ARTIGOS TÉCNICOS

Paredes de concreto com fôrmas metálicas

05/05/2011 | Revista Téchne - Abril 2011


O que define uma fôrma metálica é o material com o qual é produzi­da, ou seja, tem estrutura e faces de contato totalmente de aço. Essa condição a difere das fôrmas tam­bém chamadas de metálicas pelo mercado, que são apenas estrutura­das com aço, mas que utilizam madeira compensada nas faces de contato. A fôrma apresentada aqui é construída integralmente com aço de alta resistência, para suportar as pressões geradas pela concretagem e proporcionar qualidade ao acaba­mento final do concreto.

As fôrmas metálicas estão dispo­níveis em diversos tamanhos para tornar o uso simples e adaptável a qualquer situação de moldagem de concreto. Suas dimensões e pesos fa­cilitam o carregamento e a monta­gem, que pode ser feita por um único trabalhador. Os sistemas de fôrmas metálicas pesam 29 kglm2, e o maior painel de fôrma pesa 22 kg.

Por se tratar de um sistema robus­to e de simples utilização, qualquer trabalhador, sem qualquer experiên­cia com montagem de fôrmas, é capaz de montar e rapidamente entender o funcionamento do sistema.

Além dos painéis de fôrma, o siste­ma também oferece painéis específi­cos para a moldagem de cantos em 90°e uma Fôrma flexível para ângulos va­riados, todos seguindo os padrões dos painéis com flanges soldados direta­mente na face do painel e as furações para possibilitar os ajustes.

As dimensões milimétricas do sistema garantem o volume de con­creto, reduzindo o desperdício du­rante a concretagem. Em outras pa­lavras, o volume de concreto calcula­do é o mesmo que será usado para moldar a peça, evitando o custo do concreto excedente.

A utilização deste sistema pode reduzir significativamente o tempo de mão de obra da montagem, des­montagem e o ciclo de reaproveita­mento do sistema. Em paredes retas, a produtividade de um trabalhador pode superar 20 m2/dia.

Todas essas características técnicas das fôrmas metálicas foram potencia­lizadas no projeto executado do audi­tório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, cons­truído pela Construtora Rio Verde En­genharia. Ali, o objetivo era viabilizar a construção de um auditório no cam­pus, atendendo dois requisitos bási­cos: agilidade e redução de custos com mão de obra. Para isso, buscava-se por um equipamento que atendesse às exi­gências do projeto e, ao mesmo tempo, oferecesse alta qualidade, desempenho na execução e segurança.

O auditório tem 19,20 m de diâ­metro, paredes com espessuras de 200 mm a 600 mm e um desnível de 84 cm entre a parte apoiada em solo e o balanço. A parte mais espessa das pa­redes - 600 mm - cumpre as funções de parede e viga ao mesmo tempo, estruturando e suportando a parte em balanço, também composta de laje e parede circular. O projeto pre­via acabamento em concreto aparen­te, uma razão a mais para o uso das fôrmas metálicas.

As fôrmas garantiram que o pro­jeto, que tinha uma baixíssima tole­rância a erros, fosse plenamente aten­dido. Elas permitiram maior agilida­de na montagem do equipamento, reduzindo os prazos de execução e o custo com mão de obra.

Dados técnicos

  • Estrutura de aço rígida composta por flanges, costelas e travessas que são soldadas diretamente na parte de trás da face de contato, que enrijecem e estruturam os painéis, formando um conjunto único.
  • O painel padrão de 600 mm x 1.200 mm pesa somente 22 kg e, em média, um conjunto de painéis pesa 29 kglm2. Os tamanhos dos painéis variam entre 50 mm e 600 mm de largura e 600 mm e 1.200 mm de altura.
  • Todos os painéis têm os flanges de borda com duas linhas de furos de 8 mm a cada 25 mm, possibilitando míni­mos ajustes, reduzindo a necessida­de do uso de preenchimento com madeira.
  • Tensor:
    • Capacidade de ruptura na tração: 2.150 kg
    • Capacidade de ruptura na cortante: 4.000 kg

Acessórios

Para que o sistema funcione corre­tamente, alguns acessórios são necessá­rios. O tensor, também conhecido como "agulha” tem como função resis­tir às pressões exercidas pelo concreto durante o lançamento nas faces ou nos flanges de cada painel. Essas pressões são transmitidas pelas grapas e dos pinos passadores para os tensores.

