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Nova proposta para o CEU revê conceito e desenho original

30/10/2008 | Notícia | Projeto Design - nº. 342 - Agosto 2008

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) seguem o modelo idealizado nos anos 1950 pelo educador Anísio Teixeira e adotado já pela administração paulista - na anterior (leia PROJETO DESIGN 284, outubro de 2003). O sucesso da iniciativa, que visa levar aos bairros da periferia de São Paulo equipamentos públicos que ofereçam atividades educativas, culturais, esportivas e de lazer abertas à população, garantiu a continuidade do programa na atual gestão. Antes de dar início à construção de mais 25 unidades, a prefeitura encomendou a alguns arquitetos novos estudos a fim de rever conceitos de uso dos equipamentos, em especial para viabilizar a implantação em terrenos menores e evitar a circulação do público nos blocos das salas de aulas.

O estudo escolhido foi o apresentado por Walter Makhohl, que estabeleceu um projeto modular, com lajes PI e pré-moldados de concreto, o que dá rapidez à montagem da estrutura e permite aumentar ou diminuir o tamanho dos prédios conforme a área de cada terreno. Seguindo a modulação de 1,20 metro, o sistema foi desenvolvido com base em protótipos e testes que visavam diminuir a variedade de peças e simplificá-Ias. "Conseguimos concentrar o projeto todo em dois tipos de peças", garante o arquiteto. O detalhe que identifica o novo CEU está nas vigas-calha com fechamento sobreposto, formando uma aba para proteger a construção contra infiltrações e dispensar a impermeabilização. A exceção acontece no volume circular de dois pavimentos, o único com estrutura convencional. "Optamos pela laje cubeta no piso e na cobertura. Ela funciona como grelha e permite grandes vãos", explica Makhohl.

A contratação dos projetos executivos coube às próprias construtoras que venceram as licitações para a execução das obras. Makhohl conta que no ápice dos projetos chegou a ter cerca de cem pessoas trabalhando no detalhamento das propostas. A cada contrato assinado, equipes especializadas levantavam as características do terreno e verificavam a necessidade de interferências, como canalização de córregos, troca de camadas contaminadas do solo ou rebaixamento de lençóis freáticos. "A partir desses dados, fazíamos a adequação do projeto. Também era necessário adaptar os pré-moldados a fim de colocar os recortes das peças nas posições corretas, em função da implantação. Cada CEU chegou a 600 pranchas de desenho", revela.

A proposta padrão das 24 unidades prevê cinco prédios de dois pavimentos, com 12 mil metros quadrados de área construída e 41 salas de aulas distribuídas por dois blocos pedagógicos - um destinado ao Centro de Educação Infantil (CEI, a creche) e Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) e outro para a Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef), únicos de acesso restrito aos alunos. Além disso, os conjuntos contêm edifício administrativo, bloco circular com cozinha, refeitório, biblioteca e centro de iniciação em informática e o bloco esportivo e cultural (BEC), com quadra poliesportiva, teatro e salas de dança, que sempre representa a segunda etapa de implantação. Externamente há quadras esportivas, minicampo de futebol e três piscinas (semi-olímpica, recreativa e infantil), O programa original pode sofrer alterações em função do tamanho do lote ou apresentar elementos extras, como os CEUs Jardim Paulistano e PareIheiros, onde estão previstos planetários.

O CEU Água Azul, o primeiro inaugurado, ocupa área maior que a média das novas unidades, o que possibilitou contem piar todos os itens previstos, exceto a pista de atletismo. "Os terrenos públicos são sempre difíceis. Neste caso, precisamos cortar o lote, situado numa encosta, fazer o talude de contenção e mudar o local previsto para as piscinas devido ao lençol freático muito alto", explica Makhohl. Os blocos pedagógicos caracterizam-se pelos corredores de 3,60 metros de largura que separam as salas de aulas, formando galerias que funcionam como espaço de convívio e de exposição de trabalhos dos alunos. As instalações correm por tubulações suspensas, que entram e saem das salas pelos recortes das lajes.

 Com 7,20 metros de largura, as salas recebem ventilação cruzada constante, assegurada por elementos vazados no topo da parede interna e por caixilhos de alumínio com abertura do tipo veneziana na parte superior. No piso térreo, elas se abrem para pequenos gramados delimitados por elementos vazados dispostos em semicírculo. "O objetivo era evitar a depredação das vidraças, mas a área acabou incorporada como espaço para atividades ao ar livre", diz o arquiteto. As circulações são feitas por rampas externas e escadas internas revestidas por piso emborrachado; o granilite foi a opção escolhida para dar acabamento aos pisos.

O bloco esportivo e cultural é o único que possui piso de concreto polido e parte da fachada revestida por cerâmica.

O revestimento marca a posição dos vestiários, que se abrem para o interior e para o exterior do prédio. As demais superfícies externas são de concreto aparente ou recebem acabamento de pintura. A idéia original - não levada adiante - era que os painéis frontais das escolas recebessem obras de artistas plásticos, o que explica as grandes empenas inclinadas de concreto aparente.

Internamente, o BEC possui estrutura metálica, fixada no topo das vigas de concreto em sistema Divdag, na área de pé-direito de dez metros sobre a quadra poliesportiva, que tem piso de madeira.

A cobertura é feita com telhas termoacústicas metálicas. O prédio também abriga um teatro com tratamento acústico, recursos de iluminação, telão, ar-condicionado central, camarins, coxia, depósito, sala e passarela técnicas. No CEU Água Azul, o palco é do tipo elisabetano, com 400 lugares.

Dos 25 CEUs, 16 já estão em funcionamento e oito devem ser concluídos para o ano letivo de 2009. O 25° tem concepção diferenciada, desenvolvida por Ruy Ohtake para a comunidade de Heliópolis. (Por Nanci Corbioli).

Ficha Técnica
Centro Educacional Unificado Água Azul
Local: São Paulo, SP
Data do início do projeto: 2005
Data da conclusão da obra: 2007
Area do terreno: 35.000 m2
Area construída: 11.500 m2
Arquitetura: Makhohl Arquitetura - Walter Makhohl
(autor e coordenador geral); Maurício Petrosino,
Vanessa Cunha, Nivaldo Nozoie, Antenor Bertarelli,
Alfred Talaat e Osvaldo Valone (coordenadores de projeto);
Gerson Uchida, Carlos Eduardo Antunes, Ricardo Graner,
Marcus Vinícius Marques, Diego Armesto, André Santana,
Laís de Luna, Rodrigo Peregrina, Uirá Kayano,
Ana Carolina Antonangelo, Ana Luisa Coppola, Miriam Vaccari,
Mariana Correa, Virgínia Assaz e Valdinete Araújo (equipe)
Estrutura: Eduardo Penteado Engenharia,
ACS e Carlos Leal Engenheiros
Estrutura metálica: Steeltec
Construção: Paulitec
Fotos: Nelson Kon

Fornecedores

Spitalletti (pré-moldados); Projecta (estrutura metálica);
R & M Montagens (instalações elétricas e hidráulicas);
Gail (revestimento das piscinas); Recoma (quadra poliesportiva);
Terramoto (terraplenagem); Simel (impermeabilização);
Pisometal (gradis metálicos); Bass (elevadores); Planitec
(piso de alta resistência); Tecbarragem (reservatório elevado);
Projectus (esquadrias de alumínio); Isonar (revestimento termoacústico)
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