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Hotel em Resende utiliza estrutura metálica de 500 t

21/05/2015 | Notícia | Revista O Empreiteiro - março 2015

A estrutura do futuro hotel da rede Venit, na cidade de Resende, na região sul do Estado do Rio de Janeiro, vai consumir 500 t de aço. De acordo com o engenheiro civil Alexandre Corrêa, gerente de Contrato da Lafem Engenharia, empresa responsável pela construção do empreendimento, o uso de estrutura metálica garante rapidez, limpeza, precisão e economia na obra.

“A grande vantagem do aço é possibilitar uma estrutura até 30% mais leve do que se fosse feita em concreto”, ressalta o engenheiro. Segundo ele, a estrutura metálica alivia a fundação, e isso reflete diretamente nos custos dessa etapa. Outro ponto que pesou na decisão pelo aço na obra do Venit foi a escassez de mão de obra no setor de construção civil na cidade de Resende. Corrêa diz que trabalhar com estrutura metálica não exige mão de obra intensiva, como é o caso da construção com concreto. “No pico da obra, 50 homens dão conta do recado”, calcula.

O engenheiro conta que prumo, níveis, alinhamentos e outras medidas são mais precisos em estrutura metálica do que em concreto. “Por ser parafusada, não tem como encaixar em lugar diferente para a qual ela foi projetada”, reforça Corrêa.

Segundo o engenheiro, construir com metal viabiliza vãos maiores, com estruturas mais baixas. Isso ajuda na arquitetura, no entreforro, na altura do pé-direito, nas instalações. “Em alguns casos, existem vigas que seriam mais difíceis de se fazer usando concreto”, diz.

Corrêa conta que a piscina do Venit, com cerca de 90 mil litros de capacidade, ficará na cobertura. Segundo ele, se a estrutura fosse de concreto, “a viga teria de ficar muito maior, e talvez nem coubesse na arquitetura do empreendimento”.

Industrialização

A obra do Venit Resende ainda privilegia outros processos de construções industrializadas, como sistemas drywall e fechamento com placas de vidro nas fachadas. “Tudo isso vem em kits para ser montado no local e com mão de obra fornecida pela maioria dos fornecedores”, afirma Corrêa. O engenheiro lembra que a Lafem mantém trabalhadores de apoio na obra, entre os quais eletricistas, carpinteiros, serventes, além de engenheiros e técnicos que fazem todo o acompanhamento e gerenciamento da obra do novo hotel em Resende.

O engenheiro explica que toda a estrutura metálica é fabricada fora da obra pela Codeme, em Minas Gerais. Segundo ele, as peças prontas chegam à obra apenas para ser instaladas. “É um grande jogo de montar”, define Corrêa. Ele conta que, ao mesmo tempo em que estavam sendo realizadas as obras das fundações do prédio, as estruturas metálicas já estavam sendo fabricadas. “Tão logo se liberou espaço na obra, a estrutura começou a ser montada no local”, diz.

Cerca de 30% do total da obra está concluído e metade da estrutura metálica já está montada, calcula o engenheiro. O término das obras está previsto para o primeiro semestre do ano que vem.

O engenheiro conta que toda a estrutura metálica se apoia sobre as 70 estacas com hélice contínua, escavadas a 13 m de profundidade, com diâmetro variando de 0,70 cm a 0,90 cm. “Arrasamos todas as estacas em menos de uma semana com o uso de um arrasador hidráulico alugado da Fantini, de São Paulo”, lembra Corrêa. Segundo ele, sem esse equipamento teria demorado mais de um mês. Além disso, o custo foi menor e houve menos ruído para a vizinhança.

A escavação do subsolo exigiu a remoção de 5.800 m³ de terra. É lá onde ficarão casa de bombas, reservatório de água potável, entre outras áreas de apoio, além da garagem do prédio, com 54 vagas. “Um sistema pressurizado vai fazer a água chegar em todo o prédio, sem necessidade de reservatório no alto do edifício”, afirma. No subsolo ainda ficará o reservatório de águas cinza para reúso em descargas dos banheiros do hotel.

Corrêa frisa que não foi necessário o rebaixamento de lençol freático no subsolo, pois a água está na cota menos dez. “Estamos a cerca de 500 m do rio Paraíba, a mais ou menos 20 m de altura com relação ao nível do rio”, afirma. “O terreno é bem consolidado e a obra das fundações foi trabalhada toda no seco”, diz.

Cuidado

Na avaliação do engenheiro responsável pelo empreendimento, o Venit Hotel, em Resende, é uma obra mista. “De uma forma geral, o aço ganha em quase todos os quesitos do concreto, na parte da superestrutura”, frisa. Porém, Corrêa ressalta que, no que se refere à infraestrutura, caso da fundação, o concreto ainda é insuperável. “Não existe até o momento nenhum elemento que o substitua”, pontua.

O engenheiro lembra ainda que as lajes dos pisos serão feitas com concreto, tipo steel deck, com espessura de 15 cm, com manta acústica. “Conforme avançamos a estrutura metálica, aplicamos a laje”, ressalta Corrêa. Ele explica que é importante já ir aplicando a laje para o travamento na base, à medida que a estrutura metálica vai ganhando altura, para ajudar na estabilização da edificação. “Enquanto a estrutura não é travada até o teto, cabos de aço auxiliam nessa operação de montagem.”

Corrêa conta que um cuidado especial, no caso de estruturas metálicas, é com as interfaces do aço e as vedações. Por exemplo, quando o aço entra em contato com a alvenaria, com bloco cerâmico, com drywall, entre outros elementos, é preciso tratamento e boa execução. “São setores que podem rachar ou causar trincas”, adverte.

A obra do Venit Resende não vai precisar de juntas de dilatação, conta o engenheiro. “O edifício tem 40 m de comprimento. Portanto, estamos dentro do limite da norma que exige juntas de dilatação a cada 40 m de construção em estrutura metálica”, diz.

Desafio

O espaço útil no local da obra, segundo o engenheiro, foi um dos desafios enfrentados pela equipe da Lafem Engenharia na obra do Venit, em Resende. O terreno de 1.686,72 m², onde estão sendo erguidos 8.201,60 m² de obra total, permite pouca flexibilidade. “Nosso canteiro de obras precisou avançar um pouco sobre a calçada, com autorização da Prefeitura”, diz.

Todo o içamento, que deverá chegar até 30 m, é feito com guindaste sobre rodas, estacionado no local. “Optamos por não instalar grua e utilizar guindaste para ter mobilidade mais fácil dentro da obra”, conta Corrêa. Segundo o engenheiro, se houver necessidade de içamento de alguma peça mais pesada, a ideia é utilizar guindaste com maior capacidade, operado a partir da rua. “As operações de içamento têm de ser realizadas com o máximo de cuidado e atenção, haja vista a altura e o peso das peças” diz. Corrêa lembra que há vigas de aço com até 3 t de peso.

Ficha técnica - Hotel Venit Resende (RJ)

- Propriedade da obra: FAA Participações e Empreendimentos Imobiliários
- Projeto de arquitetura: Ruy Rezende Arquitetura (RRA)
- Projeto de engenharia: Infraestrutura Engenharia
- Principais fornecedores, materiais e insumos: Codeme (estrutura metálica)

Reportagem: José Carlos Videira - Resende (RJ)

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