Os tensores são divididos em dois tipos: recuperável e não recuperável. O tensor recuperável é reaproveitado inúmeras vezes durante a obra, para uma seqüência de repetições de mesma me­dida, ou seja, paredes de mesma espessu­ra. Já o tensor não recuperável é usado em situações onde a estanqueidade do local a ser moldado é extremamente im­portante, ou em situações que os tenso­res serão utilizados uma única vez, per­manecendo no local. Esse tensor tem como opção um ponto de quebra que pode ser rompido com um simples golpe de martelo, deixando a peça invisí­vel dentro da parede. O reaproveitamen­to desse tipo de tensor é inviável, pois cria um ponto onde fragiliza a estan­queidade do tanque concretado.

As grapas são responsáveis pelas conexões e alinhamento dos painéis de fôrma metálica, transferindo os esforços para os tensores.

Os pinos passadores travam os tensores nos painéis de fôrmas e, tam­bém, auxiliam na transferência de es­forços dos painéis para os tensores.

Os alinhadores metálicos são tubos de seções retangulares utilizados para alinhar os painéis e transferir o alinha­mento para todo o conjunto montado. As mordaças fixam os alinhadores na parte estrutural dos painéis e são utili­zadas na horizontal e vertical.

A bainha plástica é usada para en­camisar o tensor recuperável e facili­tar a remoção da parede moldada.

O chanfro plástico é utilizado para chanfrar em 45° as quinas das paredes ou pilares.

Por último, o Water-Stop em­pregado nos tensores não recuperá­veis para estancar a água, para evi­tar que percole pelo tensor depois de algum tempo.

Ferramentas do sistema

Algumas ferramentas são neces­sárias para a utilização do sistema de fôrmas metálicas, como a ferra­menta-pico, a ferramenta-tubo, martelo saca tensor, martelo saca painel e, para completar, um bom martelo de carpinteiro.

A ferramenta-pico é utilizada para alinhar os furos dos flanges dos painéis durante o processo de montagem. Já a ferramenta-tubo é usada para montar as grapas e os pinos passadores. Para remover os tensores recuperáveis da parede é preciso usar o martelo saca tensor, enquanto o martelo saca painel auxilia na desforma dos painéis de fôrma das paredes.


MONTAGEM DAS FÔRMAS METÁLICAS

Preparo do local da montagem

Antes do início da montagem do sis­tema de fôrma metálica é necessário pre­parar o local, para garantir uma montagem apropriada e posicionamento cor­reto da parede a ser moldada. O processo se inicia pela montagem da ferragem da parede, o nivelamento do terreno e a limpeza do local. Se uma base de concre­to já estiver pronta no local, são utiliza­dos sarrafos para marcar as dimensões da parede, travando-os no piso para for­mar uma base de apoio para os painéis de fôrma e mantê-los nivelados. O sarra­fo, além de nivelar, ajuda na vedação da parte inferior do painel de fôrma, evi­tando que a nata do concreto escape. Essa etapa se encerra com a limpeza e nivelamento do terreno.

Preparo do equipamento

Antes de iniciar a montagem, é preciso um rápido preparo das fôr­mas, com a aplicação de desmoldan­te nas suas faces de contato. Isto faci­lita a desforma dos painéis e evita danos ao acabamento do concreto.

Usando o tensor recuperável, pre­para-se a bainha plástica cortada na medida da espessura da parede. Em seguida, os tensores são inseridos, uti­lizando um pouco de graxa para facili­tar a remoção após o período inicial de cura do concreto. Finalmente, deve ser aplicado o desmoldante líquido.

Montagem passo a passo do sistema

Após o preparo, inicia-se a mon­tagem das fôrmas metálicas pelos cantos interiores, posicionando-se o primeiro painel e travando-o com a grapa na fôrma de ângulo interior. O procedimento deve ser repetido nos demais lados, dando seqüência ao processo de montagem.

Continuação do posicionamento das fôrmas e travamento dos demais painéis até que o conjunto fique na vertical, sem precisar de apoio.

Colocação dos tensores nos pon­tos de inserção da fôrma, travando-os com os pinos passadores.

