais a estrutura está exposta durante sua vida seja ela em função de sua utilização, como os desgastes pelo uso, pela ação agressiva do ambiente. Essa vistoria deve ser feita por profissionais especializados, os quais irão detectar as necessidades de reparação e processos a serem empregados.

Os fabricantes de estruturas possuem profissionais aptos a realizar essa inspeção na edificação como também podem executá-la. Entretanto, também podem ser contratadas empresas especializadas em manutenção que possuem profissionais devidamente habilitados para executar a inspeção e manutenção da edificação.

O engenheiro Afonso Henrique Mascarenhas Araújo esclarece, com relação a manutenção, que como qualquer outro aço, deve haver a preocupação com a corrosão, adotando medidas que inibam o processo. "Uma adequada avaliação do local de implantação da obra e de suas características irá conduzir a adequados procedimentos de proteção contra corrosão, seja pela utilização de aços com maior resistência a corrosão, chamados aços patináveis, através de adequada proteção por pintura ou outro processo. O bom projeto prevê essa especificação de proteção e particularmente nos tubos produzidos em aço que não seja patinável. E recomendável que esses tenham suas extremidades devidamente vedadas, impedindo assim a evolução do processo corrosivo. Dessa forma podemos garantir a adequada proteção", afirma.

O engenheiro acredita que os aços patináveis (aços corten ou da família COR da V&M do Brasil), apesar de possuírem um custo superior aos demais aços, são os mais recomendáveis para aplicação estrutural. "Uma vez que eliminam o problema da corrosão interna, independente da vedação da extremidade do tubo. O custo da pintura pode ter grandes variações em função dos processos e produtos a serem empregados. Uma adequada especificação também deve ser pensada por profissional habilitado, em função das necessidades da obra", adverte Ara*.

Quanto a galvanização, é normalmente empregada em aços que não sejam patináveis. "Quando essa for a opção de proteção contra corrosão, o projetista da estrutura devera tomar cuidados especiais ao projetar as ligações de extremidade das barras. Essas devem prover aberturas para o interior do tubo, propiciando que a galvanização penetre no seu interior. 0 processo de galvanização a quente ocorre a altas temperaturas, e caso não existam aberturas suficientes, a pressão interna do tubo pode atingir valores muito altos, provocando indesejáveis rompimentos de chapas de ligação no mesmo tubo", chama atenção o engenheiro Afonso Araújo.

Aplicações e valorização da obra

Os tubos estruturais podem ser empregados em todas as situações (elementos estruturais) e em quaisquer edificações, sejam elas industriais, comerciais, habitacionais, mobiliários, urbanos etc. Em função de sua geometria e dos baixos níveis de tensões residuais dos tubos sem costura laminados a quente e dos tubos tratados termicamente, esses apresentam ótimo comportamento aos esforços de compressão axial e, por isso, são altamente recomendados como barras comprimidas.

"Entretanto, para esforços de flexão, não apresentam a mesma performance que na compressão e, por esse motivo, como elementos isolados, não são a melhor opção. Para esse esforço a forma ideal de aplicação do tubo é a composição de dois ou mais tubos através de treliçamentos ou ligando-os por meio de chapas, formando assim uma seção semelhante a de um perfil ou mesmo outras secções fechadas, cujas mesas são constituídas por tubos. Essas seções compostas por tubos, ou tubos e chapas, são também soluções interessantes e esteticamente agradáveis", salienta Afonso Henrique.

O emprego de treliças tubulares, sejam elas planas ou espaciais, é a opção mais tradicional. E comumente empregada em estruturas de grandes vãos devido ao seu baixo peso e bom desempenho. Como barra fletida mista, onde o banzo superior trabalha solidariamente com a laje, ligada por conectores de cisalhamento, obtêm-se resultados muito atrativos.

Os tubos com seções transversais retangulares são também uma opção como barras fletidas, pois apresentam melhor desempenho que os tubos de seção circular, tornando-as boa solução, tanto empregadas como barras que compõem treliças como quando usadas isoladamente. "Tal como as treliças, podem também ser ligadas lajes de concreto por intermédio de conectores de cisalhamento, melhorando consideravelmente seu desempenho flexão. O dimensionamento destas vigas mistas, com pequenas adaptações é feito conforme prescrito na ABNT NBR 8800, para as seções abertas. Nas fundações, os tubos também apresentam ótimo resultado, como estacas cravadas e são excelentes alternativas", complementa o engenheiro Araújo.

Quanto a influência das estruturas tubulares no custo final do empreendimento, Afonso Henrique Mascarenhas de Araújo, afirma que como todos os materiais, os tubos devem ser empregados tirando-se proveito de suas qualidades estruturais e levando-os a trabalhar na forma mais eficiente. "Assim, a estrutura e o material que a compõe estarão bem aproveitados e trabalhando de forma eficiente. Por isso é importante que o projeto seja desenvolvido por profissionais habituados ao produto e que conheçam as características dos mesmo", completa o especialista.

O atrativo na construção civil

Otavio Freitas, especialista em economia internacional pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que os investidores estrangeiros encontram no Brasil uma oportunidade de aplicar seus investimentos e obter lucros mesmo em momentos financeiramente conturbados. Para ele, porém, os grandes atrativos que diferenciam o país de outros emergentes são sua situação social atual e também algumas medidas adotadas recentemente pelo governo. "O Pais apresenta hoje um bom sistema politico e econômico — em que é visível o aumento gradativo da classe media, juntamente com as facilidades provenientes do acesso ao credito. O Brasil também possui um baixo endividamento e uma renda relativamente alta. Os salários tem aumentado, mas, ao mesmo tempo, existe ainda uma defasagem quando se trata de habitação no Brasil. Além disso, as obras para os eventos esportivos e medidas governamentais, como a redução de 6% para 0% da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de estrangeiros em títulos privados de longo prazo com prazos de ven­cimento superiores ha quatro anos, são um prato cheio para o investidor", afirma.

A expectativa, segundo informações da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), é que os investimentos estrangeiros na construção civil brasileira ultrapassem US$14 bilhões em 2012. O investimento, de acordo com Carlo, e em médio prazo e envolve apenas imóveis residenciais, mas também shopping centers e centros comerciais, cujo número tem aumentado muito no país. Apesar de ainda oferecer riscos, o investimento imobiliário apresenta altas taxas de crescimento e um retomo acima de mercados europeus e americanos.

De acordo com dados da CBIC, em 2011 a construção civil no Brasil registrou um crescimento de 4,8% em relação a 2010. As expectativas do setor para 2012 são ainda mais otimistas: acredita-se que o balanço será ainda maior, alcançando um crescimento de 5,2%. Freitas conta que o Brasil e o segundo lugar no mundo mais procurado para investimentos em construção, perdendo apenas para os EUA. 0 economista aponta que a indústria tem se mantido em um ritmo mais forte do que o Produto Interno Bruto (PIB) e a tendência é que continue assim. "O setor habitacional continuará se desenvolvendo em razão do aumento da renda e das facilidades de credito", afirma.

Mesmo internamente, os investimentos nacionais em construção civil certamente aumentarão. "Além disso, felizmente o Brasil, mais uma vez esta tirando vantagem da crise financeira internacional e consolidando-se como um País propicio a bons investimentos. Eu diria que 2012 e o ano da construção civil e também o ano do Brasil. Só precisamos tirar proveito para, de fato, avançarmos. A oportunidade está aí", aponta.

Reportagem: Sandra Cunha
Fotos: Divulgação / V&M  do Brasil / BCMF Arquitetos / Arquivo Pessoal

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