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Hangar do Esporte

28/07/2016 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 46 - Junho de 2016

Treliças metálicas de grandes dimensões vencem vão de 66,50 m e permitem à Arena da Juventude, em Deodoro, abrigar múltiplas competições.

HANGAR DO ESPORTE

Membranas translúcidas na fachada conferem transparência e permitem que, do interior da Arena, o público possa contemplar outros pontos do Parque Olímpico de Deodoro

Conceber uma arena que abrigasse múltiplas modalidades do esporte e que, ao mesmo tempo, tivesse uma arquitetura elegante e grandiosa para fazer jus ao caráter das competições olímpicas foi o principal desafio da equipe do Vigliecca & Associados ao projetar a Arena da Juventude, no Parque Olímpico de Deodoro, localizado em uma das regiões mais carentes de áreas esportivas do Rio de Janeiro.

A instalação, que segue o conceito de hangar esportivo, sediará disputas de basquete feminino e esgrima, nas Olimpíadas, e, posteriormente, abrigará a prova de esgrima de cadeira de rodas na Paraolimpíada. “Precisávamos criar um espaço que comportasse a esgrima do Pentatlo, na qual os duelos acontecem simultaneamente e, também, o basquete, que ocuparia apenas um quarto dessa mesma área”, conta o arquiteto uruguaio Héctor Vigliecca, que concebeu o ginásio como uma espécie de bowl para proporcionar uma atmosfera de espetáculo ao público e aos jogadores durante o megaevento.

Para adaptar o local às modalidades e ainda torná-lo útil em legado, foram criadas instalações temporárias dentro da permanente e, neste conceito, o aço teve papel crucial. “A maior parte da estrutura foi concebida em aço por sua velocidade construtiva e capacidade de vencer grandes vãos. Tentamos trabalhar com os menores possíveis para reduzir os custos, mas, ainda assim, temos vãos de grande envergadura para atender aos padrões olímpicos.”

O maior vão da construção, de 66,50 m, foi vencido com a ajuda de sete treliças metálicas de 4,30 m de altura e 2,80 m de largura. Elas estão apoiadas sobre dez pilares metálicos nas fachadas leste e oeste e sobre 32 pares de pilares ao norte e sul. No entorno, 36 colunas em aço posicionadas de forma harmônica imprimem leveza ao conjunto.

Apesar da exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI) por sistemas de iluminação artificial e de ar-condicionado, a Arena foi projetada para o melhor aproveitamento dos recursos naturais. “Esses recursos serão usados apenas durante os Jogos, pois o edifício foi criado para, posteriormente, funcionar apenas com ventilação natural e iluminação zenital”, conta Vigliecca.

Além do sombreamento especial garantido pela extensão da cobertura, em policarbonato, os eixos norte e sul da fachada contam com fechamentos em painéis pivotantes compostos por armação e telha metálica termoacústica do tipo sanduíche, que asseguram a entrada de ar no interior do ginásio – os demais fechamentos foram feitos em PVC. “O aço foi utilizado para criar a grelha de policarbonato que contorna a obra, fazendo a função estrutural e de filtragem da luz. O uso da estrutura metálica associada às membranas permeáveis e translúcidas favoreceu, também, a criação de grandes vãos nas fachadas leste e oeste, que colaboraram para otimizar as estruturas do fechamento.”

HANGAR DO ESPORTE

Nas fachadas norte e sul, painéis pivotantes em telha metálica fazem o fechamento da edificação, que tem 19,60 m de altura e ocupa uma área de 14.300 m²

HANGAR DO ESPORTE

Cobertura, que tem acabamento liso na face externa, recebeu telhas metálicas onduladas com proteção ISO e manta do tipo TPO

HANGAR DO ESPORTE

Para a cobertura, que tem acabamento liso na face externa, telhas metálicas onduladas com proteção ISO e manta do tipo TPO foram especificadas para a melhor eficiência térmica e energética do edifício. O sistema recebe, ainda, lanternins, que operam tanto para a exaustão do ar quente como para a entrada de luz natural.

O edifício é marcado por 36 colunas de aço que, de forma harmônica, imprimem leveza à concepção.

Temporárias e em aço

Abrigar diferentes competições em um curto espaço de tempo também obrigou a equipe de arquitetura a pensar em uma estratégia para receber e acomodar o público com flexibilidade. A solução veio com a criação de arquibancadas temporárias em aço, com capacidade para 3 mil pessoas e que serão usadas de acordo com as necessidades de cada evento.

Para as disputas de basquete feminino, que demandarão uma quadra de 28 x 15m na primeira semana das Olimpíadas, três arquibancadas provisórias serão usadas junto com uma fixa, em concreto, para receber 5 mil pessoas. Já na esgrima do Pentatlo Moderno, apenas uma das arquibancadas metálicas será montada para acomodar 4 mil torcedores – ela contará com o auxílio da estrutura permanente. A configuração será mantida até o fim da Paraolimpíada para a esgrima em cadeira de rodas e, posteriormente, será alterada para servir de legado olímpico.

HANGAR DO ESPORTE

Ficha técnica

Projeto arquitetônico: Vigliecca & Associados
Área construída: 14.300 m²
Aço empregado: perfis laminados, soldados e chapas ASTM A572 GR 50; perfis laminados ASTM A572 GR42; perfis de chapa dobrada ASTM A36; tubos ASTM A501 GRB e barras redondas SAE-1020
Volume do aço: 1.845 t
Projeto estrutural: Focus Group
Fornecimento da estrutura de aço: Brafer Construções Metálicas S/A
Execução da obra: Queiroz Galvão
Local: Rio de Janeiro, RJ
Data do projeto: 2013-2014
Conclusão da obra: 2016

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