Em seguida, são instalados os painéis opostos aos painéis inicialmente posi­cionados, fechando-se as fôrmas com o uso de um segundo pino passador para travar o tensor. A operação é repetida até completar o conjunto.

Terminada a montagem das fôr­mas, os alinhadores horizontais são posicionados em um dos lados da fôrma, podendo ser interno ou exter­no à parede.

Em seguida, as mordaças são usa­das para fixar os alinhadores na parte estrutural dos painéis de fôrma, sem­pre fixando-as nas juntas entre os pai­néis de fôrma.

Depois, são montados os alinha­dores verticais do outro lado, oposto ao dos alinha dores horizontais, se­guindo o processo anterior.

Para finalizar a montagem do con­junto, devem ser posicionados os apru­madores que darão o prumo ao conjunto.

Preparo/limpeza do local antes do lançamento do concreto/janela de inspeção

Esse sistema permite que alguns painéis de fôrma sejam removidos temporariamente para uma eventual limpeza antes do lançamento do con­creto, algum reparo de última hora ou, até mesmo, uma inspeção. Basta soltar algumas grapas e pinos passadores e o painel já está livre para ser removido.

Concretagem

O sistema está pronto para a concretagem.

Limpeza da parte de trás das fôrmas após concretagem

Após a concretagem, a parte de trás dos painéis de fôrma precisa ser lavada para evitar que o concreto en­dureça, dificultando a limpeza e ma­nutenção para o próximo uso.

Tempo de cura

Normalmente, dependendo da espessura da parede, é possível des­formar dentro de um período de 24 horas após a concretagem.

Desforma

A desforma dos painéis de fôrma metálica é feita de maneira simples e rápida, começando pela remoção dos aprumadores e alinhadores do conjunto, seguido das grapas e pinos passadores. Após a remoção de todos os itens, utilizando o martelo saca painéis, a extremidade do martelo é encaixada na flange do painel e, com um leve golpe do martelo saca pai­nel, o painel é removido da parede.

Acabamento do concreto

Um dos grandes feitos das fôrmas metálicas é o acabamento que propor­ciona ao concreto. Deixando uma única linha quase imperceptível es­tampada no concreto, exatamente no encontro dos painéis de fôrma, redu­zindo a necessidade de mão de obra de acabamento.

Limpeza/manutenção e aplicação de desmoldante

Depois da desforma, é importan­te limpar a face de contato do painel com um pano ou saco de estopa. Em alguns casos, os painéis ficam com concreto grudado nos flanges e em outras partes, sendo necessária uma limpeza mais pesada com uso de es­pátulas. Mas isso pode ser evitado com a lavagem dos painéis de fôrma logo após a concretagem. A aplica­ção do desmoldante é feita logo em seguida à limpeza.

Ciclo das fôrmas metálicas

Após a limpeza e a manutenção básica, as fôrmas metálicas estão pron­tas novamente para serem usadas.

Andaimes para fôrmas

Para montagens mais altas e lança­mentos de concreto em altura, o sistema de fôrma metálica disponibiliza um andaime de suporte para plataforma e guar­da-corpo.

A montagem do andai­me é simples, sendo posicionado nos flanges das juntas entre os painéis e trava­do com o pino passador, o mesmo pino que trava o tensor no painel de fôrma.


Situações especiais/diversas

As fôrmas podem ser aplicadas em diversas situações como pilares, vigas, paredes curvas, paredes com espessura variada, muros com contraforte e ou­tros.

Em alguns casos, insertes no meio da concretagem são necessários. A fôrma metálica permite a inserção dessa interferência, usando al­guns acessórios que possibilitam esse ajuste feito com madeira integrado à fôrma metálica.


LEIA MAIS

Fôrmas e Escoramentos para Edifícios, Nilton Nazar. Editora PINI, 2007.

Formwork for Concrete 7th edition, M.K. Hurd. Editora Amer Concrete Institute, Janeiro 2005.

Concrete Formwork, Leonard Koel. AmerTechnical Pub, 4th edition, Novembro, 2010.

NBR 15696 - Fôrmas e Escoramentos para Estruturas de Concreto ­Projeto, Dimensionamento e Procedimentos Executivos.

NBR 14931- Execução de Estruturas de Concreto - Procedimentos

ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). www.abnt.org.br

Abrasfe (Associação Brasileira de Fôrmas e Escoramentos). www.abrasfe.org.br

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