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Aço e Concepção Estrutural

02/01/2019 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 52
Aço e Concepção Estrutural

Emerson Vidigal é arquiteto do Estúdio 41 Arquitetura, escritório de Curitiba (PR) formado por profissionais interessados na solução dos desafios arquitetônicos das cidades. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), é doutor em Projeto de Edificações pela USP (Universidade de São Paulo) e também professor da disciplina de Projeto de Arquitetura na UFPR. Autor de inúmeras obras premiadas, assina, entre outras, o projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz e da Sede da Fecomércio do Rio Grande do Sul, ainda em execução e que deve ficar pronta até o fim deste ano.

Arquitetura&Aço – O Estúdio 41 tem uma trajetória de sucesso na criação de projetos contemporâneos, muitos deles pensados para concursos nacionais e internacionais. Quais motivos os levaram a apostar nesse tipo de atuação?
Emerson Vidigal – Acreditamos nos concursos de arquitetura como uma forma democrática de atuação, pois facilitam o acesso de jovens profissionais ao mercado de trabalho. Nosso ingresso – meu e de outros sócios do escritório – nos concursos começou ainda na universidade e continuou no início da nossa vida profissional. Já participei de incontáveis competições dessa natureza. Venci em 12 ocasiões, sete delas pelo Estúdio 41.

AA – Considerando apenas os projetos estruturados em aço, quantos foram concebidos nesse sistema construtivo? 
EV – Idealizamos por volta de 15 projetos com estruturas em aço. A maioria para concursos de arquitetura. Estão em execução atualmente o da Estação Antártica Comandante Ferraz e o do Centro de Convivência da nova sede da Fecomércio do Rio Grande do Sul.

AA – Quais aspectos destacaria nesses projetos?
EV – Os dois têm peculiaridades interessantes. O Centro de Convivência da Fecomércio tem uma estrutura em dupla treliça, com vão de 70 m e balanço de 30 m em uma das extremidades. Imaginamos que essa será uma das maiores estruturas deste tipo no Brasil. Já o projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz é, de fato, emblemático. Um edifício que marca a presença brasileira na região antártica, dentro de um espaço geopolítico importante. As condições adversas do local foram inspiradoras para a concepção do projeto: optamos por uma estrutura em aço de alta resistência mecânica para resistir a ventos de 200 km/h e temperaturas que podem chegar a -30ºC no inverno. Era essencial garantir proteção e conforto para os ocupantes, com o menor impacto ambiental possível. O isolamento do restante do mundo também impunha condições especiais para a execução; enfim, uma situação que não se encontra em qualquer momento.

AA – Pensando na adoção da construção em aço na região Sul do Brasil, como avalia a aceitação desse sistema?
EV – No Sul do país, estamos começando a trilhar um caminho em que a industrialização e a pré-fabricação são parte do vocabulário arquitetônico do dia a dia. Ainda é um movimento lento, como tudo que cerca a ideia de construção, mas acreditamos no potencial desse processo de fabricar antes e montar no canteiro. O uso do aço já é bastante presente em projetos industriais e de infraestrutura; aos poucos, essa tecnologia está entrando também nas edificações de outros segmentos, como hotelaria e centros comerciais. O modelo de negócio do empreendimento é uma variável determinante nas decisões. Em situações em que é importante contar com maior rapidez na execução da obra para reduzir o prazo de retorno do investimento, a opção pelo uso do aço é favorecida.

Aço e Concepção Estrutural

A reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira que foi parcialmente destruída em um incêndio em 2012, foi projetada com elementos pré-fabricados em aço de alta resistência à corrosão atmosférica para minimizar a necessidadede de manutenção e suportar as condições da ambientais da região

AA – Além da velocidade construtiva, quais os principais benefícios percebidos na adoção da construção em aço e quais as barreiras para ampliar sua participação no mercado da região?
EV – Como comentei, alguns clientes entendem as vantagens de construir com o aço e sua aceitação é natural. Questões relativas ao ciclo de vida do edifício, ao processo de montagem e desmontagem e à possibilidade de se evitar desperdícios sempre ajudam na argumentação da escolha pelo sistema construtivo. Mas creio que ainda é necessário reforçar o conhecimento e criar uma cultura junto à população da região para que sejam melhor percebidas as situações em que a construção em aço propicia benefícios interessantes se comparada às demais tecnologias. Também precisamos lidar com o fato de que o preço do material sempre será importante na tomada de decisão de projeto. Se o preço não é tão favorável em algumas situações – uma vez que se trata de uma commodity com cotação definida no mercado internacional –, o argumento de construir em aço deve levar em conta outras vantagens que o tornam competitivo. Entendo que as mais relevantes são o tempo que se ganha, a leveza do material e a eliminação de desperdício.

AA – Em sua opinião, a cadeia de fornecedores está preparada para atender adequadamente à demanda por obras em aço na região Sul, considerando a disponibilidade de serviços e materiais?
EV – Acredito que o mercado esteja preparado para atender à demanda, caso esta realmente se imponha.

AA – Baseado em sua atividade acadêmica, como avalia a formação de novos profissionais para projetar em aço nas universidades brasileiras? O que poderia ser melhorado neste quesito?
EV – Temos cada vez mais estudantes trabalhando com esse material. Os concursos do CBCA são um grande incentivo nessa direção. Contudo, ainda precisamos trabalhar mais com as noções de concepção estrutural. Temos poucos profissionais capacitados para o cálculo e dimensionamento de projetos em aço, mas temos ainda menos gente capacitada para compreender e conceber sistemas estruturais de forma adequada. A concepção, nesse sentido, é parte fundamental da decisão da estratégia projetual. Se não conseguimos entender isso, continuaremos repetindo modelos desgastados à exaustão. (E.Q.) 

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